{"id":9968,"date":"2024-10-26T00:05:41","date_gmt":"2024-10-26T03:05:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9968"},"modified":"2024-10-26T00:05:53","modified_gmt":"2024-10-26T03:05:53","slug":"a-memoria-do-mundo-na-impressao-de-gutenberg-e-a-evolucao-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/10\/26\/a-memoria-do-mundo-na-impressao-de-gutenberg-e-a-evolucao-virtual\/","title":{"rendered":"A MEM\u00d3RIA DO MUNDO NA IMPRESS\u00c3O DE GUTENBERG E A EVOLU\u00c7\u00c3O VIRTUAL"},"content":{"rendered":"<p>Como escreveu a autora do livro \u201cEm Busca da B\u00edblia Perdida de Gutenberg\u201d, Margaret Leslie Davis, \u201ca palavra impressa mecanicamente criou a mem\u00f3ria do mundo, como alguns estudiosos explicaram, ajudando a acender o Renascimento, a Reforma Protestante e s\u00e9culos de revolu\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia, na pol\u00edtica e na ind\u00fastria\u201d.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com ela, Gutenberg e sua B\u00edblia representam a personifica\u00e7\u00e3o dos primeiros momentos em que tantas possibilidades humanas puderam ser exploradas, multiplicadas e desenvolvidas. Para o historiador John Man, a inven\u00e7\u00e3o de Gutenberg preparou o terreno de onde emergiu a hist\u00f3ria moderna, a ci\u00eancia, a literatura popular, o in\u00edcio do Estado-na\u00e7\u00e3o, muito de tudo aquilo com que definimos a modernidade.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XV, mais de 130 outras edi\u00e7\u00f5es da B\u00edblia foram impressas e distribu\u00eddas por todo mundo. Cerca de 240 cidades europeias instalaram gr\u00e1ficas, que se estima que tenham imprimido cerca de 28 mil diferentes edi\u00e7\u00f5es de in\u00fameras obras, produzindo um total de 10 milh\u00f5es de livros.<\/p>\n<p>A cidade alem\u00e3 de Mainz celebra o impressor como um revolucion\u00e1rio tecnol\u00f3gico ao organizar o evento \u201c2000: o ano de Gutenberg, marcando o 600\u00ba anivers\u00e1rio de seu nascimento\u201d, com exposi\u00e7\u00f5es em museus, apresenta\u00e7\u00f5es em multim\u00eddia, festivais e um cat\u00e1logo de 227 p\u00e1ginas: Gutenberg Man of the Millennium: from a Secret Enterprise to the\u00a0 First Media Revolution (Gutenberg, o homem do mil\u00eanio: De uma empresa secreta \u00e0 primeira revolu\u00e7\u00e3o na m\u00eddia).<\/p>\n<p>A revista Life nomeou Johannes Gutenberg impressor independente que reformulou o avan\u00e7o humano, como Homem do Mil\u00eanio, em 2000, e colocando a impress\u00e3o de suas B\u00edblias\u00a0 no topo de sua lista dos fatos mais importantes dos \u00faltimos mil anos. Gutenberg foi um misterioso g\u00eanio-her\u00f3i oprimido.<\/p>\n<p>Segundo a Life, ele idealizou o primeiro sistema de tipo m\u00f3vel ocidental que funcionou e permaneceu inalterado nos 350 anos seguintes. N\u00e3o recebeu nada de gl\u00f3ria. Sua ideia o levou \u00e0 fal\u00eancia no ano em que a B\u00edblia foi publicada, e um credor assumiu o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que Gutenberg transformou a cultura humana. O alcance do que se seguiu \u00e9 t\u00e3o vasto que parece m\u00edstico e precisa ter uma hist\u00f3ria de origem para servir de refer\u00eancia. A escritora\u00a0\u00a0 Margaret destaca que a ambi\u00e7\u00e3o de anunciar uma nova tecnologia de impress\u00e3o com uma obra de 1.200 p\u00e1ginas \u00e9 de tirar o f\u00f4lego, uma abertura para uma avalanche de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>A mais cobi\u00e7ada de todas as B\u00edblias foi a de N\u00famero 45 que por s\u00e9culos viajou pelo ocidente e foi parar no Jap\u00e3o, adquirido pelo conglomerado Maruzen num leil\u00e3o que custou U$5,4 milh\u00f5es, isso por volta de 1987, tornando-se o livro mais caro do mundo.<\/p>\n<p>Um jornal importante japon\u00eas aplaudiu a aquisi\u00e7\u00e3o da obra de tipos m\u00f3veis mais antigo da hist\u00f3ria, mas sem mencionar a impress\u00e3o na \u00c1sia antes de Gutenberg. Em 770, a imperatriz do Jap\u00e3o, Sh\u00f4toku marcou o fim de uma guerra civil com a impress\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de pequenos pergaminhos com preces budistas.