{"id":9470,"date":"2024-05-17T23:23:28","date_gmt":"2024-05-18T02:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9470"},"modified":"2024-05-17T23:23:35","modified_gmt":"2024-05-18T02:23:35","slug":"a-mascara-da-africa-xv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/05\/17\/a-mascara-da-africa-xv\/","title":{"rendered":"&#8220;A M\u00c1SCARA DA AFR\u00cdCA&#8221; XV"},"content":{"rendered":"<p>GANDHI NA \u00c1FRICA DO SUL<\/p>\n<ol>\n<li>V. S. Naipaul narra, em sua obra, \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d, a visita de um grande homem que visitou a \u00c1frica do Sul nos anos de 1890 e terminou ficando 20 anos naquele pa\u00eds para ser a voz do seu povo que era discriminado e menosprezado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Esse homem era Mohandas Gandhi. Ele saiu de Durban a Joanesburgo e a Pret\u00f3ria, em parte uma vers\u00e3o moderna da Grande Marcha, feita por trem e dilig\u00eancia. Foi um calv\u00e1rio, mas essa viagem modificou sua vida e o colocou no caminho da obra testemunhada em sua pa\u00eds, na \u00cdndia.<\/p>\n<p>Existe um monumento para ele em Joanesburgo e em Pret\u00f3ria. Ele foi para \u00c1frica do Sul, em 1893, quando ainda tinha 24 anos por causa de conex\u00f5es familiares como advogado, a convite de um empres\u00e1rio indiano mul\u00e7umano.<\/p>\n<p>Como profissional na \u00cdndia s\u00f3 tinha estado no tribunal uma vez, em Bombaim, num caso rid\u00edculo de Pequenas Causas. Para Gandhi foi um fiasco porque ele se levantou no momento em que deveria interrogar as pessoas do outro lado, mas se sentiu intimidado.<\/p>\n<p>Em pleno tribunal, ele se sentou e transferiu o caso para outro colega que atuou brilhantemente com a quest\u00e3o. A partir dali ficou mortificado e achou que, como advogado, deveria evitar tribunais e apenas rabiscar peti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que veio a oferta sul-africana de um amigo da sua fam\u00edlia para passar um ano na \u00c1frica do Sul, com bilhete de volta na primeira classe. Na sua vis\u00e3o, estava indo mais como um servi\u00e7al do que como advogado, mas aceitou a ideia da aventura.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com uma lenta viagem mar\u00edtima de Lamu, Momba\u00e7a, Mo\u00e7ambique e depois Durban. L\u00e1 conheceu seu empregador que lhe disse que seria um elefante branco na firma. Gandhi descobriu que o caso legal era de contabilidade. Comprou um livro e come\u00e7ou a estudar. Ficou sabendo tudo que precisava.<\/p>\n<p>Depois de oito dias compraram um bilhete para ele de primeira classe com direito a um leito para Pret\u00f3ria. No entanto, ele preferiu poupar o dinheiro. Foi, ent\u00e3o, que seu calv\u00e1rio come\u00e7ou nas paradas entre Maritzburg, Charlestown e Standerton. Nesses locais, Gandhi sofreu insultos, vergonha e medo por causa de um tratamento vil e violento.<\/p>\n<p>Em Maritzburg, o atendente da ferrovia lhe perguntou se ele havia pedido um leito. Gandhi confirmou que sim. Vieram dois agentes e depois um terceiro que lhe disse que deveria se mudar para o compartimento de bagagem. Quando Gandhi se recusou, chamaram um policial que o empurrou para fora. Fazia muito frio. Tinha um casaco na bagagem, mas pensou que se pedisse seria insultado.<\/p>\n<p>Naquela noite, imaginou retornar para a \u00cdndia ou seguir para Pret\u00f3ria. Concluiu que devia ficar e lutar contra a doen\u00e7a do preconceito. Decidiu pegar o pr\u00f3ximo trem. Era um homem correto e da lei.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte enviou um longo telegrama ao gerente geral da ferrovia. O trem em que embarcou, com o bilhete do leito, o levou at\u00e9 Charlestown. Acontece que o calv\u00e1rio continuou. N\u00e3o havia ferrovia para Joanesburgo, apenas uma dilig\u00eancia. O condutor lhe atormentou n\u00e3o permitindo que Gandhi se sentasse dentro do carro, mas no estribo da carruagem. Passou a viagem toda chutando Gandhi, tanto que os outros passageiros protestaram.<\/p>\n<p>A dilig\u00eancia parou no vilarejo de Standerton para passar a noite. Havia enviados l\u00e1 a mando do empregador para receb\u00ea-lo. Ele aproveitou o tempo para escrever uma longa carta ao agente da empresa de dilig\u00eancias. Recebeu uma resposta encorajadora. A dilig\u00eancia era maior e o funcion\u00e1rio est\u00fapido n\u00e3o estaria nela.<\/p>\n<p>Os indianos do empregador encontraram um bom lugar para ele e, finalmente, chegou a Joanesburgo. Para o trecho final at\u00e9 Pret\u00f3ria, redigiu um bilhete ao chefe da esta\u00e7\u00e3o dizendo quem era e foi pessoalmente de casaca e gravata comprar o bilhete (existe na \u00c1frica do Sul uma fotografia dele com esses trajes).<\/p>\n<p>O homem da bilheteria era da Holanda e lhe tratou bem. Naquela \u00e9poca, segundo o autor do livro, Gandhi acreditava no Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico. \u201cAcreditava que os indianos na \u00c1frica do Sul eram discriminados porque eram politicamente indiferentes e n\u00e3o eram organizados\u201d.<\/p>\n<p>Quando terminou o seu trabalho, com sucesso, se preparou para retornar para \u00cdndia. Foi a Durban esperar um navio e l\u00e1 viu uma nota no jornal sobre o direito de voto dos indianos onde a C\u00e2mara local buscava destituir os indianos de votar. Ele ficou chocado com isso e procurou conversar com os empres\u00e1rios indianos, que n\u00e3o estavam preocupado com a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Gandhi era ainda um jovem t\u00edmido e destreinado. Depois de uma discuss\u00e3o, os empres\u00e1rios transferiram o fardo do protesto para Gandhi que adiou sua volta. Ent\u00e3o, sua perman\u00eancia na \u00c1frica do Sul se estendeu por vinte anos.<\/p>\n<p>Estava na meia idade quando partiu, com suas ferramentas pol\u00edticas e espirituais aperfei\u00e7oadas. Tudo aconteceu naquela longa viagem onde tornou-se um grande l\u00edder de homens e passou a ser chamado de mahatma (grande alma).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GANDHI NA \u00c1FRICA DO SUL V. S. Naipaul narra, em sua obra, \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d, a visita de um grande homem que visitou a \u00c1frica do Sul nos anos de 1890 e terminou ficando 20 anos naquele pa\u00eds para ser a voz do seu povo que era discriminado e menosprezado. 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