{"id":9297,"date":"2024-03-29T23:57:46","date_gmt":"2024-03-30T02:57:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9297"},"modified":"2024-03-29T23:59:25","modified_gmt":"2024-03-30T02:59:25","slug":"a-mascara-da-africa-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/03\/29\/a-mascara-da-africa-v\/","title":{"rendered":"&#8220;A M\u00c1SCARA DA \u00c1FRICA&#8221; V"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO REI DA FLORESTA\u201d (PELO PA\u00cdS DA COSTA DO MARFIM<\/p>\n<p>No livro reportagem do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, nascido em Trinidad, o escritor V. S. Naipaul, de \u201cA M\u00e1scara da \u00c1frica\u201d faz sua viagem entre os anos 2008\/09 pela Costa do Marfim e outros pa\u00edses. Em sua jornada, entrevistou e conversou com seus guias, estudiosos, babala\u00f4s e at\u00e9 chefes de santu\u00e1rios sagrados.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo \u201cO Rei da Floresta\u201d ele descreve sobre Houphouet-Boigny, o imperturb\u00e1vel presidente da Costa do Marfim, amado pelos franceses e adorado pelo seu povo. Um homem que poderia ser chamado de rei.<\/p>\n<p>Richmond \u00e9 uma esp\u00e9cie de guia com quem ele conversa sobre os mist\u00e9rios desse pa\u00eds africano que tamb\u00e9m cultua os esp\u00edritos ancestrais que vivem nas florestas e montanhas. Richmond conta uma hist\u00f3ria fant\u00e1stica que ouviu de sua tia sobre como Houphouet se preparou para uma vida de poder.<\/p>\n<p>Esse que se tornou rei consultou um grande xam\u00e3 ou curandeiro sobre como ter o poder eterno. Seguindo seu conselho, Houphouet se fez cortar em pequenos peda\u00e7os, que foram cozidos junto com algumas ervas m\u00e1gicas num caldeir\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro do caldeir\u00e3o, num momento crucial, os peda\u00e7os de Houphouet se juntaram e se transformaram numa poderosa serpente que teve que ser derrubada no ch\u00e3o por um auxiliar de confian\u00e7a. Depois de domada, a serpente se tornou novamente em Houphouet. Essa hist\u00f3ria tinha como testemunha a auxiliar confi\u00e1vel do pr\u00f3prio Houphouet.<\/p>\n<p>Essa auxiliar era a tia de Richmond, cozinheira de Nkrumah, o primeiro presidente de Gana independente e um dos grandes homens da \u00c1frica moderna. Essa hist\u00f3ria foi narrada para milhares de pessoas no pa\u00eds em diferentes vers\u00f5es. Foi gra\u00e7as a esses relatos sobrenaturais que o mito do presidente foi mantido vivo entre seu povo.<\/p>\n<p>A receita do curandeiro tinha funcionado. Por toda \u00c1frica havia mudan\u00e7as sangrentas e, mesmo assim, Houphouet governou por toda vida, sempre descartando seus desafiadores. Morreu aos oitenta e oito anos, mas parecia ter mais que isso. Na \u00c1frica, a vida privada de um governante sempre foi um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>O p\u00e1tio real, rodeado por um alto muro de 15 quil\u00f4metros de comprimento, ficava no meio da cidade de Yamoussoukro, constru\u00edda em torno do s\u00edtio da aldeia onde Houphouet nasceu. Atr\u00e1s do muro havia um jovem bosque.<\/p>\n<p>\u201cDeus sabe que rituais secretos, que sacrif\u00edcios, executados por sabe l\u00e1 que sacerdotes secretos, eram maquinados para manter a salvo o rei e seu reino numa \u00e9poca em que nada na \u00c1frica parecia s\u00f3lido\u201d \u2013 destaca o escritor.<\/p>\n<p>Segundo Naipaul, bem longe do p\u00e1tio havia poderosos emblemas das f\u00e9s importadas, como uma mesquita ao estilo norte-africano que cruzou o Saara at\u00e9 aquele lugar long\u00ednquo das florestas \u00famidas africanas. O outro emblema era uma bas\u00edlica que prestava homenagem a S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o era um ponto de honra para Houphouet, de acordo com o autor do livro. Foi o que manteve o rei forte. Agradava a ele honrar aquelas duas f\u00e9s internacionais, apesar de se entregar \u00e0s vibra\u00e7\u00f5es africanas que deviam ser encenadas em rituais privados, com seus crocodilos sagrados, destinados somente ao rei.<\/p>\n<p>Naipaul afirma que h\u00e1 vinte e sete anos quando estivera na Costa do Marfim, algu\u00e9m da universidade lhe dissera que, quando um grande l\u00edder morria, seus servos e escravos tinham de tratar de fugir, pois podiam ser enterrados com seu amo.<\/p>\n<p>No entanto, havia servos de t\u00e3o grande lealdade que queriam morrer com seu l\u00edder. De uma fonte estrangeira soube que centenas tinham sido mortos no funeral de Houphouet, isto \u00e9, pessoas apanhadas do lado de fora, como vagabundos ou pedintes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO REI DA FLORESTA\u201d (PELO PA\u00cdS DA COSTA DO MARFIM No livro reportagem do Pr\u00eamio Nobel de Literatura, nascido em Trinidad, o escritor V. S. 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