{"id":9488,"date":"2024-05-24T22:14:17","date_gmt":"2024-05-25T01:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9488"},"modified":"2024-05-24T22:15:07","modified_gmt":"2024-05-25T01:15:07","slug":"assim-falava-zaratustra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/05\/24\/assim-falava-zaratustra\/","title":{"rendered":"&#8220;ASSIM FALAVA ZARATUSTRA&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil de ser entendido, Friedrich Wilheim Nietzsche nasceu em Rocken, na Alemanha, em 15 de outubro de 1844. Ainda jovem virou pastor e tornou-se num dos mais importantes pensadores do s\u00e9culo XIX. Aos 24 anos chegou a lecionar filologia na Universidade de Basileia, mas parou seu trabalho, em 1979, por quest\u00f5es de sa\u00fade. Passou a levar uma vida marcada por crises e tentativas de suic\u00eddio. Em 1882 come\u00e7ou a escrever sua obra famosa \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d. Teve intensa produ\u00e7\u00e3o, interrompida, em 1889, por uma loucura que durou at\u00e9 sua morte, em 25 de agosto de 1900.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7856.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9489\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7856.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7856.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7856-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, editora Lafonte, escrito pelo tradutor, na palavra de Zaratustra, que viveu dez anos na montanha, Nietzsche diz que o homem e a sociedade vivem em hipocrisia, \u00e0 sombra de valores que n\u00e3o correspondem \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es do ser humano, porquanto marcados e conduzidos por um conjunto de leis, costumes e tradi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram comprovados, al\u00e9m de desgastados pelo tempo e pela maldade dos homens, aleat\u00f3rios e in\u00fateis.<\/p>\n<p>Nietzsche aborda os temas centrais da transforma\u00e7\u00e3o de valores, da erradica\u00e7\u00e3o dos males que afligem a sociedade, da liberta\u00e7\u00e3o do homem como ser superior e da busca da figura do verdadeiro homem ou super-homem. Quando Zaratustra desce da floresta encontra-se com um grupo de gente da cidade e faz um discurso onde as pessoas n\u00e3o lhe d\u00e3o ouvidos. Ele se vai frustrado e decepcionado.<\/p>\n<p>Em o equilibrista e o palha\u00e7o, afirma que o diabo e o inferno n\u00e3o existem, e que nada perco ao perder a vida. Pontua v\u00e1rios problemas do viver, como o trabalho, a distra\u00e7\u00e3o e o cansa\u00e7o. Para ele, pobre e rico s\u00e3o duas coisas penosas, como governar e obedecer. Pastor e rebanho s\u00e3o iguais. Nietzsche foi um tanto anarquista quando declara que o Estado \u00e9 o mais frio dos frios monstros.<\/p>\n<p>Vou aqui apenas citar alguns pontos da fala de Zaratustra que servem de reflex\u00e3o, muitas delas confusas, contradit\u00f3rias e retr\u00f3gradas como dizer que a mulher n\u00e3o sabe fazer amizades, ao compar\u00e1-la com uma ave ou uma vaca. Boa parte do seu di\u00e1logo requer an\u00e1lise apurada porque ele fala por meio de par\u00e1bolas, linguagens figuradas e met\u00e1foras.<\/p>\n<p>Num dos trechos, diz que n\u00e3o seja o refluxo desse fluxo. O crime mais atroz \u00e9 ultrajar a terra. O homem \u00e9 um rio polu\u00eddo. Nessa sua l\u00f3gica, \u00e9 tamb\u00e9m um poluidor, m\u00e1ximas que servem para os tempos atuais. Tem muita coisa de filos\u00f3fica e po\u00e9tica em suas prega\u00e7\u00f5es, como a de que \u00e9 preciso ser mar. Seja repugnante para ser limpo. Para sair da conformidade, sua raz\u00e3o anseia por saber.<\/p>\n<p>Em sua conversa para os homens da cidade, em seu primeiro contato ap\u00f3s dez anos na montanha, diz que, para se chegar ao alto e o al\u00e9m, seja decl\u00ednio. O que importa \u00e9 ser ponte e n\u00e3o meta. Seja flecha e passagem para a outra margem. Tem que conhecer o que quer conhecer e fa\u00e7a da sua virtude o seu destino. Ele questiona o viver e o deixar de viver. Sobre o ser humano, ensina que deve cumprir mais do que promete. Isso serve para os nossos pol\u00edticos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7857.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9490\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7857.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7857.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/DSC_7857-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A c\u00f3lera do seu deus pode ser sua perdi\u00e7\u00e3o. Quanto a alma profunda, ressalta que lhe faz esquecer de si mesmo. Aprenda a ouvir com os olhos. Terei que gritar. Vou falar do que \u00e9 mais desprez\u00edvel, e aconselha que o homem deve semear o germe da esperan\u00e7a. No que refere \u00e0s suas conversa\u00e7\u00f5es com o outro, o qual n\u00e3o consegue lhe entender, afirma que a minha boca n\u00e3o chega aos seus ouvidos.<\/p>\n<p>No sentido figurado das palavras, ou n\u00e3o dos seus pensamentos, Nietzsche termina tocando no problema do meio ambiente quando destaca que o solo rico se tornar\u00e1 pobre e \u00e1rido, sem germinar nenhuma \u00e1rvore. Como profeta do tempo, enfatiza que o homem n\u00e3o mais lan\u00e7ara a flecha do seu desejo. Voc\u00ea tem um caos dentro de si para gerar a dan\u00e7a. A terra se tornar\u00e1 pequena, e insensato \u00e9 aquele que ainda trope\u00e7a nas pedras e nos homens.<\/p>\n<p>Nietzsche, como todos sabem, \u00e9 um fil\u00f3sofo incompreens\u00edvel e cada um faz suas interpreta\u00e7\u00f5es. Zaratustra assinala, por exemplo, que nada tem de desprez\u00edvel morrer por causa do teu of\u00edcio e que a vida humana \u00e9 desprovida de sentido. Ele \u00e9, ao mesmo tempo, profundo, triste, descrente do ser humano e sem religi\u00e3o. Por falar nisso, disse que a religi\u00e3o matou Deus.<\/p>\n<p>Em seus di\u00e1logos, fala muito do ser super-homem. Ou\u00e7o uivos de lobos famintos. O criador sempre procura companheiros. Meu canto \u00e9 para os solit\u00e1rios e que existe mais perigo entre os humanos do que os animais. Que minha altivez ande ao lado da sabedoria. Vamos ter mais Nietzsche nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos, esse Zaratustra, esse maluco.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo \u201cDo Amor ao Pr\u00f3ximo\u201d em \u201cAssim Falava Zaratustra\u201d, Nietzsche dizia que esse amor \u00e9 vosso mau por v\u00f3s mesmo. O Tu foi santificado, mas o Eu n\u00e3o. Mais elevado que o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 o que est\u00e1 por vir, as coisas, os fantasmas. Voc\u00ea tem medo dos fantasmas e procura ref\u00fagio junto ao teu pr\u00f3ximo. Ele afirma que o conv\u00edvio com os homens estraga, sobretudo quando n\u00e3o se tem car\u00e1ter.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil de ser entendido, Friedrich Wilheim Nietzsche nasceu em Rocken, na Alemanha, em 15 de outubro de 1844. Ainda jovem virou pastor e tornou-se num dos mais importantes pensadores do s\u00e9culo XIX. Aos 24 anos chegou a lecionar filologia na Universidade de Basileia, mas parou seu trabalho, em 1979, por quest\u00f5es de sa\u00fade. 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