{"id":9686,"date":"2024-07-19T22:43:05","date_gmt":"2024-07-20T01:43:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9686"},"modified":"2024-07-19T22:43:12","modified_gmt":"2024-07-20T01:43:12","slug":"alguns-de-seus-pensamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/07\/19\/alguns-de-seus-pensamentos\/","title":{"rendered":"ALGUNS DE SEUS PENSAMENTOS"},"content":{"rendered":"<p>Estou finalizando a leitura de \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d, de Nietzsche, um fil\u00f3sofo ateu, complexo e um ponto fora da curva do s\u00e9culo XIX que, para come\u00e7ar, menospreza, deprecia os poetas e as mulheres. Para ele, s\u00f3 as mais velhas s\u00e3o mais sens\u00edveis e maduras que merecem aten\u00e7\u00e3o. Quanto aos poetas \u2013 por ironia, sua linguagem \u00e9 quase toda po\u00e9tica entre met\u00e1foras e par\u00e1bolas &#8211; s\u00e3o mentirosos e enganadores f\u00fateis.<\/p>\n<p>Bom, vamos a alguns de seus pensamentos, os mais l\u00facidos e que nos servem de ensinamentos para a vida. No cap\u00edtulo \u201cDE PASSAGEM\u201d, depois de atravessar muitos povos e cidades, Zaratustra retorna para sua montanha e sua caverna. De passagem, ele se depara com um louco na porta da cidade, que o povo o chamava de \u201cmacaco de Zaratustra\u201d porque imitava o pr\u00f3prio em sua linguagem e pensar.<\/p>\n<p>O louco abriu os bra\u00e7os e disse que ali Zaratustra nada tinha a procurar, mas tudo a perder. Ali era um lama\u00e7al! \u201cIsto \u00e9 um inferno para os pensamentos dos solit\u00e1rios. Aqui se cozinham vivos os grandes pensamentos, aqui se reduzem a papa. Aqui apodrecem todos os grandes sentimentos&#8230;\u201d<\/p>\n<p>O \u201cmacaco\u201d continuou a falar para Zaratustra: \u201cN\u00e3o percebes como aqui o espirito se tornou um jogo de palavras? Cospem repugnantes intrigas verbais! E dessas intrigas fazem, os de c\u00e1, ainda jornais (hoje poderia ser redes sociais).<\/p>\n<p>\u201cProvocam-se sem saber porqu\u00ea. Entusiasmam-se e n\u00e3o sabem porqu\u00ea. Sacodem suas latas, tilintam com seu ouro. Sentem frio e procuram calor na aguardente. Aquecem-se e procuram frescor nos esp\u00edritos gelados. Est\u00e3o todos infectados e contaminados pela opini\u00e3o p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>O \u201clouco macaco\u201d insistiu em lhe aconselhar, afirmando que \u201ceu sirvo, tu serves, n\u00f3s servimos. Assim rezam ao soberano todas as virtudes h\u00e1beis, para que a merecida estrela se prenda afinal ao peito esqu\u00e1lido. A lua, por\u00e9m, ainda gira em torno de tudo o que \u00e9 terrestre. Assim tamb\u00e9m o soberano gira em torno do que h\u00e1 de mais terrestre: O ouro dos lojistas. Aqui corre sangue p\u00fatrido, pobre e espumoso, por todas as veias. Cospe sobre a grande cidade, que \u00e9 o grande dep\u00f3sito onde se acumulam todos os detritos\u201d.<\/p>\n<p>Como se percebe, o di\u00e1logo tem sua pr\u00f3pria ant\u00edtese, e Zaratustra manda o \u201clouco\u201d se calar exclamando que ele tem vivido muito tempo \u00e0 beira do p\u00e2ntano ao ponto de teres convertido em sapo e r\u00e3. Por que n\u00e3o te retirastes para o bosque. \u201cDesprezo teu desd\u00e9m e j\u00e1 que me prevines, porque n\u00e3o te preveniste a ti mesmo?<\/p>\n<p>Zaratustra ficou longo tempo calado e disse: \u201cTamb\u00e9m sinto repugn\u00e2ncia por esta grande cidade e n\u00e3o s\u00f3 deste \u201clouco\u201d. Aqui e acol\u00e1, nada h\u00e1 que melhorar, nada h\u00e1 que piorar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDO ESP\u00cdRITO DO PESO\u201d, na fala de Zaratustra, o Nietzsche ressalta que sua linguagem \u00e9 do povo. Falo de modo rude e franco para os delicados. \u201cMeu p\u00e9 \u00e9 casco de cavalo. Com ele troto e galopo por montes e vales, pelo comprido e de c\u00e1 para l\u00e1, e em toda corrida r\u00e1pido fico endiabrado de prazer\u201d.