{"id":9620,"date":"2024-06-28T21:19:28","date_gmt":"2024-06-29T00:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9620"},"modified":"2024-06-28T21:19:36","modified_gmt":"2024-06-29T00:19:36","slug":"dos-grandes-acontecimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/06\/28\/dos-grandes-acontecimentos\/","title":{"rendered":"&#8220;DOS GRANDES ACONTECIMENTOS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Nesse cap\u00edtulo, Zaratustra, personagem da obra de Nietzsche fala das Ilhas Afortunadas onde fumega um grande vulc\u00e3o. O povo diz que a ilha est\u00e1 colocada num penhasco na porta do mundo subterr\u00e2neo. Ali um navio lan\u00e7ou \u00e2ncoras onde se encontra a montanha fumegante. Sua tripula\u00e7\u00e3o foi ca\u00e7ar coelhos quando viram um homem atravessar o ar, e uma voz pronunciou estas palavras: \u201cJ\u00e1 \u00e9 tempo! N\u00e3o h\u00e1 um instante a perder! \u201d.<\/p>\n<p>Quando olharam mais de perto viram que era Zaratustra em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 montanha do fogo. O piloto disse: \u00c9 Zaratustra que vai para o inferno. Correu o boato de que ele desaparecera sem dizer para onde. No entanto, ao fim de tr\u00eas dias, o povo julgava que o dem\u00f4nio levara Zaratustra. Os disc\u00edpulos preferiram acreditar que foi Zaratustra quem levou o dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>Depois de cinco dias ele apareceu quando se deu o di\u00e1logo dele com o c\u00e3o de fogo. Nas palavras po\u00e9ticas (Nietzsche deprecia os poetas e diz que todos s\u00e3o mentirosos e enganadores), Zaratustra afirma que a terra tem pele e essa pele sofre enfermidades de doen\u00e7as e, uma delas, chama-se homem. A outra \u00e9 o c\u00e3o de fogo.<\/p>\n<p>\u201cCruzei o mar e vi a verdade\u201d \u2013 \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d. Sei da tua profundidade, c\u00e3o de fogo! \u201cDe onde tiras o que vomitas\u201d? \u201cBebes a \u00e1gua do mar e \u00e9 da\u00ed que vem o sal da tua eloqu\u00eancia. \u00c9s o ventr\u00edloquo da terra. Esses dem\u00f4nios s\u00e3o salgados, mentirosos e triviais.<\/p>\n<p>\u201cSabeis rugir e obscurecer com vossas cinzas! Tendes as maiores bocarras e aprendestes bem a arte de fazer ferver o lodo\u201d. Por onde andas existem coisas lamacentas e cavernosas. Tudo isso quer liberdade que \u00e9 teu grito predileto, mas perdi a f\u00e9 nos grandes acontecimentos, pois em torno deles existem rugidos e fuma\u00e7a \u2013 disse Zaratustra.<\/p>\n<p>Prosseguiu dizendo para o estr\u00e9pito do inferno que os acontecimentos maiores n\u00e3o nos surpreendem nas horas mais ruidosas, mas nas mais silenciosas. \u201cO mundo gravita, n\u00e3o em torno dos inventores de novos estrondos, mas em volta dos inventores de novos valores, em sil\u00eancio\u201d&#8230; Que importa que uma cidade seja mumificada e que caia na lama uma est\u00e1tua! Aos destruidores de est\u00e1tuas, destacou ser mesmo uma loucura jogar sal no mar e est\u00e1tuas na lama.<\/p>\n<p>O Estado \u00e9 um c\u00e3o hip\u00f3crita<\/p>\n<p>Sobre essa quest\u00e3o, Zaratustra deu um conselho para os reis, \u00e0s igrejas e a todos aqueles que s\u00e3o fracos em idade e virtude: \u201cDeixai-vos derrubar para volverdes \u00e0 vida e para que a v\u00f3s retorne a virtude\u201d!<\/p>\n<p>O c\u00e3o de fogo indagou que Igreja? Que \u00e9 isso? Ele respondeu que \u00e9 uma esp\u00e9cie de Estado, mais enganosa. Cala-te, tu conheces tua esp\u00e9cie mais que ningu\u00e9m. \u201cO Estado \u00e9 um c\u00e3o hip\u00f3crita como tu que gostas de falar com rugidos e fuma\u00e7a para fazer crer que sua voz, como a tua, saia das entranhas das coisas\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com ele, o Estado quer ser a todo custo o animal mais importante da terra e consegue fazer o povo acreditar que o seja. O c\u00e3o ficou louco de ci\u00fames, e da sua goela sa\u00edram fuma\u00e7as e vozes terr\u00edveis que a c\u00f3lera e a inveja poderiam sufoc\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ficou encolerizado? Ent\u00e3o, vou falar de outro c\u00e3o de fogo, cuja voz nasce no cora\u00e7\u00e3o da terra. Seu h\u00e1lito e a chuva s\u00e3o de ouro. Disse que ele \u00e9 inimigo de teus gargarejos, de tuas erup\u00e7\u00f5es e da raiva de tuas entranhas. Seu ouro e seu riso, tira-os do cora\u00e7\u00e3o da terra que \u00e9 de ouro. O c\u00e3o meteu o rabo entre as pernas e foi esconder-se num canto.<\/p>\n<p>Sobre sua passagem voadora pelo ar, falou que ele n\u00e3o passava de um fantasma, de uma sombra viajante. Devo manter minha sombra em r\u00e9deas mais curtas, ou prejudicar\u00e1 minha reputa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 \u00e9 tempo e n\u00e3o h\u00e1 um instante a perder \u2013 assim terminou sua fala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse cap\u00edtulo, Zaratustra, personagem da obra de Nietzsche fala das Ilhas Afortunadas onde fumega um grande vulc\u00e3o. O povo diz que a ilha est\u00e1 colocada num penhasco na porta do mundo subterr\u00e2neo. Ali um navio lan\u00e7ou \u00e2ncoras onde se encontra a montanha fumegante. 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