{"id":9446,"date":"2024-05-10T23:14:28","date_gmt":"2024-05-11T02:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9446"},"modified":"2024-05-10T23:18:33","modified_gmt":"2024-05-11T02:18:33","slug":"a-mascara-da-africa-xii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/05\/10\/a-mascara-da-africa-xii\/","title":{"rendered":"&#8220;A M\u00c1SCARA DA \u00c1FRICA&#8221; XII"},"content":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cMonumentos Particulares, Terras Arrasadas Particulares\u201d, o autor de \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica, V. S. Naipaul, ap\u00f3s visitar o Museu do Apartheid, destaca o monumento afric\u00e2ner no final da rodovia Joanesburgo-Pret\u00f3ria em homenagem \u00e0 Grande Marcha dos B\u00f4eres da Col\u00f4nia do Cabo para o interior na metade do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Segundo Naipaul, eles marcharam para se livrar dos brit\u00e2nicos, levando consigo todos seus bens e animais, e foram em carros de boi, numa jornada lenta e \u00e1rdua. \u201cOs caminhantes nem sempre sabiam o que estavam enfrentando\u201d e muitos deles morreram.<\/p>\n<p>Sobre sua guia tur\u00edstica F\u00e1tima, a mesti\u00e7a coloured, disse que ela na escola teve que estudar sobre A Grande Marcha; todas as escaramu\u00e7as no caminho se tornaram batalhas. F\u00e1tima tinha que saber todos os detalhes de cor. Mesmo assim, num lance de crueldade, a ela n\u00e3o foi permitido visitar o monumento.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 composta de um acampamento circular em seu entorno, com sessenta e quatro carros de bois. Esse n\u00famero de carros compunha o acampamento quando os participantes foram atacados pelos zulus em 16 de dezembro de 1838. Os zulus foram massacrados e o monumento celebra essa vit\u00f3ria, a de Blood River (rio de sangue).<\/p>\n<p>De acordo com o escritor, as obras do monumento foram iniciadas em 16 de dezembro de 1938, o centen\u00e1rio da batalha. Foi inaugurado na presen\u00e7a de uma multid\u00e3o de 250 mil pessoas em 16 de dezembro de 1949 por D.F.Malan quando se completou o primeiro ano da pol\u00edtica do apartheid, que ele e seu governo do Partido Nacionalista institu\u00edram na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Em seu livro, Naipaul cita o escritor afric\u00e2ner Herman Charles Bosman e sua obra, Mafeking Road, uma das quatro colet\u00e2neas de contos. \u201c O maior conto trata de uma marcha fict\u00edcia. A Grande Marcha do Cabo faz parte do folclore daquela gente simples; em sua imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 algo que todos podem tentar. \u00c9 f\u00e1cil agora, depois de terminada a guerra dos b\u00f4eres, que foi perdida, persuadi-los de que est\u00e3o prestes a ser oprimidos pelos brit\u00e2nicos l\u00e1 onde vivem e que devem marchar para a liberdade, para a Nam\u00edbia, a \u00c1frica do Sudoeste Alem\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu associei os contos de Bosman com o Monumento Voortreker porque ambos compartilham uma ambiguidade, que reside no tema. O Monumento Voortreker n\u00e3o fala apenas da Grande Marcha. Fala tamb\u00e9m da derrota africana e do sofrimento africano\u201d.<\/p>\n<p>Ao se referir aos contos de Bosman, o escritor de \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d diz que \u201caquelas pessoas n\u00e3o s\u00e3o apenas gente simples do campo por causa do seu car\u00e1ter simpl\u00f3rio, de sua falta de imagina\u00e7\u00e3o, elas trazem um sofrimento indescrit\u00edvel aos africanos que est\u00e3o entre elas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cMonumentos Particulares, Terras Arrasadas Particulares\u201d, o autor de \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica, V. S. Naipaul, ap\u00f3s visitar o Museu do Apartheid, destaca o monumento afric\u00e2ner no final da rodovia Joanesburgo-Pret\u00f3ria em homenagem \u00e0 Grande Marcha dos B\u00f4eres da Col\u00f4nia do Cabo para o interior na metade do s\u00e9culo XIX. 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