{"id":9996,"date":"2024-11-09T01:49:24","date_gmt":"2024-11-09T04:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9996"},"modified":"2024-11-09T01:49:34","modified_gmt":"2024-11-09T04:49:34","slug":"uma-historia-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/11\/09\/uma-historia-do-mundo\/","title":{"rendered":"&#8220;UMA HIST\u00d3RIA DO MUNDO&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>COMO SE FORMOU A PRIMEIRA CIDADE<\/p>\n<p>COMO NASCEU O PRIMEIRO DEUS \u00daNICO<\/p>\n<p>COMO FOI INVENTADA A CULPA<\/p>\n<p>Numa linguagem pedag\u00f3gica e num tom simples metaf\u00f3rico de goza\u00e7\u00e3o que prende o leitor, sem aquele academicismo pesado, o jornalista e escritor de v\u00e1rios romances, David Coimbra come\u00e7a esta obra falando do homem de neandertal que durante cerca de dois milh\u00f5es de anos (outros apontam seis) viveu feliz em suas selvas, ca\u00e7ando, pescando e colhendo, sem pensar no futuro. Seu esquema era viver o dia de cada vez.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8512.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9997\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8512.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8512.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_8512-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Costumamos afirmar que a gente era feliz e n\u00e3o sabia quando nos referimos h\u00e1 50 ou 60 anos ainda meninos com aquelas brincadeiras tradicionais do nosso tempo onde crian\u00e7as e jovens respeitavam os mais velhos e a humanidade era mais humana, sens\u00edvel e solid\u00e1ria. Pois \u00e9, mas Coimbra nos faz entender que a felicidade total estava mesmo no neandertal solteiro de um metro e 65 cent\u00edmetros, forte e cheio de m\u00fasculos.<\/p>\n<p>Tudo era inoc\u00eancia que nem se sabia que o homem era um reprodutor. O sexo era grupal, sem culpa, e a mulher ficava na caverna esperando o ca\u00e7ador. Quando engravidava, achava que era da lua cheia ou de um mosquito qualquer que lhe picava no rio. Veio, ent\u00e3o, o sapiens sapiens, h\u00e1 120 ou 130 mil anos, e come\u00e7ou a bagun\u00e7ar tudo. Nessa passagem, a mulher domesticou o homem e criou a civiliza\u00e7\u00e3o a partir da agricultura. Ensinou tamb\u00e9m o sapiens a domesticar e a criar animais para o abate.<\/p>\n<p>Segundo Coimbra, alguns cientistas desconfiam que haja tra\u00e7os de neandertal em certas pessoas do s\u00e9culo XXI. Pode ter havido rela\u00e7\u00e3o amorosa entre um neandertal e uma sapiens sapiens. Em sua vis\u00e3o, os neandertais eram mais masculinos do que n\u00f3s. Saia em bandos de machos para ca\u00e7ar, pescar e colher, arrastar uma f\u00eamea pelos cabelos, peg\u00e1-la no colo, jog\u00e1-la no solo e fazer dela mulher. N\u00e3o arava a terra, n\u00e3o acumulava e nem constitu\u00eda fam\u00edlia. N\u00e3o meditava sobre a exist\u00eancia e n\u00e3o se angustiava ao ponto de cair em depress\u00e3o.<\/p>\n<p>As sapiens queriam era criar seus filhos e, para isso, teve que domesticar os machos. Inventaram a agricultura, tornando imposs\u00edvel o deslocamento por serras, praias e florestas. De n\u00f4mades a sedent\u00e1rios, fundaram a civiliza\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica, a economia, a gan\u00e2ncia, a ang\u00fastia e o psicanalista para curar seus tormentos.<\/p>\n<p>Hoje, o homem solteiro que bebe com os amigos, n\u00e3o reclama da solid\u00e3o e cativa outras mulheres, \u00e9 o fracasso das mulheres. Foi por isso que elas inventaram o amor rom\u00e2ntico, \u201cque deve seu prest\u00edgio \u00e0 Idade M\u00e9dia quando o cristianismo temperou o sexo com a culpa e elevou o esp\u00edrito em detrimento da carne\u201d. Esse cristianismo tornou vulgar o prazer e sublime o sentimento. O amor rom\u00e2ntico transformou-se na forma de dar sentido \u00e0 vida humana neste Vale de L\u00e1grimas.<\/p>\n<p>O neandertal n\u00e3o precisava procurar o sentido da vida, porque o sentido da vida era viver. O escritor, com leveza sarc\u00e1stica, escreve que o \u00f3cio feminino matou o neandertal. \u201cQuem inventou o trabalho n\u00e3o tinha o que fazer\u201d. Durante dois milh\u00f5es de anos de alegria e vadiagem, o homem n\u00e3o trabalhou.<\/p>\n<p>Tanto um como o outro (neandertal e sapiens) viviam para comer e se reproduzir. Freud dizia que tudo na vida \u00e9 casa, comida e sexo. L\u00e1 atr\u00e1s, o homem nem sabia que fazia filhos. Tudo piorou quando se passou a pensar no futuro h\u00e1 mais de 70 ou 100 mil anos, tempo que o neandertal e o sapiens partilhavam o planeta, ca\u00e7ando e coletando. A agricultura deve ter surgido h\u00e1 10 mil anos e dela v\u00eam a propriedade e a heran\u00e7a.<\/p>\n<p>A mulher, nas baladas loucas da caverna, ao transar com um chefe do cl\u00e3, de acordo com Coimbra, foi quem descobriu a reprodu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do sexo. Antes ela viu um casal de filhotes de animais, caso do lobo, ancestral de todos os c\u00e3es do mundo, copulando e depois parindo. Ficava na caverna cuidando dos filhos e come\u00e7ou a plantar as primeiras sementes extra\u00eddas dos frutos que o homem trazia.<\/p>\n<p>Como foi dito antes, da agricultura vieram a propriedade e a heran\u00e7a, mas como o macho poderia ter certeza que o filho era dele para ter o direito de ficar com seus bens?\u00a0 S\u00f3 a mulher tinha porque o filho saia da sua barriga.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia laborat\u00f3rio para fazer o teste de DNA. A forma segura foi obrigar a f\u00eamea a fazer sexo s\u00f3 com ele. L\u00e1 vem a monogamia, subproduto da heran\u00e7a. Os homens podiam ter v\u00e1rias mulheres, mas, com o tempo, elas n\u00e3o se submeteram a essa nova ordem. Os problemas estavam s\u00f3 come\u00e7ando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMO SE FORMOU A PRIMEIRA CIDADE COMO NASCEU O PRIMEIRO DEUS \u00daNICO COMO FOI INVENTADA A CULPA Numa linguagem pedag\u00f3gica e num tom simples metaf\u00f3rico de goza\u00e7\u00e3o que prende o leitor, sem aquele academicismo pesado, o jornalista e escritor de v\u00e1rios romances, David Coimbra come\u00e7a esta obra falando do homem de neandertal que durante cerca [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9996"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9996\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9998,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9996\/revisions\/9998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}