{"id":9601,"date":"2024-06-25T22:10:36","date_gmt":"2024-06-26T01:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9601"},"modified":"2024-06-25T22:10:44","modified_gmt":"2024-06-26T01:10:44","slug":"o-femeapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/06\/25\/o-femeapa\/","title":{"rendered":"O FEMEAP\u00c1"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>O carioca S\u00e9rgio Porto exerceu nas d\u00e9cadas de 50 e 60 v\u00e1rias atividades. Foi jornalista, escritor, teatr\u00f3logo e compositor. Uma das suas maiores cria\u00e7\u00f5es como cronista do jornal \u201c\u00daltima Hora\u201d foi o \u201cFestival de Besteiras que Assola o Pa\u00eds\u201d, o \u201cFebeap\u00e1\u201d, que ele assinava como Stanislaw Ponte Preta, cuja caracter\u00edstica era criticar, com humor refinado, a ditadura militar e o moralismo social. Nos dias de hoje, S\u00e9rgio, se estivesse entre n\u00f3s (morreu em setembro de 1968, com 45 anos), certamente teria idealizado o \u201cFemeap\u00e1\u201d \u2013 \u201cFestival da Mentira que Assola o Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>O criador das \u201cCertinhas do Lalau\u201d (concurso que reunia vedetes do teatro rebolado) elegeria Jair Bolsonaro como o principal protagonista das mentiras que, nos \u00faltimos anos, difundidas nas redes sociais, t\u00eam destro\u00e7ado lares e amizades, incutido a desinforma\u00e7\u00e3o de forma odiosa entre a popula\u00e7\u00e3o inculta, f\u00e1cil de enganar, e sendo intolerante com a governan\u00e7a do pa\u00eds e o relacionamento entre os tr\u00eas poderes. Mentiroso e negacionista, ele tinha prometido \u201cse recolher\u201d se perdesse as elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n<p>Provavelmente, Bolsonaro n\u00e3o teria passado mais de 30 anos como membro do baixo claro, entre sete mandatos como deputado federal e quatro como vereador da cidade do Rio de Janeiro, se no dia 16 de junho de 1988 o Superior Tribunal Militar (STM) \u2013 a maioria dos seus membros fora nomeada pela ditadura militar de 1964 a 1985 &#8211; n\u00e3o tivesse feito vista grossa para os planos terroristas do capit\u00e3o Jair Messias Bolsonaro, absolvendo-o por nove votos a quatro. Cinco meses antes, em primeira inst\u00e2ncia, os ju\u00edzes pediram, por unanimidade, a expuls\u00e3o do militar \u201cpor ter praticado atos que afetam a honra pessoal, o pundonor militar e o decoro da classe\u201d.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo que juntou insurrei\u00e7\u00e3o com trai\u00e7\u00e3o foi ao ar em 3 de setembro de 1986 com a publica\u00e7\u00e3o na revista \u201cVeja\u201d de um artigo assinado por Bolsonaro, reclamando dos baixos soldos pagos aos pra\u00e7as (soldado a aspirante) e oficiais subalternos (tenente e capit\u00e3o). O crime de insubordina\u00e7\u00e3o lhe rendeu 15 dias de pris\u00e3o. Um ano depois a mesma revista publicou uma entrevista, ilustrada com um croqui do funcionamento de uma bomba, com o ex-presidente detalhando um plano para espalhar o terror nos quarteis e no sistema de abastecimento de \u00e1gua do Rio.<\/p>\n<p>A imprensa mentiu<\/p>\n<p>Trinta e dois anos depois da audi\u00eancia, no STM, o jornalista Luiz Maklouf Carvalho conseguiu o \u00e1udio das cinco horas da sess\u00e3o secreta. Em seu livro \u201cO Cadete e o Capit\u00e3o\u201d (Editora Todavia) ele relata em 700 p\u00e1ginas a negativa de Bolsonaro a todas as acusa\u00e7\u00f5es; a press\u00e3o impositiva na sala do Tribunal do general Newton Cruz (apontado por crimes contra a humanidade durante a ditadura e mentor do atentado ao Riocentro em 1981) e do general Jo\u00e3o Figueiredo (\u00faltimo presidente do regime militar); a defesa &#8211; \u201cmeus comandados sempre t\u00eam raz\u00e3o\u201d &#8211; do ministro do Ex\u00e9rcito Le\u00f4nidas Pires Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Maklouf mostra que os participantes dedicaram grande parte da sess\u00e3o para insultar a