{"id":9330,"date":"2024-04-04T23:39:20","date_gmt":"2024-04-05T02:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9330"},"modified":"2024-04-04T23:39:27","modified_gmt":"2024-04-05T02:39:27","slug":"salvador-meu-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/04\/04\/salvador-meu-amor\/","title":{"rendered":"SALVADOR MEU AMOR"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Diz um velho ditado: &#8220;Na minha terra cego conserta rel\u00f3gio com luvas de boxe&#8221;.<\/p>\n<p>Vindo de Ipia\u00fa-Bahia, cheguei a Salvador em 1954 e ainda peguei o bonde. Eu tinha 6 anos, a cidade era grande e as pessoas maiores.<\/p>\n<p>Salvador bonita, com gente dan\u00e7ando. Sentado na cadeira de lona que meu pai Waldemar colocou no passeio, vi na Avenida Sete os tr\u00eas grandes clubes desfilarem: Fantoches da Euterpe, Cruz Vermelha e Inocentes em Progresso.<\/p>\n<p>Meu tio Hugo precisava atravessar a Avenida Sete, mas a organiza\u00e7\u00e3o do desfile n\u00e3o permitia. Ele simulou um desmaio, parou o desfile e os amigos o carregaram at\u00e9 o outro lado, onde ele saltou e saiu andando calmamente, recebendo um monte de vaias.<\/p>\n<p>Salvador do delicioso lombo num caminh\u00e3o na Pra\u00e7a Castro Alves, de madrugada. Voc\u00ea subia uma escadinha e recebia seu prato maravilhoso para encerrar a noite.<\/p>\n<p>Salvador do lindo Carnaval da d\u00e9cada de 70 (&#8220;N\u00e3o se perca de de mim\/ N\u00e3o se esque\u00e7a de mim\/N\u00e3o desapare\u00e7a&#8230;), onde arranjei uma namorada que j\u00e1 tinha uma namorada que fez uma poesia pra mim que come\u00e7ava assim: &#8220;Para o amor do meu amor&#8221;.<\/p>\n<p>Salvador do mergulho na praia do Unh\u00e3o da minha inf\u00e2ncia. O maior desafio era nadar at\u00e9 avistar o Elevador Lacerda, e tinha que ir uma testemunha junto: &#8220;Chico viu o Elevador Lacerda!&#8221;<\/p>\n<p>O pai do meu amigo trabalhava na companhia de avia\u00e7\u00e3o Panair do Brasil e deu a ele uma c\u00e2mara de ar de pneu de avi\u00e3o ou de trator, n\u00e3o sei. Era uma b\u00f3ia imensa que n\u00f3s dois carregamos at\u00e9 a praia do Unh\u00e3o. Duas filhas de um pescador, brotando beleza, pediram para dar uma volta com a gente. Fomos remando na b\u00f3ia com as duas. Peitos, coxas e bocas boiando virados para o c\u00e9u. Minha primeira li\u00e7\u00e3o de sexo. Vi estrelas e o Elevador Lacerda.<\/p>\n<p>Teve um paulista que estava hospedado numa pens\u00e3o perto do centro e foi conhecer Itapu\u00e3. L\u00e1 se encantou e tomou algumas doses de cambu\u00ed (frutinha redonda nativa usada de infus\u00e3o na cacha\u00e7a). Umas cervejas depois pegou o \u00f4nibus de volta. Foi orientado a saltar nas Merc\u00eas. Assim ele fez e perguntou onde ficava a Ladeira dos Desesperados. Ningu\u00e9m\u00a0 conhecia. Foi perguntando at\u00e9 a Pra\u00e7a da S\u00e9 at\u00e9 que\u00a0 um iluminado matou a charada: a pens\u00e3o ficava na Ladeira\u00a0 dos Aflitos.<\/p>\n<p>Um dia vi no Farol da Barra uma mulher abrir os bra\u00e7os para o mar e exclamar: &#8220;Obrigado, voc\u00ea \u00e9 o meu melhor advogado&#8221;.<\/p>\n<p>Obrigado, Salvador,\u00a0 eu te amo de bra\u00e7os abertos para o mar.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em\u00a0<a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Diz um velho ditado: &#8220;Na minha terra cego conserta rel\u00f3gio com luvas de boxe&#8221;. Vindo de Ipia\u00fa-Bahia, cheguei a Salvador em 1954 e ainda peguei o bonde. Eu tinha 6 anos, a cidade era grande e as pessoas maiores. Salvador bonita, com gente dan\u00e7ando. 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