{"id":9711,"date":"2024-07-25T23:16:18","date_gmt":"2024-07-26T02:16:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9711"},"modified":"2024-07-25T23:16:25","modified_gmt":"2024-07-26T02:16:25","slug":"psiquiatria-a-cura-pelo-candomble-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/07\/25\/psiquiatria-a-cura-pelo-candomble-1\/","title":{"rendered":"PSIQUIATRIA: A CURA PELO CANDOMBL\u00c9 (1)"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o t\u00edtulo da mat\u00e9ria que fiz para a revista \u201cManchete\u201d, publicada em 07\/03\/1976, n\u00famero 1.250, com fotos de Artur Ikissima e do arquivo da revista. Aqui, o m\u00e9dico \u00c1lvaro Rubim de Pinho, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria e professor titular de psiquiatria na Universidade Federal da Bahia, afirma: \u201cDe um modo geral, o m\u00e9dico apresenta uma tend\u00eancia para supervalorizar o car\u00e1ter de onipot\u00eancia e infalibilidade de sua profiss\u00e3o, quando na realidade deveria ficar mais aberto, sobretudo no caso de desequil\u00edbrios que afetam a mente, para poder avaliar com exatid\u00e3o a influ\u00eancia real dos recursos religiosos\u201d.<\/p>\n<p>Diante da atualidade do tema, reproduzo essa mat\u00e9ria, cuja primeira parte est\u00e1 postada hoje:<\/p>\n<p>\u201cEm todas as regi\u00f5es do Brasil, os terreiros de candombl\u00e9, os centros esp\u00edritas ou mesmo algumas tendas de caboclos sempre receberam com frequ\u00eancia a visita de pacientes atacados das faculdades mentais. At\u00e9 pouco tempo, as fam\u00edlias um pouco mais abastadas que levavam seus doentes hospitalizados em cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas aos pais-de-santo, nos dias de folga, procuravam esconder esta apela\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos e dos amigos. Na realidade, todos os iniciados tinham pleno conhecimento dessas pr\u00e1ticas. Mas todo mundo concordava em manter os fatos em segredo.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 10 anos, o m\u00e9dico baiano \u00c1lvaro Rubim de Pinho, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria e professor titular de psiquiatria na Universidade Federal da Bahia, decidiu romper a cumplicidade do sil\u00eancio e tornar p\u00fablicas tais pr\u00e1ticas. Rubim de Pinho se recusa a aceitar a qualifica\u00e7\u00e3o de pioneiro no assunto. Explica que, antes dele, tr\u00eas grandes figuras j\u00e1 se haviam interessado de perto por estes estudos: Nina Rodrigues, Artur Ramos e Est\u00e1cio de Lima. As pesquisas de Rubim de Pinho t\u00eam sido apresentadas em congressos m\u00e9dicos de n\u00edvel internacional, e, apesar da hostilidade inicial de alguns psiquiatras da escola ultra-racional, a pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade j\u00e1 tomou consci\u00eancia da \u201cutilidade social de certos tipos de curandeiros no tratamento das doen\u00e7as mentais\u201d.<\/p>\n<p>Rubim de Pinho parte dos fatos concretos: no Brasil, quando um indiv\u00edduo acusa um desequil\u00edbrio mental grave, \u00e9 muito mais comum do que se poderia pensar o recurso a uma estranha simultaneidade de terapias. A fam\u00edlia confia o doente ao psiquiatra, mas, ao mesmo tempo, procura consultar o m\u00e9dium esp\u00edrita mais famoso ou uma m\u00e3e-de-santo conhecida.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico, segundo Rubim de Pinho, n\u00e3o pode desconhecer essa psiquiatria folcl\u00f3rica. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio distinguir, no quadro cl\u00ednico, o que \u00e9 patog\u00eanico daquilo que \u00e9 patopl\u00e1stico, sabendo compreender, nesse conjunto, os elementos espirituais valorizados pelas seitas.\u201d<\/p>\n<p>De um modo geral, afirma o professor, o m\u00e9dico apresenta uma tend\u00eancia para supervalorizar o car\u00e1ter de onipot\u00eancia e infalibilidade de sua profiss\u00e3o, quando na realidade deveria ficar mais aberto, sobretudo no caso de desequil\u00edbrios que afetam a mente, para poder avaliar com exatid\u00e3o a influ\u00eancia real dos recursos religiosos.