{"id":9856,"date":"2024-09-16T23:19:18","date_gmt":"2024-09-17T02:19:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9856"},"modified":"2024-09-16T23:19:26","modified_gmt":"2024-09-17T02:19:26","slug":"o-homem-da-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/09\/16\/o-homem-da-bicicleta\/","title":{"rendered":"O HOMEM DA BICICLETA"},"content":{"rendered":"<p>Os mais antigos, principalmente do interior, quando nem se pensava que um dia iam inventar a internet e as redes sociais, lembram muito bem das brincadeiras de moleque, e como era tudo divertido. Quem n\u00e3o se recorda da chegada do circo e do palha\u00e7o perna de pau que a meninada acompanhava e depois recebia um carimbo no bra\u00e7o com direito a ir ao espet\u00e1culo \u00e0 noite? N\u00e3o dava para tomar banho sen\u00e3o tirava a marca.<\/p>\n<p>Hoje, veio-me \u00e0 mente o homem da bicicleta que rodava as cidades e ficava 24 horas pedalando na magricela (n\u00e3o era bem equipada como atualmente) em redor da pra\u00e7a principal. Esse resistente ciclista passou pela cidadezinha de Piritiba, na regi\u00e3o de Mundo Novo e Miguel Calmon, onde cursei meu prim\u00e1rio no Col\u00e9gio Almirante Barroso.<\/p>\n<p>Fiquei t\u00e3o encantado com aquela proeza que no dia \u201cmatei\u201d algumas aulas e a banca de estudos para ver o homem da bicicleta e terminei entrando pela madrugada. N\u00e3o sei bem se eram mesmo 24 horas de show do mo\u00e7o que pedalava de forma cadenciada durante todo aquele tempo.<\/p>\n<p>O que me chamava mais aten\u00e7\u00e3o era como ele conseguia fazer tudo aquilo sem se alimentar e ir ao sanit\u00e1rio, mas depois me disseram que o cara fazia uma paradinha de uns cinco minutos para se hidratar e retornar ao batente.<\/p>\n<p>Isso foi no final dos anos 50 para o in\u00edcio dos 60 e tudo indicava que era uma apresenta\u00e7\u00e3o patrocinada por alguma f\u00e1brica visando incentivar e uso da bicicleta. Pouca gente tinha uma. Tudo era feito no jumento. Diziam tamb\u00e9m que a Prefeitura Municipal entrava com alguma ajuda ou apoio. Muita gente ficava em torno da pra\u00e7a, especialmente a molecada, para apreciar o feito in\u00e9dito do homem da bicicleta.<\/p>\n<p>A vida naquele tempo no interior era s\u00f3 alegria e divers\u00e3o. N\u00e3o ouvia se falar em ladr\u00e3o \u2013 aparecia algum de galinha, frutas e mantimentos nas ro\u00e7as &#8211; e a cadeia passava o maior parte do tempo vazia. Coisa rara um assassinato. A cidade tinha no m\u00e1ximo dois soldados e um delegado chamado cal\u00e7a-curta que tinham pouco trabalho, a n\u00e3o ser apaziguar algumas brigas de vizinhos que eram logo resolvidas. As pessoas podiam dormir de portas abertas.<\/p>\n<p>Meus pais viviam na ro\u00e7a para cuidar das lavouras e eu morava na casa de um casal de amigos. Meu pai pagava as despesas para eu estudar na escola municipal atrav\u00e9s de um pouco de dinheiro e outra parte com farinha, feij\u00e3o e milho. Para ter alguns trocados para comprar bolas de gude e revistas de gibis era agueiro, maleiro na esta\u00e7\u00e3o de trem e vendia lenha nas casas (n\u00e3o havia fog\u00e3o el\u00e9trico).<\/p>\n<p>Fora o homem da bicicleta, nunca deixei de esquecer do circo e dos pequenos parques, com o sistema de autofalante, que passava aquelas m\u00fasicas saudosas oferecidas aos namorados. A m\u00fasica mais pedida era \u201cDiana\u201d (n\u00e3o sei se esses era o t\u00edtulo), bem rom\u00e2ntica. Jo\u00e3o oferece essa m\u00fasica para Maria, com muito amor e carinho. Bons tempos aqueles que n\u00e3o voltam mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mais antigos, principalmente do interior, quando nem se pensava que um dia iam inventar a internet e as redes sociais, lembram muito bem das brincadeiras de moleque, e como era tudo divertido. 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