{"id":9343,"date":"2024-04-08T22:20:26","date_gmt":"2024-04-09T01:20:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9343"},"modified":"2024-04-08T22:20:35","modified_gmt":"2024-04-09T01:20:35","slug":"a-velha-geracao-de-ouro-e-a-nova-de-prata-bronze-ou-zinco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/04\/08\/a-velha-geracao-de-ouro-e-a-nova-de-prata-bronze-ou-zinco\/","title":{"rendered":"A VELHA GERA\u00c7\u00c3O DE OURO E A NOVA DE PRATA, BRONZE OU ZINCO"},"content":{"rendered":"<p>La se foi o nosso grande Ziraldo, com 91 anos, jornalista, cartunista, escritor, poeta, compositor teatr\u00f3logo e muitas outras linguagens art\u00edsticas (multiartista), mais um dos representantes da velha gera\u00e7\u00e3o de ouro das d\u00e9cadas de 50, 60 e 70, que fez florescer nossa cultura, transbordou conhecimento e saber, protestou, criticou e denunciou as arbitrariedades (ditadura civil-militar de 1964) em busca da liberdade e contra a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Ziraldo era mineiro de Caratinga, regi\u00e3o leste de Minas Gerais, criador de \u201cO Menino Maluquinho\u201d e da revista em quadrinhos \u201cA Turma do Perer\u00ea\u201d. Era cartunista desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 e graduou-se em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1957.<\/p>\n<p>Seu livro \u201cO Menino Maluquinho\u201d virou s\u00e9rie televisiva. Sua primeira obra liter\u00e1ria foi \u201cFlicts\u201d, lan\u00e7ada em 1969, cujo personagem se sente isolado por n\u00e3o se encaixar nas cores do arco-\u00edris. Ele chegou a ser tema de dois desfiles de escolas de samba, \u201cNen\u00ea da Matilde\u201d, em 2003 (S\u00e3o Paulo) e \u201cTradi\u00e7\u00e3o\u201d, no Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Estamos agora numa gera\u00e7\u00e3o da era tecnol\u00f3gica dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, dos aparelhos e m\u00e1quinas sofisticadas, das fakes News, da intelig\u00eancia artificial, um tanto superficial que praticamente n\u00e3o ler (nem todos), que s\u00f3 pensa em ganhar dinheiro, desprovida de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Para esta eu a chamaria de prata ou bronze. Outra gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 vindo a reboque das vilira\u00e7\u00f5es dos besteir\u00f3is, que s\u00e3o as crian\u00e7as, adolescentes e jovens que temo ser a de zinco e lat\u00e3o, pelo baixo n\u00edvel educacional, ref\u00e9m do celular, das in\u00fateis redes sociais dos seguidores e manipulada pelo alto consumismo.<\/p>\n<p>Sobre a saudosa gera\u00e7\u00e3o de ouro, que talvez nunca mais surja outra igual na hist\u00f3ria da humanidade, especialmente brasileira, muitos est\u00e3o partindo para o al\u00e9m, deixando seu rico legado, mas tamb\u00e9m deixando um v\u00e1cuo pelas suas profundas obras publicadas, pelo seu senso humanista, enfrentamento, muita leitura e sabedoria.<\/p>\n<p>Pelos tempos atuais de superficialidade, principalmente nas artes e no vazio do conhecimento geral, arriscaria o palpite de afirmar que essa gera\u00e7\u00e3o de ouro dos movimentos sociais e pol\u00edticos (anos 60), das transforma\u00e7\u00f5es, das quebras de paradigmas, da rebeldia cultural, \u00e9 insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p>Muitos est\u00e3o dando adeus, mas se tornando eternos, g\u00eanios e atemporais. Outros ainda resistem e est\u00e3o entre n\u00f3s, como Gil, Caetano, Tom Z\u00e9, Z\u00e9 Ramalho, Milton Nascimento, Edu Lobo, Geraldo Vandr\u00e9, Chico Buarque de Holanda e tantos mais que lidam na literatura, no teatro, nas artes pl\u00e1sticas, na \u00e1rea filos\u00f3fica e do pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Destacaria que essa gera\u00e7\u00e3o construiu a efervesc\u00eancia cultural dos anos 50, 60 e 70, onde o ler estava acima do apenas estudar para ter um diploma e ganhar uma vaga no mercado capitalista. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de saudosismo, mas jorrava humanismo, milit\u00e2ncia pol\u00edtica e marchava, n\u00e3o com armas na m\u00e3o, mas com suas li\u00e7\u00f5es de vida. Como fala a can\u00e7\u00e3o de Vandr\u00e9, sabia fazer a hora e n\u00e3o esperava o acontecer.<\/p>\n<p>Era e ainda \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o onde filho respeitava pai e m\u00e3e, reverenciava o professor nas salas de aulas, considerava e ouvia os conselhos dos idosos e, acima de tudo, tinha uma forma\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter, \u00e9tica, honestidade, princ\u00edpios, garra e vis\u00e3o humanista. N\u00e3o esta nova que inverte e confunde os valores entre o certo e o errado, o normal e o anormal, onde n\u00e3o mais conta a meritocracia e a capacidade.<\/p>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos o espirito cultural e religioso das tribos africanas, fixar\u00edamos para esta velha gera\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 atravessando o rio para a outra margem, atrav\u00e9s do barqueiro, o ritual da ancestralidade, para sempre estarmos escutando seus ensinamentos nos momentos mais dif\u00edceis das nossas vidas e da pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La se foi o nosso grande Ziraldo, com 91 anos, jornalista, cartunista, escritor, poeta, compositor teatr\u00f3logo e muitas outras linguagens art\u00edsticas (multiartista), mais um dos representantes da velha gera\u00e7\u00e3o de ouro das d\u00e9cadas de 50, 60 e 70, que fez florescer nossa cultura, transbordou conhecimento e saber, protestou, criticou e denunciou as arbitrariedades (ditadura civil-militar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9343"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9343"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9344,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9343\/revisions\/9344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}