imprensa, que havia se livrado tr\u00eas anos atr\u00e1s dos gril\u00f5es da censura imposta pelos militares golpistas. A rep\u00f3rter C\u00e1ssia Maria, que ouviu Bolsonaro em quatro encontros, com a presen\u00e7a de testemunhas, foi chamada de famigerada. A \u201cVeja\u201d foi classificada como \u201cum reduto de judeus argentinos em busca de dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>Para o escritor, n\u00e3o resta d\u00favida que a avers\u00e3o dos militares \u00e0 imprensa ajudou a absolver Bolsonaro, que ganhou notoriedade entre cabos e sargentos, que o elegeram vereador pela cidade do Rio, e sete mandatos em Bras\u00edlia. Os votos que ele e sua cl\u00e3 receberam foram digitados nas urnas eletr\u00f4nicas, cuja seguran\u00e7a contestou e nunca provou, ao revelar ser um mau perdedor em 2022.<\/p>\n<p>Maklouf acredita que um dia vir\u00e3o \u00e0 tona as atividades dos 11 anos passados pelo tenente Bolsonaro na caserna, nos \u00faltimos anos da ditadura. Sabe-se, apenas, que ele servia numa unidade de Artilharia e da sua amizade com o general Newton Cruz, chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI). Ap\u00f3s despir a farda, na condi\u00e7\u00e3o de parlamentar e presidente, sempre exaltou as figuras dos torturadores que agiam nos por\u00f5es da ditadura, e continua negando que o Brasil viveu 21 anos sob um regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tomar posse na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Bolsonaro incentivou a cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o oficialmente, do &#8220;Gabinete do \u00d3dio&#8221;, vinculado ao Pal\u00e1cio do Planalto. Sob a orienta\u00e7\u00e3o dos filhos, os \u201cfakes news\u201d passaram a abarrotar as redes sociais, sendo as not\u00edcias aceitas como verdade por 89,77% dos eleitores bolsonaristas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o Avaaz, exercendo uma influ\u00eancia muito grande no resultado do pleito presidencial de 2018. Contrapondo-se \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, os jornais criaram uma se\u00e7\u00e3o de esclarecimento aos leitores.<\/p>\n<p>Em abril, a C\u00e2mara dos Deputados rejeitou a proposta que tinha o objetivo de impedir os \u201cfakes news\u201d. Para Giovanni Cerini (PL-RS), \u201ca iniciativa visa inviabilizar o projeto eleitoral de Bolsonaro\u201d. Mais uma das muitas imoralidades patrocinadas por esse nosso Legislativo. Outros atos pusil\u00e2nimes (anistia \u00e0s irregularidades, inclusive financeiras, cometidas pelos partidos pol\u00edticos; a condena\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as estupradas e a generosidade com os estupradores; e a proibi\u00e7\u00e3o das dela\u00e7\u00f5es premiadas) est\u00e3o na pauta do Congresso para serem discutidos ap\u00f3s o recesso do meio do ano.<\/p>\n<p>Com Bolsonaro, 1\u00ba de abril \u00e9 todo dia. A dedu\u00e7\u00e3o \u00e9 do site \u201cAos Fatos\u201d, cujos pesquisadores checaram que em 1.185 dias de governo o ex-presidente deu 5.145 declara\u00e7\u00f5es falsas ou distorcidas, acolhidas por uma plateia de gente fan\u00e1tica e fundamentalista, que defende uma pauta de costumes semelhante a imposta pelo Talib\u00e3 aos afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>O jornalista Ruy Castro, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), escreveu em sua coluna na \u201cFolha\u201d, \u201cque Bolsonaro tem processos e acusa\u00e7\u00f5es suficientes para enjaul\u00e1-lo por 500 anos. Isso ainda n\u00e3o aconteceu porque a Justi\u00e7a tem de seguir o seu curso \u201cnormal\u201d. Vitorioso na elei\u00e7\u00e3o ou no golpe, implantaria uma ditadura que nos faria sentir saudade dos militares\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista O carioca S\u00e9rgio Porto exerceu nas d\u00e9cadas de 50 e 60 v\u00e1rias atividades. Foi jornalista, escritor, teatr\u00f3logo e compositor. 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