{"id":982,"date":"2015-06-16T23:40:38","date_gmt":"2015-06-17T02:40:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=982"},"modified":"2015-06-16T23:40:44","modified_gmt":"2015-06-17T02:40:44","slug":"quanta-judiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/06\/16\/quanta-judiacao\/","title":{"rendered":"QUANTA JUDIA\u00c7\u00c3O!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/S\u00c3O-JO\u00c3O-E-LIVRO-022-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-983\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/S\u00c3O-JO\u00c3O-E-LIVRO-022-C\u00f3pia.jpg\" alt=\"S\u00c3O JO\u00c3O E LIVRO 022 - C\u00f3pia\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/S\u00c3O-JO\u00c3O-E-LIVRO-022-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/S\u00c3O-JO\u00c3O-E-LIVRO-022-C\u00f3pia-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Parodiando Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira no cl\u00e1ssico de \u201cAsa Branca\u201d, oh quanta judia\u00e7\u00e3o ver o forr\u00f3 das festas juninas de S\u00e3o Jo\u00e3o misturadas com m\u00fasicas de bandas de p\u00e9ssimo gosto tocando ritmos de ax\u00e9, lambada, arrocha, pagode e sertanejo, sem falar na desconstru\u00e7\u00e3o e na descaracteriza\u00e7\u00e3o das vestimentas, das dan\u00e7as, dos rituais herdados dos antepassados, das comidas e das bebidas!<\/p>\n<p>\u201cQuando olhei a terra ardendo qual fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o, eu perguntei a Deus do C\u00e9u porque tamanha judia\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo a Asa Branca bateu asas do sert\u00e3o. Por falta d\u00b4\u00e1gua perdi meu gado e meu alaz\u00e3o. Numa triste solid\u00e3o, espero a chuva cair de novo para voltar pra meu sert\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Claro que eles est\u00e3o falando da seca terr\u00edvel que castiga o Nordeste, mas me refiro a outra seca que \u00e9 o desaparecimento gradual da cultura tradicional da festa trazida pelos colonizadores ib\u00e9ricos e nascida do solst\u00edcio dos pa\u00edses do norte que festejavam a chegada do ver\u00e3o e celebravam a fartura e a fertiliza\u00e7\u00e3o. Considerado como festejo pag\u00e3o, a Igreja Cat\u00f3lica cuidou de introduzir seus santos no m\u00eas do deus Juno da Roma Antiga. Santo Ant\u00f4nio, o casamenteiro, S\u00e3o Jo\u00e3o na alegria da fogueira e S\u00e3o Pedro das vi\u00favas e vi\u00favos.<\/p>\n<p>Bem, o que nos interessa mesmo \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica que a festa popular vem sofrendo ao longo dos anos atrav\u00e9s de oportunistas de plant\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam nenhum compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o da cultura que, inicialmente, come\u00e7ou no meio rural e depois invadiu as cidades a partir dos seus bairros. O homem do campo quando foi para as grandes cidades, fugindo das pen\u00farias do tempo, levou em sua bagagem, ou no seu alforje, essa tradi\u00e7\u00e3o milenar que foi se deteriorando.<\/p>\n<p>Nos tempos do Brasil rural as festas eram realizadas nas fazendas, nos s\u00edtios e nas ch\u00e1caras, acompanhadas do licor, do amendoim, dos produtos derivados da mandioca e do milho, dos fogos vindos da China, das quadrilhas trazidas das cortes francesas e, claro, do forr\u00f3 genu\u00edno da sanfona, da zabumba e do tri\u00e2ngulo tocados por cantadores da terra, da\u00ed o nome de \u201cp\u00e9-de-serra\u201d.<\/p>\n<p><!--more--> No Brasil urbano, o S\u00e3o Jo\u00e3o passou a ser festejado nos quintais dos bairros das cidades entre os vizinhos. Ganhou depois um local fixo nos centros urbanos atrav\u00e9s da pol\u00edtica que, com a divulga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, se apropriou do evento popular para fazer plataformas eleitoreiras.<\/p>\n<p>A cultura trazida pelos colonizadores se enraizou no Nordeste e, com o tempo, tomou propor\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas e mercadol\u00f3gicas, sofrendo influ\u00eancias de ritmos e costumes diversos. Para uns, isso \u00e9 bom e natural em decorr\u00eancia da pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e do progresso desenvolvimentista, mas as mudan\u00e7as e as misturas de linguagens art\u00edsticas fora de tons tiraram o brilho e enfearam a festa.<\/p>\n<p>Vamos ao que nos importa nos dias atuais quando prefeitos contratam, com o dinheiro do contribuinte, bandas de pagode, de sertanejo, arrocha e ax\u00e9 para cantarem na pra\u00e7a e justificam que \u00e9 isso que o povo quer. Ele perguntou, por acaso, se o povo quer mesmo essas porcarias que roubam o lugar dos forrozeiros aut\u00eanticos?<\/p>\n<p>O pior ainda \u00e9 quando muitos desses contratos s\u00e3o superfaturados a peso de ouro. Na situa\u00e7\u00e3o atual de crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica, o crime n\u00e3o \u00e9 fazer a festa popular que \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o, mas colocar shows espetaculosos de bundas e rebolados nos palcos que nada t\u00eam a ver com o nosso S\u00e3o Jo\u00e3o. Isso deveria ser crime de improbidade administrativa pass\u00edvel de condena\u00e7\u00e3o do executivo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Todo per\u00edodo junino aparecem reis, rainhas e pr\u00edncipes do ax\u00e9, do arrocha e do sertanejo como representantes dos forrozeiros dizendo que sempre apreciaram o ritmo nordestino desde criancinhas. \u00c9 de doer! Fazem at\u00e9 samba forr\u00f3! N\u00e3o sou a favor de cotas, mas os aut\u00eanticos forrozeiros t\u00eam at\u00e9 raz\u00e3o quando v\u00e3o \u00e0 Assembleia Legislativa pedir uma reserva nesse mercado. Oh quanta judia\u00e7\u00e3o com o nosso S\u00e3o Jo\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Parodiando Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira no cl\u00e1ssico de \u201cAsa Branca\u201d, oh quanta judia\u00e7\u00e3o ver o forr\u00f3 das festas juninas de S\u00e3o Jo\u00e3o misturadas com m\u00fasicas de bandas de p\u00e9ssimo gosto tocando ritmos de ax\u00e9, lambada, arrocha, pagode e sertanejo, sem falar na desconstru\u00e7\u00e3o e na descaracteriza\u00e7\u00e3o das vestimentas, das dan\u00e7as, dos rituais herdados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=982"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":984,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/982\/revisions\/984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}