<\/p>\n<p>Mais adiante, assinala que aquele que ensinar os homens a voar, destruir\u00e1 todas as barreiras. \u201cO avestruz corre mais depressa que o mais veloz cavalo, mas tamb\u00e9m enterra a cabe\u00e7a na pesada terra. Assim faz o homem que ainda n\u00e3o sabe voar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA terra e a vida parecem-lhe pesadas e \u00e9 isso o que quer o esp\u00edrito do peso! Mas aquele que deseja ser leve como uma ave deve amar-se a si mesmo\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso aprender a amar-se a si pr\u00f3prio com amor sadio, a fim de aprender a suportar a si mesmo e a n\u00e3o vaguear fora de si mesmo\u201d<\/p>\n<p>\u201cAmor ao pr\u00f3ximo\u201d, assim se chama o fato de vaguear fora de si mesmo. \u00c9 com esta express\u00e3o que se tem mantido e fingido mais, especialmente por parte daqueles a quem todo mundo dificilmente suporta\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica coisa pesada, por\u00e9m, para o homem levar \u00e9 o pr\u00f3prio homem! \u00c9 que carrega aos ombros demasiadas coisas estranhas. Como o camelo, ajoelha-se e deixa-se carregar bem\u201d.\u00a0 Diz que o interior do homem se parece muito com a ostra: Repelente, viscosa e dif\u00edcil de apanhar.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m nos enganamos muito acerca do homem, por haver muita casca pobre e triste de excessiva grossura. H\u00e1 muita for\u00e7a e bondade ocultas que jamais foram desvendadas&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cO homem \u00e9 dif\u00edcil de descobrir, e ainda mais para si mesmo. A intelig\u00eancia mente muitas vezes acerca do cora\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o que faz o esp\u00edrito do peso\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, tamb\u00e9m n\u00e3o gosto daqueles para quem todas as coisas s\u00e3o boas e que chamam a este mundo o melhor dos mundos. Chamo-os de oni-satisfeitos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA facilidade de gostar de tudo n\u00e3o \u00e9 dos melhores gostos. Louvo as l\u00ednguas delicadas e os est\u00f4magos escrupulosos que aprendem a dizer: \u201cEu\u201d e \u201cSim\u201d e \u201cN\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMastigar e digerir tudo, por\u00e9m, \u00e9 fazer como os su\u00ednos. Dizer sempre sim, isso s\u00f3 os asnos e os de sua esp\u00e9cie aprendem. O que meu gosto deseja \u00e9 o amarelo intenso e o roxo quente, mistura de sangue com todas as cores. Mas aquele que cai de branco revela ter uma alma caiada de branco\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o quero estar ou morar onde toda gente escuta. Este \u00e9 agora meu gosto: Prefiro viver entre perjuros e ladr\u00f5es. Ningu\u00e9m tem boca de ouro. O animal mais repugnante que tenho visto entre os homens chamei-o de parasita. N\u00e3o queria amar e queria viver de amor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cChamo desgra\u00e7ados todos aqueles que s\u00f3 podem escolher entre duas coisas: Tornar-se animais ferozes ou ferozes domadores de animais. N\u00e3o gostaria de erguer minha tenda ao lado deles\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou finalizando a leitura de \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d, de Nietzsche, um fil\u00f3sofo ateu, complexo e um ponto fora da curva do s\u00e9culo XIX que, para come\u00e7ar, menospreza, deprecia os poetas e as mulheres. Para ele, s\u00f3 as mais velhas s\u00e3o mais sens\u00edveis e maduras que merecem aten\u00e7\u00e3o. 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