{"id":9414,"date":"2024-05-01T22:21:45","date_gmt":"2024-05-02T01:21:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9414"},"modified":"2024-05-01T22:22:00","modified_gmt":"2024-05-02T01:22:00","slug":"o-1o-de-maio-e-os-sindicatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/05\/01\/o-1o-de-maio-e-os-sindicatos\/","title":{"rendered":"O 1o DE MAIO E OS SINDICATOS"},"content":{"rendered":"<p>Marcha dos evang\u00e9licos, corridas de atletismo, churrascos, curti\u00e7\u00e3o nas praias, shows musicais, homenagens ao piloto Ayrton Senna e outras atividades festivas no Dia do Trabalho.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o conhece o Brasil, at\u00e9 parece que aqui \u00e9 um para\u00edso de plena harmonia entre o capital e o trabalho onde n\u00e3o existe explora\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es e nem escravismo. Nunca vi em toda minha hist\u00f3ria um pa\u00eds t\u00e3o alienado, enquanto em v\u00e1rias partes do mundo ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es de protesto!<\/p>\n<p>A CNBB (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil) soltou uma nota t\u00edmida falando de justi\u00e7a social pela dignifica\u00e7\u00e3o do trabalhador dentro da linha conservadora do cristianismo, bem diferente daqueles tempos da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o onde condenava abertamente o capitalismo selvagem que s\u00f3 pensa no lucro.<\/p>\n<p>Vejo aqui em grupos das redes sociais gente passando para dar um feliz 1\u00ba de Maio, Dia do Trabalho, mas nos tempos atuais do capitalismo cada vez mais predador, n\u00e3o temos muito a comemorar.\u00a0 Tudo isso me faz lembrar dos velhos tempos em que o 1\u00ba de Maio era uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a dos sindicatos e dos movimentos sociais no Brasil, sem falar pelo mundo a fora, com marchas e at\u00e9 embates com as for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p>Ainda vemos alguma coisa p\u00e1lida da parte dos grandes sindicatos, como dos metal\u00fargicos, petroleiros, banc\u00e1rios e petroqu\u00edmicos. At\u00e9 as centrais, como a CUT e CGT, as mais fortes, se renderam ao peleguismo, sem contar \u00e0s mordomias de seus dirigentes quando ainda vigorava o imposto sindical e milh\u00f5es de filiados que acreditavam nas lutas pelas melhorias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Hoje, vemos os sindicatos, principalmente os pequenos, engolidos pelo capital, que imp\u00f5e suas negocia\u00e7\u00f5es frente ao enfraquecimento das entidades e ao desemprego que chegou a mais de doze milh\u00f5es de desesperados. Dizem que hoje s\u00e3o oito milh\u00f5es (n\u00e3o acredito muito nessas estat\u00edsticas) oficiais.<\/p>\n<p>At\u00e9 o Minist\u00e9rio do Trabalho baixou sua guarda no \u00e2mbito das fiscaliza\u00e7\u00f5es frente a uma reforma trabalhista \u2013 feita pelos patr\u00f5es e Michel Temer, o dr\u00e1cula \u2013 que escravizou a m\u00e3o-de-obra, limitando os acordos, com o trabalho dos intermitentes, os free-lancer e deixando o empregado desprotegido frente ao empregador que faz sua oferta do \u201cpegar ou largar\u201d.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 cada um por si (os pequenos sindicatos n\u00e3o t\u00eam representa\u00e7\u00e3o) quando nos anos 50 e 60 at\u00e9 os estudantes, aposentados e outras classes liberais se juntavam aos trabalhadores nas pra\u00e7as para apoiar suas reinvindica\u00e7\u00f5es e ampliar seus direitos. O trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o est\u00e1 por toda parte, n\u00e3o somente nas carvoarias, nas colheitas dos campos, em certas \u00e1reas da constru\u00e7\u00e3o civil e nos garimpos de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Veio a ditadura civil-militar-burguesa e amorda\u00e7ou os movimentos. Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o peleguismo voltou (Governos do PT) como nos tempos de Get\u00falio Vargas (segundo mandado) com festas, sorteios de presentes e shows de cantores sertanejos, de arrocha e sofr\u00eancia nas pra\u00e7as e avenidas.<\/p>\n<p>Hoje, o que vemos e temos s\u00e3o algumas greves pontuais de professores e outras pequenas categorias que logo se sucumbem por falta de ades\u00e3o da pr\u00f3pria sociedade individualista que s\u00f3 pensa no direito do ir e do vir. As manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o arrastam mais multid\u00f5es como ainda ocorre na Fran\u00e7a, na Cor\u00e9ia do Sul, Estados Unidos, Inglaterra e at\u00e9 aqui entre nossos hermanos da Argentina, do Chile e outros vizinhos.<\/p>\n<p>Portanto, num pa\u00eds onde o predom\u00ednio \u00e9 a informalidade do empreendedor aut\u00f4nomo por necessidade, e n\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, n\u00e3o vejo muito a comemorar e desejar um feliz Dia do Trabalho, se quem domina \u00e9 o capitalismo que dita as regras e trata o oper\u00e1rio como escravo.<\/p>\n<p>Sem essa de colaboradores. Isso \u00e9 um papo furado, conversa para boi dormir. N\u00e3o passa de uma quest\u00e3o de lingu\u00edstica para dizer que todos est\u00e3o irmanados numa mesma causa e s\u00e3o iguais. Para comprovar isso est\u00e3o a\u00ed as profundas desigualdades sociais e regionais, mais ainda acentuadas no Norte e Nordeste, a regi\u00e3o que sempre foi escrava do sul e do sudeste.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcha dos evang\u00e9licos, corridas de atletismo, churrascos, curti\u00e7\u00e3o nas praias, shows musicais, homenagens ao piloto Ayrton Senna e outras atividades festivas no Dia do Trabalho. 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