<\/p>\n<p>O tipo m\u00f3vel foi uma inven\u00e7\u00e3o chinesa do s\u00e9culo XI, aprimorada na Cor\u00e9ia, em 1230, antes de encontrar as condi\u00e7\u00f5es que permitiriam sua evolu\u00e7\u00e3o na Europa, durante a \u00e9poca de Gutenberg, por volta de 1450\/56.<\/p>\n<p>Em 1996, a empresa Maruzen transferiu o livro 45 para a Universidade de Keio, uma das institui\u00e7\u00f5es privadas mais bem conceituada da \u00c1sia, fundada pelo modernista Yukichi Fukuzawa, o primeiro japon\u00eas a ter visto uma B\u00edblia de Gutenberg, na Biblioteca Imperial, em S\u00e3o Petersburgo, em 1862.<\/p>\n<p>O professor da Kio, Toshiyuki Takamiya, maior autoridade em manuscritos medievais, foi o primeiro a estimular a passagem da impress\u00e3o de Gutenberg para o mundo virtual no s\u00e9culo XXI. Ele liderou o projeto HUMI (humanities Media Interface) para digitalizar o acervo da Universidade Keio.<\/p>\n<p>O projeto selecionou o N\u00famero 45, com seu tema inaugural, a primeira B\u00edblia de Gutenberg que navegou pela internet. O trabalho meticuloso produziu uma revolu\u00e7\u00e3o digital. O n\u00famero 45 foi ao ar pela internet em janeiro de 1998 e, pela primeira vez, os expectadores puderam ver as p\u00e1ginas de uma B\u00edblia de Gutenberg em suas telas. Esse projeto foi revolucion\u00e1rio no final dos anos 1990.<\/p>\n<p>Depois de conclu\u00eddo seu intento, o professor Takamiya fez seu pronunciamento de que livros raros digitalizados, incluindo a B\u00edblia de Gutenberg, nunca se tornar\u00e3o rel\u00edquias esquecidas da sabedoria ancestral. Eles ganhar\u00e3o vida toda vez que algu\u00e9m tiver acesso a eles.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2001, o especialista em impress\u00f5es de Gutenberg Paul Needham e Blaise Aguera, um jovem matem\u00e1tico computacional, anunciaram uma nova teoria descritiva sobre como Gutenberg criou seu tipo. Diziam que o impressor havia usado um processo de montagem refinada, evoluindo um sistema de \u201cmatriz de pun\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Explicaram que letras individuais teriam sido esculpidas em pontas de hastes de a\u00e7o e perfuradas em folhas de cobre para criar moldes resistentes (matriz) que poderiam ser preenchidos com uma liga de chumbo para criar um tipo de pe\u00e7a. Uma pun\u00e7\u00e3o pode ter sido usada para criar v\u00e1rios moldes, dos quais poderiam sair uma quantidade infinita de letras id\u00eanticas.<\/p>\n<p>Um artes\u00e3o habilidoso levaria um dia para esculpir uma letra em a\u00e7o, ent\u00e3o o processo seria mais econ\u00f4mico se uma pequena cole\u00e7\u00e3o de pun\u00e7\u00f5es fosse usada de forma repetida. Os estudiosos perceberam tantas diferen\u00e7as que estimaram haver 204 pun\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>O especialista Needham observou que esse tipo de sistema complexo, denominado de tipografia cuneiforme, era conhecido por ser usado por artes\u00f5es europeus no in\u00edcio do s\u00e9culo XV, incluindo os ourives. Os moldes de metal atribu\u00eddos por Gutenberg podem ter sido inventados por outra pessoa, talvez duas d\u00e9cadas depois de Gutenberg come\u00e7ar a imprimir as B\u00edblias.<\/p>\n<p>Aguera y Arcas, que mais tarde chefiou o grupo pioneiro de intelig\u00eancia artificial no Google, afirmou que as descobertas mostram que o desenvolvimento da impress\u00e3o avan\u00e7ou em v\u00e1rias pequenas etapas ao inv\u00e9s de grandes saltos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como escreveu a autora do livro \u201cEm Busca da B\u00edblia Perdida de Gutenberg\u201d, Margaret Leslie Davis, \u201ca palavra impressa mecanicamente criou a mem\u00f3ria do mundo, como alguns estudiosos explicaram, ajudando a acender o Renascimento, a Reforma Protestante e s\u00e9culos de revolu\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia, na pol\u00edtica e na ind\u00fastria\u201d. Ainda de acordo com ela, Gutenberg e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9968"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9968"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9968\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9969,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9968\/revisions\/9969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}