{"id":9735,"date":"2024-08-01T23:28:18","date_gmt":"2024-08-02T02:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9735"},"modified":"2024-08-01T23:28:25","modified_gmt":"2024-08-02T02:28:25","slug":"psiquiatria-a-cura-pelo-candomble-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/08\/01\/psiquiatria-a-cura-pelo-candomble-2\/","title":{"rendered":"PSIQUIATRIA: A CURA PELO CANDOMBL\u00c9 (2)"},"content":{"rendered":"<p>Outro olhar sobre a dor da alma<\/p>\n<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>O site da Academia de Medicina da Bahia (<a href=\"http:\/\/academiademedicina-ba.org.br\/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR3_Ub_j1bqE7eOpg27WUeaXyh31EYprRUJflxFAJOpRm7yHc6le7oY5LR8_aem_xlEKwzFr3Y7OCgFHpZY4Cw\">academiademedicina-ba.org.br<\/a>) traz o perfil do psiquiatra \u00c1lvaro Rubim de Pinho, membro titular da entidade, onde se l\u00ea: \u201cCom a autoridade de Professor Titular, Rubim de Pinho enfrentou cr\u00edticas, mas fomentou uma criativa linha de pesquisa, a da Psiquiatria Transcultural (&#8230;) Dessa linha resultaram os trabalhos criteriosos e, com observa\u00e7\u00e3o participante sobre o candombl\u00e9, a organiza\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre simp\u00f3sio de 1968, que divulgou uma d\u00e9cada de estudos sobre o banzo, o calundu, a caruara, o quebranto, entre outros, ampliando e difundindo as ideias de uma psiquiatria que levasse em conta as cren\u00e7as, crendices e o imagin\u00e1rio popular\u201d.<\/p>\n<p>Publico hoje a segunda parte da mat\u00e9ria \u201cPsiquiatria: a cura pelo candombl\u00e9\u201d, da minha autoria, publicada na revista \u201cManchete\u201d n\u00famero 1.250, de 7 de mar\u00e7o de 1976:<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e3e-de-santo Olga de Alaketu conta ainda que j\u00e1 tratou de um soldado e de um farmac\u00eautico que haviam ficado \u201cfuriosos\u201d. Deram muito trabalho, foi necess\u00e1rio muita paci\u00eancia, mas no fim valeu a pena.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, uma equipe de psiquiatras do Hospital dos Servidores, de S\u00e3o Paulo, reuniu-se em Salvador com Olga de Alaketu para analisar melhor os fen\u00f4menos que ocorrem no terreiro de candombl\u00e9 durante o tratamento das doen\u00e7as mentais.<\/p>\n<p>Um dos mais respeitados especialistas do candombl\u00e9, o etn\u00f3grafo Waldeloir Rego, diretor do Departamento de Folclore da Prefeitura de Salvador, explica que os sintomas de doen\u00e7as mentais nem sempre s\u00e3o muito n\u00edtidos. \u201cQuando se trata realmente de doen\u00e7a mental, a m\u00e3e-de-santo acaba sempre encaminhando a v\u00edtima ao psiquiatra. Mas quando se trata de um \u201cproblema de santo\u201d, que s\u00f3 pode ser resolvido com trabalhos especiais, ou mesmo com uma inicia\u00e7\u00e3o completa no culto, em geral a m\u00e3e-de-santo guarda o paciente at\u00e9 a cura total\u201d.<\/p>\n<p>E Waldeloir continua: \u201cO que muitas vezes para o m\u00e9dico parece uma doen\u00e7a, nem sempre \u00e9 doen\u00e7a para o candombl\u00e9; \u00e9 apenas a manifesta\u00e7\u00e3o de um desejo de uma entidade (orix\u00e1) que domina o indiv\u00edduo. Neste caso, s\u00f3 as pessoas dotadas de poderes paranormais do tipo de m\u00e3e-de-santo podem efetuar a cura.