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante conhecer a opini\u00e3o das m\u00e3es-de-santo a respeito do assunto. Olga de Alaketu, senhora de um dos terreiros de candombl\u00e9 mais c\u00e9lebres da Bahia, coloca o problema em termos bastante simples, mas que, no fundo, apresentam grande interesse para um estudo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>\u201cQuando o problema \u00e9 puramente nervoso\u201d, diz ela, \u201ca\u00ed s\u00f3 o m\u00e9dico pode resolver. Mas quando se trata de neg\u00f3cio de esp\u00edrito, isto \u00e9, de entidades perturbadoras que penetram na vida do indiv\u00edduo, a\u00ed n\u00e3o existe m\u00e9dico no mundo que d\u00ea jeito. Aquele nervoso aparente n\u00e3o \u00e9 nervoso; \u00e9 coisa espiritual que s\u00f3 se resolve no terreiro\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e3e Olga revela que j\u00e1 curou dezenas de casos de doen\u00e7as do esp\u00edrito. \u201cEm primeiro lugar, quando a pessoa chega \u00e0s minhas m\u00e3os, vou trabalhar para procurar sentir aquilo de que ela est\u00e1 mais precisando. Trato o doente com muito carinho e, se for o caso, at\u00e9 guardo a pessoa em minha casa o tempo necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Olga explica que, durante as sess\u00f5es de tratamento, fica observando os momentos de \u201cvolta da consci\u00eancia\u201d, para poder fazer com que o paciente recobre o mais poss\u00edvel essa consci\u00eancia \u201csem agita\u00e7\u00e3o e sem aperreio\u201d.<\/p>\n<p>Ela acaba sempre descobrindo qual \u00e9 a entidade sobrenatural (esp\u00edrito) que est\u00e1 perturbando o indiv\u00edduo. Nesta fase, \u00e0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio recorrer a um eb\u00f3, isto \u00e9, trabalho de despacho que comporta sacrif\u00edcio de aves, oferenda de farofa de azeite de dend\u00ea, charutos, pipocas e velas, colocados em certos locais especialmente indicados para o ritual, sobretudo as encruzilhadas.<\/p>\n<p>Olga de Alaketu cita um exemplo recente: \u201cH\u00e1 algum tempo chegou a minha casa uma mo\u00e7a de 17 anos atacada de histeria. Na casa dela, dava ataques frequentes, durante os quais ficava dura e se urinava todinha. Ela chegou no terreiro levada pelo psiquiatra, acompanhada de seu pai e de um tio. Ficou sendo tratada ao mesmo tempo pelo psiquiatra e por mim. O m\u00e9dico curou de um lado e eu, do outro, amansei a entidade. Esta mo\u00e7a hoje vive tranquila em sua casa, nunca mais teve ataques e j\u00e1 retomou at\u00e9 os estudos\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/PSIQUIATRIA-PELO-CANDOMBLE.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9712\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/PSIQUIATRIA-PELO-CANDOMBLE.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/PSIQUIATRIA-PELO-CANDOMBLE.jpg 450w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/PSIQUIATRIA-PELO-CANDOMBLE-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em <a href=\"https:\/\/l.facebook.com\/l.php?u=http%3A%2F%2Fleiamaisba.com.br%2F%3Ffbclid%3DIwZXh0bgNhZW0CMTAAAR03ig3nhxQEz7zPECFfKgS3MkBYTDYmnTeIAclj9QrTAEmUaRp-75ap-Gc_aem_HofMD-6UPO2q58znVQYXuw&amp;h=AT2ZNWS42pcuo8S3U_51XwBFuUEiqdtlp5CeIUBH0olXEQWEHHsTy3xCvfsSeGiDOhVwwrJ6SweQUMq7a8o9lvX09HGt1eTbL5vSctiTt4w9ltDk3f_vATzIAb4lyyB_ZDZFL5uIrgBpTRGD_RQq&amp;__tn__=-UK-R&amp;c%5b0%5d=AT2tawh5UKJ9I7InFXRf-tqODPSH9HqXHeaY3SzulE01telwkKyDRxiCOqTyRincFEK6qDOdTDYLYla4lYapa18GyJx9WFRVOmdSyLZ8rOZDJVvek-Cbwzgm1zLaYLHvaMtU-BllxalikQ8GKlImVAl31Q\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=2940576399413557&amp;set=a.1203086339829247&amp;__cft__%5b0%5d=AZWQO5-0o_iVOLBUb2uzIwlKddJyCaHOt5w_LKy8I4eawUwrsRyaJlyXkofdz_0KoONq53IcLVUGbuwWQtCELxyOlxN3x50AA3UNdDEtmZlE2jOlqKqUzKRV8sC58dHU9eg&amp;__tn__=EH-R\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Esse \u00e9 o t\u00edtulo da mat\u00e9ria que fiz para a revista \u201cManchete\u201d, publicada em 07\/03\/1976, n\u00famero 1.250, com fotos de Artur Ikissima e do arquivo da revista. 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