{"id":9595,"date":"2024-06-21T00:34:40","date_gmt":"2024-06-21T03:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9595"},"modified":"2024-06-21T00:34:49","modified_gmt":"2024-06-21T03:34:49","slug":"carybe-o-escultor-dos-orixas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/06\/21\/carybe-o-escultor-dos-orixas-2\/","title":{"rendered":"CARYB\u00c9, O ESCULTOR DOS ORIX\u00c1S (2)"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Posto hoje a segunda parte da minha entrevista com Caryb\u00e9, publicada na revista &#8220;Manchete&#8221; em 26\/07\/75.<\/p>\n<p>Caryb\u00e9 faz uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9: &#8220;A for\u00e7a da Bahia d\u00e1 mais verdade \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Vamos ao texto:<\/p>\n<p>&#8220;Caryb\u00e9 nasceu na cidade argentina de Lanus, de pai italiano e de m\u00e3e ga\u00facha de Santa Maria da Boca do Monte. Os pais tinham se casado em Miss\u00f5es, na Argentina, mas logo depois do casamento foram se instalar em Mato Grosso\u00a0onde nasceu o filho mais velho, Arnaldo. Depois se transferiram para o Paraguai, onde nasceram mais duas irm\u00e3s. Na cidade de Pousadas, nas Miss\u00f5es, veio ao mundo o quarto filho, que tamb\u00e9m virou pintor.<\/p>\n<p>Andarilho, o velho decidiu voltar para a It\u00e1lia, onde Caryb\u00e9 viveu os primeiros oito anos de sua exist\u00eancia. At\u00e9 hoje costuma relembrar que sua primeira l\u00edngua foi o italiano. Depois da Primeira Grande Guerra, a fam\u00edlia voltou para o Brasil\u00a0estabelecendo-se no Rio de Janeiro, na zona da rua Pedro Am\u00e9rico.<\/p>\n<p>Em 1929, os rapazes da fam\u00edlia ganharam uma empreitada\u00a0para a decora\u00e7\u00e3o do Carnaval dos tr\u00eas grandes hot\u00e9is da \u00e9poca: Copacabana\u00a0Gl\u00f3ria e o Pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>&#8220;Ganhamos uma verdadeira fortuna: 19 contos de r\u00e9is. A\u00ed, o velho inventou\u00a0de viajar de novo e voltamos \u00e0 Argentina, onde fiquei mandando cr\u00f4nicas e desenhos para os jornais.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caryb\u00e9 trabalhou em jornal durante 22 anos. Mas seu irm\u00e3o curtia cer\u00e2mica e os dois come\u00e7aram a fabricar lou\u00e7as e azulejos. Caryb\u00e9 entrou de forneiro depois ajudou a pintar as pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Em Buenos Aires, quando a barra come\u00e7ou a pesar, empregou-se numa f\u00e1brica de caixotes,\u00a0de onde saiu com as m\u00e3os totalmente arrebentadas.<\/p>\n<p>Sobre a hist\u00f3ria de seu nome, h\u00e1 v\u00e1rias vers\u00f5es. Como sempre, a verdadeira \u00e9 a mais banal. Os dois irm\u00e3os artistas, Roberto e Hector Bernabo, eram bastante procurados. Mas sempre dava confus\u00e3o quando algu\u00e9m chamava um Bernabo. Hector tinha sido escoteiro quando crian\u00e7a, e entrou na Patrulha dos Peixes, onde ficara sendo um Caryb\u00e9. Havia gostado do apelido por ach\u00e1-lo sonoro\u00a0e um belo dia, depois de grande, para acabar com a confus\u00e3o entre os Bernabo, resolveu chamar-se apenas de Caryb\u00e9. Pegou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Artista inato, procurou uma vez frequentar um curso de pintura, em escola noturna que tinha professor, modelo e tudo.<\/p>\n<p>&#8220;Mas achei chato, e em vez de ficar diante dos modelos posando\u00a0achei melhor sair para a rua, e observar. V\u00e1rias vezes fui convidado a ensinar em escolas de Belas-Artes. Numa, aceitei. Iria ensinar o qu\u00ea? Nunca aprendi. N\u00e3o\u00a0sei fazer um quadro de uma vez. Come\u00e7o apago tudo, deixo ele de castigo uns 15 dias contra a parede. Depois pego de novo, vejo o que est\u00e1 ruim e vou continuando. Mas acho que a escola vale, pelo menos para quem tem recursos\u00a0porque fornece a ajuda de pessoas\u00a0mais experientes, de eventuais orientadores.&#8221;<\/p>\n<p>(Continua na pr\u00f3xima semana).<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em\u00a0<a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Posto hoje a segunda parte da minha entrevista com Caryb\u00e9, publicada na revista &#8220;Manchete&#8221; em 26\/07\/75. Caryb\u00e9 faz uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9: &#8220;A for\u00e7a da Bahia d\u00e1 mais verdade \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. 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