{"id":9879,"date":"2024-09-26T22:27:35","date_gmt":"2024-09-27T01:27:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9879"},"modified":"2024-09-26T22:27:44","modified_gmt":"2024-09-27T01:27:44","slug":"nos-jardins-da-minha-existencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/09\/26\/nos-jardins-da-minha-existencia\/","title":{"rendered":"NOS JARDINS DA MINHA EXIST\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Havia dois le\u00f5es de m\u00e1rmore, em tamanho natural, na entrada principal do Passeio P\u00fablico de Salvador. Me botaram sentado num le\u00e3o desses e tiraram uma foto. Eu devia ter uns 6 pra 7 anos. Mais tarde, um le\u00e3o sumiu; depois o outro fugiu com o dono. Nunca mais vi aquela foto.<\/p>\n<p>No Passeio P\u00fablico havia uns bancos pr\u00f3prios para transar. Perto do Teatro Vila Velha havia uns caminhos em S feitos de f\u00edcus, altos, que terminavam em um banco. Um casal ali dentro, principalmente \u00e0 noite,, ficava quase que completamente \u00e0 vontade. Quando chegava outro casal, pegava o sinuoso caminho e logo voltava ao ver o banco ocupado. Eram uns quatro bancos desses, sempre bem escondidos pelas folhagens.<\/p>\n<p>Ainda no Passeio P\u00fablico tinha uma pracinha redonda, com ch\u00e3o de areia fofa, onde ficavam 3 ou quatro balan\u00e7os, que depois se acabaram ficando somente as estruturas de ferro. Ali a gente jogava um \u201cbaba\u201d. O ferro ajudava a driblar, mas tamb\u00e9m era uma porrada certeira na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>O Jardim Suspenso, defronte ao Passeio P\u00fablico, tamb\u00e9m era bom pra namorar, acho que at\u00e9 hoje. Dali era um pulo para o Campo Grande, onde a gente ia logo jogando pedras no bambuzal &#8211; que existe at\u00e9 hoje, perto do antigo Hotel da Bahia \u2013 para ouvi-las ricochetear entre os bambus. PAM-PAM-PAM, a pedra batia umas 3 a 4 vezes.<\/p>\n<p>O Campo Grande pegava fogo era na semana do 2 de Julho, data da Independ\u00eancia do Brasil na Bahia em 1823 (?). A banda tocando, a pipoca pulando e a paquera comendo solta. L\u00e1 em cima o Caboclo e a Cabocla davam um sorriso de felicidade e aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma vez, arranjei uma namorada que morava na Sa\u00fade. Fomos namorar \u00e0 noite atr\u00e1s da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato (?) que fica no Jardim de Nazar\u00e9. Quando a gente estava no bembom, vi uma forte luz sobre n\u00f3s e outros casais. Era um PM, de dentro da viatura, com uma potente lanterna e mandando todo mundo sair. Um leg\u00edtimo empata foda.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei mais se vi ou me contaram, s\u00f3 sei que a hist\u00f3ria \u00e9 muito boa. Havia um busto de Rui Barbosa na pra\u00e7a do mesmo nome (n\u00e3o lembro se em Ipia\u00fa ou Jequi\u00e9, na Bahia). A galera descobriu que a cabe\u00e7a do \u201c\u00c1guia de Haia\u201d, sa\u00eda facilmente do pesco\u00e7o (?), era s\u00f3 desatarraxar (?). E a cabe\u00e7a de Rui, feita de um material leve, n\u00e3o dava para chutar em gol, mas rolava durante a brincadeira de \u201cbobinho\u201d. Finda a quase peleja, a cabe\u00e7a de Rui era devolvida ao seu pesco\u00e7o, no pedestal.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Havia dois le\u00f5es de m\u00e1rmore, em tamanho natural, na entrada principal do Passeio P\u00fablico de Salvador. Me botaram sentado num le\u00e3o desses e tiraram uma foto. Eu devia ter uns 6 pra 7 anos. Mais tarde, um le\u00e3o sumiu; depois o outro fugiu com o dono. Nunca mais vi aquela foto. 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