{"id":9599,"date":"2024-06-24T23:02:13","date_gmt":"2024-06-25T02:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9599"},"modified":"2024-06-24T23:02:20","modified_gmt":"2024-06-25T02:02:20","slug":"conversa-de-cachorros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/06\/24\/conversa-de-cachorros\/","title":{"rendered":"CONVERSA DE CACHORROS"},"content":{"rendered":"<p>Antigamente os cachorros eram praticamente todos iguais e n\u00e3o tinham esse tratamento especial de hoje (nem todos). N\u00e3o existiam lojas de Pet Shop e eram raros os veterin\u00e1rios para cuid\u00e1-los. Hoje, muitos t\u00eam at\u00e9 psic\u00f3logos, terapeutas e s\u00e3o melhores tratados que milhares de humanos. No entanto, os cachorros de rua continuam por a\u00ed abandonados e ao relento, mas se livraram das carrocinhas malvadas que eram um tormento e choror\u00f4.<\/p>\n<p>Tem ainda o cachorro do rico e do pobre, o nordestino e o valent\u00e3o feroz. Um dia essa cachorrada resolveu se reunir para bater aquele papo s\u00e9rio e contar os seus problemas, vantagens e hist\u00f3rias, como ocorre entre humanos, inclusive crian\u00e7as, jovens e adultos, uns mais abastados e outros da pobreza. Cachorro tamb\u00e9m tem divis\u00e3o de classes e \u00e9 at\u00e9 marxista comunista.<\/p>\n<p>No encontro, o primeiro a abrir a boca foi o cachorrinho (a) de madama e soltou seu esc\u00e1rnio e desprezo com seus irm\u00e3os de rua. Com toda aquela etiqueta e pose de privilegiado foi logo falando.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00eas vivem por a\u00ed sujos, pulguentos, comendo restos e sobras de comidas que d\u00e3o, dormindo nas cal\u00e7adas, marquises e no frio, fazendo suas \u201cvergonhices\u201d trepando at\u00e9 em p\u00fablico. Levam at\u00e9 chutes e pontap\u00e9s desses brutos. Muitas vezes s\u00e3o at\u00e9 envenenados por importuna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Eu tenho casa confort\u00e1vel, como do bom e do melhor, vestido (a), sou vacinado, tenho meu veterin\u00e1rio e a madama me faz aquele carinho gostoso que excita at\u00e9 meu pingolinho. Ela toma banho nu comigo que me deixa doid\u00e3o. Sou chamado de filho e que fa\u00e7o parte da fam\u00edlia. O dono tamb\u00e9m faz aquele chamego e tem mais: tenho nome de gente famosa, de fil\u00f3sofo, poeta e celebridades. Ah, ganho festa de anivers\u00e1rio com bolos, decora\u00e7\u00e3o, velas, presentes e parab\u00e9ns.<\/p>\n<p>O cachorro (a) rico metido a besta esnobou o quanto pode, mas saiu de l\u00e1 um vira lata peduro atrevido e outros amigos e come\u00e7aram a jogar duro contra o serelepe bo\u00e7al de ra\u00e7a estrangeirada de nomes complicados.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00eas n\u00e3o passam de uns manipulados objetos, brinquedos de divers\u00e3o nas m\u00e3os dessas peruas e babacas da elite nojenta. S\u00e3o usados para pura divers\u00e3o. Sua turma n\u00e3o tem liberdade de correr ruas e avenidas, n\u00e3o sabe se virar para sobreviver e nunca aprendeu atravessar uma rua na faixa certa, sem ser atropelado pelos carros.<\/p>\n<p>Do grupo apareceu outro e disse mais umas boas de olho em riste fazendo tremer os intrometidos. Jogou duro! Como diz no popular, soltou os cachorros nos riquinhos perfumados.<\/p>\n<p>&#8211; Experimentam sair por a\u00ed pelas cidades e logo ser\u00e3o mortos e massacrados. Voc\u00eas s\u00f3 sabem viver em apartamentos ou casas fechadas entre quatro paredes com hor\u00e1rio marcado para sair para cagar e mijar fora. Nem t\u00eam o direito de transar com o parceiro ou a parceira que quer. O casamento e combinado. Aqui nossa comunidade \u00e9 socialista onde um ajuda o outro e andamos em bando. A nossa prosa \u00e9 bem mais interessante que essa conversa mole e fresca de burgu\u00eas.<\/p>\n<p>No meio da fuzarca, entrou outro de uma ra\u00e7a diferente esquisita e come\u00e7ou aquele bate boca acirrado. Pura baixaria! Os vira-latas chegaram juntos e encararam com dentes cerrados, com inten\u00e7\u00e3o de bater forte e partir para a briga. Foi aquela algazarra, e os mauricinhos e patricinhas murcharam as orelhas.<\/p>\n<p>O cachorro nordestino, como cabra da peste, n\u00e3o deixou por menos com uma peixeira do lado.<\/p>\n<p>\u2013 Qual \u00e9! Quer encarar? Voc\u00eas nem sabem nem o que \u00e9 fome e ser retirante de lugar em lugar. Nosso couro \u00e9 duro como de jacar\u00e9 e somos bons de porrada, arretados e n\u00e3o temos medo de fantasmas. Sabemos ca\u00e7ar e j\u00e1 andamos at\u00e9 no canga\u00e7o. Botou para quebrar.<\/p>\n<p>Nisso, entraram dois valent\u00f5es, um rottweiler e outro pit bull, daqueles tipos guarda-costas e le\u00f5es de ch\u00e1caras, rosnando como feras selvagens com garras dent\u00e1rias de estranguladores.<\/p>\n<p>&#8211; Ei, voc\u00eas todos a\u00ed, vamos acabar com essa putaria, com essa pouca vergonha, coisa de cachorrada. Melhor ir circulando cada um para seus lugares, bando de fanfarr\u00f5es! Querem apanhar?<\/p>\n<p>Interessante! Em nossa sociedade brasileira acontecem coisas semelhantes no aspecto social e comportamental humano. Os mais fortes de poder s\u00e3o os que mandam e obedecem quem tem ju\u00edzo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antigamente os cachorros eram praticamente todos iguais e n\u00e3o tinham esse tratamento especial de hoje (nem todos). N\u00e3o existiam lojas de Pet Shop e eram raros os veterin\u00e1rios para cuid\u00e1-los. Hoje, muitos t\u00eam at\u00e9 psic\u00f3logos, terapeutas e s\u00e3o melhores tratados que milhares de humanos. 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