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:: 1/dez/2025 . 22:02

A BOLA ESTÁ QUADRADA

Resolvi escrever um pouco sobre futebol brasileiro porque é a modalidade que mais aprecio, ou apreciava, e por ter sido jogador na época de jovem. Por pouco não me profissionalizei. Ainda continuo tricolor das Laranjeiras, mais comedido, cabreiro e desconfiado.

Saudades daqueles tempos quando se via lances e dribles desconcertantes nos campos, que entortavam defesas adversárias, como Garrincha, Pelé, Didi, Tostão, Reinaldo, Jairzinho, Rivelino, Ronaldo, Dirceu, Ronaldinho Gaúcho, o bruxo, Romário e tantos outros que podiam ser chamados de craques.

Dava gosto de se ir a um estádio para assistir um verdadeiro espetáculo. Eram todos juntos com camisas de cores diferentes.  Nos últimos anos, só pernas de paus, porradas, rasteiras e chutes onde a bola vai parar no meio das torcidas. Os gols são de cabeça naqueles ajuntamentos brutais de agarra-agarras e empurrões nos escanteios e faltas fora da pequena área.

Por falar em bola, nos últimos dias a vejo quadrada como os negativistas da terra plana. Pode ser ilusão de ótica ou problema de vista. Para mim, não é mais redonda como antes que rolava serena nos gramados, sem ser maltratada. Ela até agradecia o trato carinhoso.

Perdi a conta do tempo sem mais aquele craque brasileiro que era ovacionado quando pegava na bola e até decidia partidas perdidas e virava o placar. A equipe confiava nele e jogava com amor à camisa que vestia. Demorava anos no clube do coração.

Hoje são todos medianos que usam mais a força física, simulam faltas e rolam nos campos, no cai-cai. Lembram do Neymar, o último moicano com seu futebol empolgante, mas preferiu as farras e agora está com as pernas podres.

No futebol de hoje, ganha mais campeonatos quem tem mais dinheiro. Forma o melhor elenco quem possui mais grana no caixa, e o técnico sempre sobressai como o melhor. Assim é fácil ser treinador. As únicas coisas que ainda continuam são as roubalheiras dos cartolas. Perdeu-se a graça, mas os torcedores vão às raias da loucura. Ficam hipnotizados! São suas válvulas de escape para descarregar suas raivas.

Muitos clubes foram vendidos para empresários e empresas do exterior. Acabou-se a brasilidade, o sentido de pertencimento. Quando um menino da base se destaca um pouco dos outros, é logo vendido para Europa e aqui ficamos com os “vira-latas”.

Nos últimos anos, todos os grandes times estão enxertados com gringos da América do Sul e até de outros países. A maioria, de jogadores de seleções estrangeiras. Os técnicos são de fora, inclusive o italiano da seleção brasileira.

Nas entrevistas de jogadores e treinadores, só se houve o espanhol e até o inglês, sem contar os portugueses de língua embolada. Lá se foi o nosso futebol alegria, mas o torcedor é bicho fanático. A maioria ainda abre a boca para dizer que seu time é sua vida.

Como bárbaros, matam uns aos outros em brigas fraticidas de garrafas e cacetes, como primitivos da Idade da Pedra.  É o vazio humano, desumano, prova da alienação nacional. Estádios lotados de histéricos gritos e alaridos, mais de gente pobre, que troca um ingresso por uma dívida, ou um alimento para a família.

A mídia esportiva, principalmente a Rede Globo, que monopoliza todos os campeonatos, vende um quadro falso de um futebol original, mas decadente. Ela se gloria que nos últimos anos os campeões das Libertadores ficaram no Brasil.

O torcedor fica eufórico e cego. Essa mídia não explica que tudo isso começou quando os times passaram a comprar mais e mais jogadores caros de fora. Vale quem tem mais “dindim”, mais bufunfa para investir.

Para comprovar isso, basta observar a última final entre o Flamengo e o Palmeiras. Que jogo feio da peste! De cada lado, cheio de gringos que dá um time. Nenhum atleta notável brasileiro. Gol de cabeça de bola cruzada pelo alto. No mais, foi chute pra lá e chute pra cá, sem contar as pernadas e pancadas, sem mais respeito ao colega.

Cadê o meu futebol da bola redonda, cheio de poesia e plasticidade que atraia multidões? Cadê a nossa seleção de craques com aquele gingado brasileiro que encantava o mundo? O gato comeu, meu amigo! Os deuses do futebol nos abandonaram.

 

 





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