{"id":9614,"date":"2024-06-27T23:43:53","date_gmt":"2024-06-28T02:43:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9614"},"modified":"2024-06-27T23:44:38","modified_gmt":"2024-06-28T02:44:38","slug":"carybe-o-escultor-dos-orixas-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/06\/27\/carybe-o-escultor-dos-orixas-final\/","title":{"rendered":"CARYB\u00c9, O ESCULTOR DOS ORIX\u00c1S (Final)"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Reproduzo hoje a terceira e \u00faltima parte da minha entrevista com Caryb\u00e9, publicada na revista &#8220;Manchete&#8221; de 26\/07\/1975.<\/p>\n<p>Caryb\u00e9 conheceu a fundo &#8220;essa cidade sagrada da Bahia, onde se re\u00fanem todos os orix\u00e1s do mundo para dar mais verdade \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Segue a mat\u00e9ria:<\/p>\n<p>&#8220;Caryb\u00e9 confessa que se deixou influenciar bastante pelo desenhista alem\u00e3o George Grosz, que criticava o mundo do p\u00f3s-guerra, e pelos pintores Gauguin e Van Gogh. Mas n\u00e3o gosta de ser chamado de pintor, de desenhista, de escultor, nada disso.<\/p>\n<p>&#8220;Na profiss\u00e3o, sou como as mulheres de certas nacionalidades: fa\u00e7o tudo&#8221;.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o se inclui numa categoria profissional \u00fanica, n\u00e3o d\u00e1 a menor bola para a cr\u00edtica. E acha at\u00e9 que a cr\u00edtica podia perfeitamente deixar de existir. Paradoxalmente, Caryb\u00e9 cr\u00edtica a chamada arte de vanguarda:<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea vai a uma bienal e v\u00ea certas coisas que deveriam estar num parque de divers\u00f5es. Quando algu\u00e9m faz um livro, sabe pelo menos que aquilo \u00e9 um neg\u00f3cio para ser lido. Mas quando um sujeito empalha um porco para que serve isto? Uma coisa que se faz para destruir depois n\u00e3o pode ser coisa feita com amor. \u00c9 apenas para balan\u00e7ar o coreto. Dizem que \u00e9 para agredir. Mas para que agredir? Ocorre com a pintura de vanguarda o que ocorre com o tal do &#8216;som novo&#8217;. Fazer som&#8230;Se aparecesse uma cor nova chamada &#8216;zup&#8217;, por exemplo, seria espl\u00eandido. Mas o espectro est\u00e1 a\u00ed mesmo, tremendamente definido. E rico.&#8221;<\/p>\n<p>Realista e sensato, Caryb\u00e9 n\u00e3o tem preconceitos contra artistas novos que o procuram:<\/p>\n<p>&#8220;O chato \u00e9 chato em qualquer idade. Tem cada velho chato por a\u00ed. Mas tamb\u00e9m tem cada jovem. Quando voc\u00ea v\u00ea que o rapaz ou a mo\u00e7a tem lenha para queimar, a\u00ed \u00e9 \u00f3timo. Mas \u00e0s vezes chegam por aqui umas mocinhas de fam\u00edlia rica que, n\u00e3o sabendo que rumo tomar, resolvem dar para pintoras. A\u00ed, j\u00e1 viu.&#8221;<\/p>\n<p>Og\u00e3 da m\u00e3e de santo Senhora, j\u00e1 falecida, do candombl\u00e9 do Ax\u00ea Op\u00f4 Afonj\u00e1, Caryb\u00e9 \u00e9 de uma honestidade profissional absolutamente exemplar. Apesar de profundamente instru\u00eddo nos mist\u00e9rios do candombl\u00e9 quando resolveu fazer o primeiro painel dos orix\u00e1s (&#8220;porque n\u00e3o existia ainda em nenhum lugar uma iconografia completa dos santos do candombl\u00e9&#8221;), passou o tempo todo consultando M\u00e3e Senhora, M\u00e3e Menininha de Gantois, Olga do Alaketu e outras autoridades. At\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 havia representa\u00e7\u00f5es esculturais ou gr\u00e1ficas de entidades como Exu, Ogun, Iemanj\u00e1 e poucas outras.<\/p>\n<p>Caryb\u00e9 personalizou os 29 orix\u00e1s do culto, pondo um carinho particular no seu protetor, que \u00e9 Oxossi, deus da ca\u00e7a e da floresta. Tem pr\u00eamios de Buenos Aires, da Bienal de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 ilustrou livros de Jorge Amado, Rubem Braga, Gabriel Garcia Marques, uma edi\u00e7\u00e3o de alto luxo de &#8220;Macuna\u00edma&#8221;, &#8220;As Mil e Uma Noites&#8221;, tem um painel na Galeria Torre Boston, em Buenos Aires (um painel de tr\u00eas andares), outro na Galeria Belgrano, tamb\u00e9m em Buenos Aires, e executou os dois grandes murais do Aeroporto Presidente Kennedy, em Nova Iorque, &#8220;coisa alegre, muito alegre, para tirar o nervosismo de quem vai pegar avi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Amigo \u00edntimo de Jorge Amado, que v\u00ea praticamente todos os dias, Caryb\u00e9 nunca quis saber da Europa:<\/p>\n<p>&#8220;Cidade grande, com vida intelectual nos caf\u00e9s e botequins, n\u00e3o tem a for\u00e7a (ax\u00e9) do altiplano da Bol\u00edvia e do Peru, nem a vitalidade profunda dessa cidade sagrada da Bahia, onde se re\u00fanem todos os orix\u00e1s do mundo para dar mais verdade \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em <a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR3Z_fIjs1y8JKi6IqKPhbFo1rKk8YEkfV-JPgl-zn2mAm1MmSR8V7nR1BY_aem_bzCwIeQn38nmjEaiXLLtGw\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo\/?fbid=2919272144877316&amp;set=a.1968441946627012&amp;__cft__%5b0%5d=AZV0WkQwisZ2h8NLw0tUJhLBgYRpMOB78KwhXg1hjN4PhXtKCU0onqJOQcM3Q6ZwWSqejm98gllkGjz8u-NzCTuxYBuB08M5kzrMuTjwFzhKMqrSLGFX3yMZ4K5BV5-YhVo&amp;__tn__=EH-R\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Reproduzo hoje a terceira e \u00faltima parte da minha entrevista com Caryb\u00e9, publicada na revista &#8220;Manchete&#8221; de 26\/07\/1975. 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