{"id":9684,"date":"2024-07-18T23:43:26","date_gmt":"2024-07-19T02:43:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9684"},"modified":"2024-07-18T23:43:33","modified_gmt":"2024-07-19T02:43:33","slug":"voce-me-empresta-esse-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/07\/18\/voce-me-empresta-esse-livro\/","title":{"rendered":"VOC\u00ca ME EMPRESTA ESSE LIVRO?"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente gosta, a gente come\u00e7a emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, at\u00e9 que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar \u00e9 n\u00e3o devolver, \u00e9 se endividar de lembran\u00e7as\u201d (Fabr\u00edcio Carpinejar).<\/p>\n<p>\u201cEla nunca me devolveu \u201cO Pequeno Pr\u00edncipe\u201d. \u201cO essencial \u00e9 invis\u00edvel para os olhos\u201d.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez em que vi o grande jornalista baiano Jorginho Ramos (que nos deixou em abril deste ano) foi na sa\u00edda do Bom Pre\u00e7o do Chame-Chame. Ele, que era diretor da biblioteca do Instituto Geogr\u00e1fico e Hist\u00f3rico da Bahia, me convidou para ir l\u00e1. Falei que iria ao IGHB para conhecer os livros raros. N\u00e3o deu tempo. Falamos tamb\u00e9m do saudoso historiador Cid Teixeira e Jorginho lembrou uma frase dele: \u201cBurro n\u00e3o \u00e9 quem empresta o livro; burro \u00e9 quem devolve\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea me empresta esse livro? Prometo lhe devolver em 15 dias, no m\u00e1ximo. (J\u00e1 se v\u00e3o 8 anos).<\/p>\n<p>Um amigo tinha um recibo impresso (tipo de biblioteca) onde constavam nome do livro, de quem pegou emprestado e a data de devolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cLivro de empresta<\/p>\n<p>Se vai n\u00e3o volta<\/p>\n<p>Se volta n\u00e3o presta<\/p>\n<p>Triste do livro que se empresta!\u201d (Tarc\u00edsio Ara\u00fajo).<\/p>\n<p>\u201cQuem empresta, nem para si presta\u201d (ditado popular).<\/p>\n<p>Tem gente que n\u00e3o pega o livro emprestado, rouba mesmo. Um colega do Col\u00e9gio Central, na d\u00e9cada de 60, roubava livros na antiga Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, na Rua da Ajuda, em Salvador. Na hora em que a livraria estava com muito movimento, ele pegava um livro numa mesa que ficava pelo meio, entre as estantes, folheava-o com toda a calma, como quem l\u00ea o pref\u00e1cio, assinava o nome rapidamente na primeira p\u00e1gina e colocava o livro na mochila. Caso fosse apanhado no flagra ele reagiria: \u201cO livro \u00e9 meu, veja que j\u00e1 est\u00e1 assinado!\u201d Nesse dia em que o acompanhei, deu tudo certo, mas fiquei apenas de olheiro. Acho que Deus deve perdoar quem rouba livros para ler.<\/p>\n<p>Outro amigo costumava surrupiar livros da Biblioteca P\u00fablica do Estado, mas n\u00e3o sei qual era a t\u00e1tica. Por falar em biblioteca, o jornalista Alberto Oliveira resolveu recentemente doar cerca de mil livros, alguns raros. Diz ele: \u201cN\u00e3o vi destino melhor que uma biblioteca p\u00fablica. Fui \u00e0 Juracy Magalh\u00e3es, no Rio Vermelho. Fizeram-me uma exig\u00eancia: enviar, por email, uma lista de todos os livros, fotografando-os um a um, para que pudessem decidir se aceitam a doa\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que n\u00e3o insistirei em levar livros a quem, aparentemente, deles n\u00e3o precisa\u201d.<\/p>\n<p>As pessoas tamb\u00e9m emprestam dinheiro, mais dif\u00edcil de devolver do que o livro.<\/p>\n<p>\u201cAntes de emprestar dinheiro a algu\u00e9m, verifique de qual dos dois voc\u00ea gosta mais\u201d (ditado popular).<\/p>\n<p>\u201cUm banco \u00e9 um lugar que te empresta dinheiro se conseguires provar que n\u00e3o necessitas dele\u201d (Bob Hope).<\/p>\n<p>Vamos emprestar mais beleza \u00e0 nossa alma. Tomara que ela n\u00e3o devolva.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em\u00a0<a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) \u201cQuando a gente gosta, a gente come\u00e7a emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, at\u00e9 que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar \u00e9 n\u00e3o devolver, \u00e9 se endividar de lembran\u00e7as\u201d (Fabr\u00edcio Carpinejar). \u201cEla nunca me devolveu \u201cO Pequeno Pr\u00edncipe\u201d. \u201cO essencial \u00e9 invis\u00edvel para os olhos\u201d. 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