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QUANDO GILBERTO FREYRE EXPULSOU LAMPIÃO E SEU BANDO DE PERNAMBUCO

SÓ A UNIÃO DE FORÇAS DOS ESTADOS NORDESTINOS, COM ARMAMENTOS MODERNOS E A PRISÃO DE COITEIROS MINARAM AS AÇÕES DO CANGAÇO. O SOCIÓLOGO GILBERTO FREYRE FOI UM DOS IDEÓLOGOS E ESTRATEGISTA, QUE CONTRIBUIU PARA ESTE ENFRAQUECIMENTO.

A partir de 1919, com a grande seca, e durante toda década 20, o cangaceirismo profissional entrou em franca expansão. Novos bandos surgiam praticamente quase todos os dias, e Pernambuco chegou a ser o maior celeiro do cangaço, principalmente vindos da região do Pajeú, tendo como foco Vila Bela, hoje Serra Talhada.

Além de desorganizadas e sem estrutura financeira, o armamento das forças das volantes era totalmente arcaico em relação às armas modernas usadas pelos cangaceiros. Havia um tipo de pistola tão obsoleta que servia de piada para os nordestinos quando diziam que “eram dois tiros e uma carreira”.

Antes havia o impedimento de uma força de um estado entrar no território do outro quando em perseguição aos bandos. Os governantes em geral estavam desestruturados, sem contar a corrupção de que se valiam os cangaceiros para subornar soldados e oficiais.

Naquela época (década de 20), os bandos mais perigosos, a maioria aliada a Lampião, eram os de Jararaca, os Patriotas, os Sipaúbas, os Sabinos, os Pereiras, os Pinheiros, Manuel Vitor, os Marianos, os Melões, Paizinho Baio, Tibúrcio Santos, Vinte e Dois, os Pedros, os Porcinos, Casa Velha, dentre tantos outros. Eles contavam com a cobertura dos coiteiros, tendo como maior centro a Serra D´Umã.

Os coiteiros eram um dos maiores Calcanhares de Aquiles dos governos, mas a ação repressora surtiu bons efeitos logo no início dos anos 20, mediante acordos realizados, primeiro entre os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em 1922. Depois vieram outros nos anos de 1926 e 35 em que se juntaram os governos de Alagoas, Sergipe e Bahia.

Vale ressaltar que em 1912 os estados mais atingidos pelo cangaço também se reuniram para combater o cangaceiro Antônio Silvino, mas foi no período de Lampião que as alianças surtiram melhores resultados.

Nesses acordos, além de uma repressão mais firme, os governadores decidiram outras medidas estratégicas, como construção de rodovias, controle sobre as canoas nos rios, distribuição de cem fuzis militares entre civis de confiança pelo Governo de Pernambuco, introdução da submetralhadora de 500 disparos por minuto, entre outras ações.

Nesse meio houve um fato interessante que conseguiu deter o ímpeto de Lampião e seus bandos. Em 1927, no Governo de Estácio Coimbra (Pernambuco), por recomendação do sociólogo Gilberto Freyre, seu secretário de Gabinete, foram estabelecidas novas diretrizes para repressão ao banditismo, e uma delas foi a prisão dos coiteiros. Muitos, inclusive chefes políticos e fazendeiros, foram sendo presos e recambiados para a capital, culminando com o maior deles que era o coronel Ângelo Lima, o Ângelo da Jia.

Sem o coiteiro, o cangaceiro não era nada. Em decorrência dessa eficácia, em agosto de 1928, Lampião com um grupo já reduzido de cabras, depois de ter sido repelido em Mossoró durante sua tentativa de invasão à cidade (50 homens contra 150 do prefeito), em março de 1927, abandona sua terra natal e se interna nos sertões da Bahia.

Antes disso, porém, um episódio político contribuiu em muito para o avanço do cangaço, que foi a passagem da Coluna Prestes pelos sertões nordestinos, logo no início de 1926, ano em que foi o marco do banditismo na região, especialmente em Pernambuco, conforme aponta o autor do livro “Guerreiros do Sol”, Frederico Pernambucano de Mello.

