{"id":9376,"date":"2024-04-18T23:53:05","date_gmt":"2024-04-19T02:53:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9376"},"modified":"2024-04-18T23:53:12","modified_gmt":"2024-04-19T02:53:12","slug":"um-conhaque-pra-falar-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/04\/18\/um-conhaque-pra-falar-de-amor\/","title":{"rendered":"UM CONHAQUE PRA FALAR DE AMOR"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 beijou na boca? Tem gosto de qu\u00ea?\u201d, perguntava o Caderno de Confid\u00eancias aos adolescentes da d\u00e9cada de 60.<\/p>\n<p>\u00c9 igual a ver o c\u00e9u. A primeira namorada \u00e9 uma sucess\u00e3o de risos, emo\u00e7\u00f5es, sustos e sobressaltos. O cora\u00e7\u00e3o bate forte, as pernas tremem, ser\u00e1 que \u00e9 verdade? Peguei na m\u00e3o dela, subiu um arrepio no corpo todo.<\/p>\n<p>Na hora do primeiro beijo a gente treme todo. Tinha um neg\u00f3cio de fechar o olho que eu nunca entendi bem.<\/p>\n<p>Tinha uma zorra de uma t\u00e9cnica de onde botar a l\u00edngua. Uma vez eu engasguei e comecei a tossir. Uma amiga me contou que treinava o movimento da l\u00edngua num copo com gelo.<\/p>\n<p>A\u00ed estava consolidado. Beijou na boca j\u00e1 \u00e9 namorado. E a rua inteira come\u00e7ava a falar: \u201cSabe da \u00faltima?\u201d.<\/p>\n<p>Tinha um neg\u00f3cio de falar pra namorar: \u201cSabe, a gente j\u00e1 \u00e9 amigo, mas eu sinto falta de algo mais pr\u00f3ximo, entende?\u201d. A\u00ed voc\u00ea ouve um \u201ctalvez\u201d que tem todo o sabor de um \u201cN\u00e3o\u201d. Ou ent\u00e3o ouve o terr\u00edvel \u201cvou pensar\u201d, que de certo modo tamb\u00e9m tem cara de \u201cn\u00e3o\u201d, mas \u00e9 melhor do que o \u201ctalvez\u201d.<\/p>\n<p>Tenho um primo que paquerava uma mo\u00e7a que ficava na janela. Ela correspondia aos olhares, mas cad\u00ea coragem pra falar? Um dia ele tomou um conhaque, foi l\u00e1 e pediu para ela descer at\u00e9 a porta. Quando ela chegou na porta, come\u00e7ou a chover. Ele deu gra\u00e7as a Deus e foi embora. No dia seguinte dois conhaques resolveram o problema.<\/p>\n<p>Lembro Carlos Drummond de Andrade:<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o devia te dizer<\/p>\n<p>mas essa lua<\/p>\n<p>mas esse conhaque<\/p>\n<p>botam a gente comovido como o diabo.\u201d (\u00daltima estrofe de Poema de Sete Faces).<\/p>\n<p>Nada mais humilhante do que sentir uma dor de barriga, daquelas brabas, na casa da namorada. \u00c9 coisa pra terminar o namoro tal a vergonha que a gente passa.<\/p>\n<p>No meu tempo de adolescente, d\u00e9cada de 60, uma boa forma de come\u00e7ar um namoro era chamar a pretendida para ir ao cinema. Apagou a luz, acendem-se os beijos. A m\u00e3o escorregava lentamente pelos ombros dela e, quando chegava perto do peito, era imediatamente afastada. Nem sempre&#8230;<\/p>\n<p>Tava na hora de trocar as fotos com ela. Foto minha nenhuma prestava. Eu estava de cal\u00e7a curta em todas. Lembro que minha primeira cal\u00e7a comprida demorou pra lavar, pois eu n\u00e3o tirava pra nada. S\u00f3 lavou depois de muita insist\u00eancia de minha m\u00e3e Cleonice.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro amor n\u00e3o fala&#8230; quase que n\u00e3o olha: suspira e treme; mas nessa linguagem muda diz muito&#8230; diz tudo\u201d (Joaquim Manuel de Macedo).<\/p>\n<p>Primeiro amor, primeiro beijo. Sabor de chiclete, calor do cinema, a gente pegando fogo, e a vida seria outra a partir daquele dia.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) \u201cJ\u00e1 beijou na boca? Tem gosto de qu\u00ea?\u201d, perguntava o Caderno de Confid\u00eancias aos adolescentes da d\u00e9cada de 60. \u00c9 igual a ver o c\u00e9u. A primeira namorada \u00e9 uma sucess\u00e3o de risos, emo\u00e7\u00f5es, sustos e sobressaltos. 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