\u201d<\/p>\n<p>Os psiquiatras que estudam esses chamados mist\u00e9rios aceitam as explica\u00e7\u00f5es dos iniciados, mas procuram dar-lhes uma formula\u00e7\u00e3o mais racional. Muitos deles s\u00e3o verdadeiros estudiosos dos mist\u00e9rios do candombl\u00e9, como \u00e9 o caso de \u00c1lvaro Rubim de Pinho, que, al\u00e9m de psiquiatra respeitado, \u00e9 tamb\u00e9m Og\u00e3 (ministro) do terreiro do Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1. Tem Oxal\u00e1 como seu Orix\u00e1 de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>A teoria admite que v\u00e1rias causas podem romper o ponto de equil\u00edbrio ideal que permite o funcionamento normal na vida mental no homem. A raiz das liga\u00e7\u00f5es entre o corpo e o esp\u00edrito ainda \u00e9 bastante mal conhecida. Muitas vezes uma raz\u00e3o f\u00edsica, org\u00e2nica, bloqueia um centro respons\u00e1vel por um funcionamento mental. Outras vezes, s\u00e3o pr\u00f3prias raz\u00f5es de ordem ps\u00edquica, uma obsess\u00e3o, um traumatismo, uma carga emocional mais forte, que provocam a desordem geral, afetando tanto o f\u00edsico como o mental.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico Rubim de Pinho, o recurso \u00e0s drogas representa muitas vezes uma pura confiss\u00e3o de ignor\u00e2ncia, agravando sensivelmente o estado do paciente. A eventual cura depende exclusivamente da descoberta da causa do dist\u00farbio.<\/p>\n<p>Como o candombl\u00e9, o espiritismo ou outros tipos de pr\u00e1ticas religiosas se situam exatamente no n\u00edvel do afetivo-mental, a manipula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as ainda mal conhecidas, como esses dons parapsicol\u00f3gicos irrefut\u00e1veis das m\u00e3es-de-santo, pode desencadear a atividade e certos poderes capazes de fazer desaparecer os dist\u00farbios. A explica\u00e7\u00e3o do recurso \u00e0s entidades superiores pode ser, cientificamente, apenas uma mera formula\u00e7\u00e3o. Na realidade, trata-se de for\u00e7as ainda mal conhecidas que a raz\u00e3o de forma alguma tem o direito de rejeitar sumariamente. No fundo, as explica\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise cl\u00e1ssica s\u00e3o aparentemente t\u00e3o irracionais quanto as da m\u00e3e-de-santo. Querer explicar certos comportamentos obsessionais dizendo que o paciente somatiza demais seus recalques, equivale, em \u00faltima an\u00e1lise, a aceitar as quizumbas de Exu na mente da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Quando Olga de Alaketu conseguiu \u201ctirar o esp\u00edrito\u201d do corpo do soldado furioso, ao final de muita conversa e de muita paci\u00eancia, ela dever\u00e1 ter chegado \u00e0 dimens\u00e3o mais profunda da mente da v\u00edtima, onde a causa do dist\u00farbio se entregou a ela com clareza e simplicidade.<\/p>\n<p>(Continua no pr\u00f3ximo domingo)<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em <a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fleiamaisba.com.br%2F%3Ffbclid%3DIwZXh0bgNhZW0CMTAAAR0Cgf0HQT7UU8WYophHyo7OYZqEE7OhPQZ_TvCejQWmyNf-68fH6pLRVp4_aem_82kQpbguAZkTYU2UPpfmPg&amp;h=AT078DWLh3qBMZxKLUperFuXOZNPDbV-c2kdPwog_QbFaRsKMBmJNjiB8Xlhsm2QdPR5vl16CYnkFJzfFpNDkGHoDPXl8-yTecM13o6dZtZEnDDj2BJK256KL4ggiXW2jaRqu-NA9xjaDM5wb8Wu&amp;__tn__=-UK-R&amp;c%5b0%5d=AT0daSTsZw3Lxi3pPTTdiewXIMg8T5bGdvg1yIbURQMUeRV8-40CO4Yf3mJhdnS7hsgCx-uwg2VSFhGki1Qg5TW241EOe3pKOvTZ2kD4OL0jPX6PqAXFDudgWL1U6SpRPt_KiO4Rp_1nh78U5gM863zJRQ\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro olhar sobre a dor da alma (Chico Ribeiro Neto) O site da Academia de Medicina da Bahia (academiademedicina-ba.org.br) traz o perfil do psiquiatra \u00c1lvaro Rubim de Pinho, membro titular da entidade, onde se l\u00ea: \u201cCom a autoridade de Professor Titular, Rubim de Pinho enfrentou cr\u00edticas, mas fomentou uma criativa linha de pesquisa, a da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9735"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9735"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9736,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9735\/revisions\/9736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}