Lampião começou sua carreira por volta de 1919/20, ainda como cabra nas hostes surgidas dos Matildes e dos Porcinos, bem como em etapa seguinte no bando de Sinhô Pereira. Seu auge se deu em 1926, com suas andanças pelos estados da Paraíba, Ceará, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Em fevereiro de 1926, ele tocaia e mata seu velho inimigo José Nogueira, em Vila Bela (Serra Talhada). Em março entra em Barbalha (Ceará) à frente de 49 cabras se hospedando no Hotel Centenário onde pousou para fotos e deu entrevistas como se fosse governador do sertão. Em agosto ataca a fazenda Tapera, Floresta, matando treze pessoas de uma mesma família. Em setembro invade Cabrobó à frente de 150 bandoleiros, sob toque de cornetas e em formação militar. Em novembro, com 90 homens, enfrenta a batalha da Serra Grande (Vila Bela) contra 260 soldados. Em dezembro, na localidade de Juá, destrói a tiros 127 bois do fazendeiro Joaquim Jardim.

Nessa época, a fama de Lampião corria o país inteiro e ocupava espaços nobres nos jornais. A opinião pública criticava as forças policiais, enquanto o bandido alardeou invadir Rio Branco, hoje Arcoverde. Até o governador de Pernambuco, na época, Sérgio Loreto, ironizava que sendo o bandido reconhecido como governador do sertão, nada mais justo que sediasse seu comando em Rio Branco. O governador se queixava da colaboração prestada aos bandidos pelos sertanejos.

Como ocorreu em 1914, com a revolução de Juazeiro (guerra santa), nos anos de 1926/27, os sertões de Pernambuco, Paraíba e Ceará foram inundados de armas distribuídas pelo governo federal quando da organização de milícias (batalhões patrióticos), para combater a Coluna Prestes.

Grande parte dessas modernas armas, fuzis e mosquetões de fabricação europeia, caiu nas mãos dos bandidos, sobretudo de Lampião, quando esteve em Juazeiro, em 1926, convocado pelo deputado baiano Floro Bartolomeu da Costa e Padre Cícero, para se juntar ao exército contra Prestes. Cada cangaceiro ganhou um fuzil novo.

 

VEREADORES VOTAM EMPRÉSTIMO E DISCUTEM IPTU NOS DISTRITOS

Em primeira votação, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, em sessão desta sexta-feira (dia 05/12), aprovou o pedido de empréstimo de 400 milhões de reais feito pela prefeita Sheila Lemos e discutiu a questão de cobrança do IPTU nos distritos da zona rural.

Alguns parlamentares da oposição chegaram a questionar essa nova solicitação de empréstimo do poder executivo em decorrência do alto risco de endividamento do município, bem como porque o projeto não especifica claramente em quais obras serão investidos os recursos.

Prepostos do governo, entretanto, afirmaram que a maior parte será aplicada no asfaltamento de ruas em bairros carentes que ainda não foram beneficiados por esse serviço de melhoria. O pedido de empréstimo ainda será apreciado pela Casa em segunda votação.

A projeto de cobrança de IPTU nos distritos de Vitória da Conquista rendeu uma grande polêmica no legislativo, visto que a prefeita enviou uma emenda visando a isenção do imposto em 2026, mas que a cobrança passe a vigorar a partir de 2027.

A maioria dos vereadores, incluindo os da situação, se posicionaram contrários à cobrança do IPTU nos distritos. Alexandre Xandó destacou que os distritos sejam permanentemente isentos.

Os parlamentares, em suas falas, recomendaram que seja votado a isenção para o próximo ano de 2026. Quanto uma possível cobrança em 2027, a questão entrará em pauta posteriormente num diálogo com o executivo.

No geral, o legislativo demonstrou rejeição para que o IPTU seja incluído também aos moradores dos distritos. Andreson ressaltou que a cobrança é inoportuna e que os distritos precisam de melhorias. Luciano Gomes, vereadora Cris, Ricardo Babão, Dudé, entre outros defenderam que os distritos fiquem isentos de forma permanente.





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