{"id":9380,"date":"2024-04-19T23:27:21","date_gmt":"2024-04-20T02:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9380"},"modified":"2024-04-19T23:27:53","modified_gmt":"2024-04-20T02:27:53","slug":"a-mascara-da-africa-viii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/04\/19\/a-mascara-da-africa-viii\/","title":{"rendered":"&#8220;A M\u00c1SCARA DA \u00c1FRICA&#8221; VIII"},"content":{"rendered":"<p>No livro \u201ca M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d, o autor V.S. Naipaul, pr\u00eamio Nobel de Literatura, indaga ao seu amigo Rossatanga sobre o processo de inicia\u00e7\u00e3o. Ele responde que tinha ouvido muito acerca da inicia\u00e7\u00e3o quando jovem. \u201cTodos no Gab\u00e3o falam disso, ou ao menos parece. Ela requer um mestre, uma cerim\u00f4nia com dan\u00e7as e tambores que dura a noite toda, e comer a raiz amarga de uma planta alucin\u00f3gena, a iboga\u201d.<\/p>\n<p>Naipaul quis saber se nesse ritual de honra ao ancestral tamb\u00e9m est\u00e1 contida a ideia de virtude. Segundo Rossatanga, \u201cn\u00e3o. Os ancestrais est\u00e3o l\u00e1 somente para oferecer resposta para nossos problemas e nos dar o que queremos. Voc\u00ea n\u00e3o tem voz na aldeia nem nos problemas dela se n\u00e3o tiver sido iniciado\u201d.<\/p>\n<p>Quanto ao fruto da banana, ele afirma que \u00e9 um s\u00edmbolo sexual da virilidade do menino, que se alimenta dela e o resto das frutas \u00e9 esfregado em seu corpo. Com respeito \u00e0s mulheres, ressaltou que elas t\u00eam o poder real. \u201cUma mulher pode n\u00e3o exercer o poder, mas o transmite ao seu filho\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSomos uma sociedade matrilinear, e as mulheres d\u00e3o a vida. Esse pa\u00eds n\u00e3o foi feito para homens. O corpo das mulheres \u00e9 mais forte e, por isso, s\u00e3o feiticeiras\u201d. Informou ainda que \u201cexistem diversos sacrif\u00edcios rituais em que os olhos s\u00e3o removidos e a l\u00edngua arrancada de v\u00edtimas vivas. Todo dia h\u00e1 um sacrif\u00edcio ritual\u201d.<\/p>\n<p>Naipaul tamb\u00e9m conversou com o professor Gassiti, que tamb\u00e9m era farmac\u00eautico por conta pr\u00f3pria, e quis saber dele sobre a planta milagrosa do Gab\u00e3o, o iboga. Respondeu que desde tempos imemoriais, a iboga tem sido usada em rituais de inicia\u00e7\u00e3o, e esses rituais s\u00e3o exclusivos do Gab\u00e3o. \u201cPodem ser chamados de patrim\u00f4nio gabon\u00eas. A primeira tribo a conhecer a iboga foram os pigmeus\u201d.<\/p>\n<p>Foram os pigmeus que passaram todo esse conhecimento para outras tribos. \u201cEram os verdadeiros mestres e agora um americano tem uma patente e ganha milh\u00f5es com ela\u201d. De acordo com Naipaul, os pigmeus, o pequeno povo, foram os primeiros habitantes da floresta e se tornaram mestres para outras tribos. Conheciam outras incont\u00e1veis plantas, suas propriedades curativas ou venenosas. Foram os primeiros a desvendar a iboga alucin\u00f3gena. Sobre este pequeno povo, vamos falar na pr\u00f3xima postagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro \u201ca M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d, o autor V.S. Naipaul, pr\u00eamio Nobel de Literatura, indaga ao seu amigo Rossatanga sobre o processo de inicia\u00e7\u00e3o. Ele responde que tinha ouvido muito acerca da inicia\u00e7\u00e3o quando jovem. \u201cTodos no Gab\u00e3o falam disso, ou ao menos parece. Ela requer um mestre, uma cerim\u00f4nia com dan\u00e7as e tambores que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7,1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9380"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9380"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9381,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9380\/revisions\/9381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}