{"id":929,"date":"2015-04-29T00:20:22","date_gmt":"2015-04-29T03:20:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=929"},"modified":"2015-04-29T00:20:28","modified_gmt":"2015-04-29T03:20:28","slug":"azul-e-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/04\/29\/azul-e-cinza\/","title":{"rendered":"AZUL E CINZA"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0 TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica<\/p>\n<p>De Orlando Senna<\/p>\n<p>Itamar indica e comenta<\/p>\n<p>\u00c0s vezes a gente l\u00ea sobre a falta de assunto do cronista ou comentarista diante da p\u00e1gina em branco (leia-se da tela do computador em branco). Hoje isso \u00e9 raro, mas antes era comum encontrar textos sobre esse tema escritos pelos jornalistas que t\u00eam por obriga\u00e7\u00e3o entregar um artigo di\u00e1rio ou semanal, com hora marcada. Menciono isso porque, aqui e agora, diante da tela em branco com um sinal luminoso intermitente mostrando onde devo come\u00e7ar o texto, minha indecis\u00e3o viaja na contram\u00e3o da falta de assunto. Neste momento ca\u00f3tico da civiliza\u00e7\u00e3o, com a velocidade da informa\u00e7\u00e3o disputando corrida com a luz, \u00e9 a quantidade e n\u00e3o a falta que paralisa o escriba (por isso quase ningu\u00e9m mais filosofa sobre p\u00e1ginas em branco).<\/p>\n<p>Os dedos e os neur\u00f4nios co\u00e7am quando olho para um mapa do mundo que acabo de colorir e vejo que o cinza que pintei nas zonas de conflito armado \u00e9 uma \u00e1rea maior do que o azul que apliquei nas zonas sem conflitos letais. S\u00e3o 12 pa\u00edses com guerras de alta ou m\u00e9dia intensidade e 33 pa\u00edses com guerras de baixa intensidade (que significa com menos de mil mortos por ano). Um impulso \u00e9 escrever, no sentido de tentar entender, sobre as raz\u00f5es que levaram a Col\u00f4mbia (guerra civil) e o M\u00e9xico (guerra do narcotr\u00e1fico) estar entre os 12 pa\u00edses mais violentos.<\/p>\n<p>J\u00e1 que entrei pela Am\u00e9rica Latina, outro impulso \u00e9 refletir sobre a perigosa confus\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica que assola os pa\u00edses que, por volta do ano 2000, adotaram grandes pol\u00edticas de inclus\u00e3o social e combate efetivo \u00e0 pobreza. E assola tamb\u00e9m o Chile, que n\u00e3o adotou essas pol\u00edticas. Talvez deva escrever mesmo \u00e9 sobre o Brasil, p\u00e1tria amada idolatrada metida em uma camisa de onze varas, com governo enfraquecido, oposi\u00e7\u00e3o canhestra, m\u00eddia leviana, corrup\u00e7\u00e3o a grosso e a granel. Ou quem sabe sair correndo para um aeroporto virtual, pegar um avi\u00e3o \u00eddem e dar uma olhada no Estado Isl\u00e2mico, no desatino da hiper viol\u00eancia fundamentalista.<\/p>\n<p><!--more-->Tamb\u00e9m penso em rumar para o outro lado, descrever a cren\u00e7a que nem tudo est\u00e1 perdido, que h\u00e1 uma luz brilhando no futuro, que \u00e0 capacidade destruidora do ser humano corresponde uma capacidade de reconstruir, de refazer-se, a obsess\u00e3o de quebrar equilibrada com a necessidade de consertar e concertar (principalmente esse \u00faltimo verbo, com suas ra\u00edzes em harmonizar, conciliar, pactuar). Se for por esse caminho o gancho neste momento \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o Cuba\/EUA, nos seus sentidos pr\u00e1tico e simb\u00f3lico. Na pr\u00e1tica de uma nova e promissora geopol\u00edtica econ\u00f4mica no Caribe e Am\u00e9rica Central, no poder emblem\u00e1tico e estimulante do di\u00e1logo entre contr\u00e1rios, do encontro entre antag\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Ou, simplesmente, registrar a moda das revistas de colorir, j\u00e1 que fiz men\u00e7\u00e3o ao Mapa Mundi que pintei de cinza e azul. \u00c9 uma onda grande, para alegria n\u00e3o apenas das ind\u00fastrias gr\u00e1ficas e dos com\u00e9rcios que est\u00e3o vendendo milh\u00f5es de exemplares e n\u00e3o apenas para as crian\u00e7as, \u00e0s quais s\u00e3o destinadas: tamb\u00e9m para os adultos. As revistinhas com desenhos para ser preenchidos com cores n\u00e3o s\u00e3o novidade, mas o que est\u00e1 acontecendo agora \u00e9 um\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0de grande extens\u00e3o na Am\u00e9rica Latina (principalmente no Brasil), na Am\u00e9rica do Norte e na Europa, iniciado em 2012.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o dessa procura enorme pelas revistinhas \u00e9, justamente, o consumo pelos adultos. Antes os pais compravam uma ou duas revistas para o filho, agora eles compram duas para o filho e quatro para eles mesmos. Simplesmente porque se deram conta que colorir, pintar, \u00e9 um exerc\u00edcio espiritual tranquilizador, realimentador de energias, saciador da sede de estar bem consigo mesmo e com os outros. Inclusive porque tamb\u00e9m faz parte da onda pintar coletivamente o mesmo desenho, juntar a fam\u00edlia para se dedicar a isso por algumas horas. Quer dizer, alcan\u00e7ar um estado de alma que todos os de boa vontade necessitam neste momento de desorienta\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<p>Neste artigo, a criatividade de Orlando, navega da folha de papel em branco, a tela do computador que, provocam mesmo tipo de rea\u00e7\u00e3o no \u201cescriba\u201d com a varia\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos quantidade e intensidade e, no \u00faltimo par\u00e1grafo recorre, ap\u00f3s visitar as viol\u00eancias e, diria at\u00e9 mesmo, a barb\u00e1rie mundo afora, \u00e0s revistinhas com quadros a colorir pelas crian\u00e7as, destacando o aumento das vendas e a dedica\u00e7\u00e3o dos adultos a tal atividade, como que eu diria, apresentando comportamento de fuga, fuga de situa\u00e7\u00f5es para muitos incomoda e, para os mais sens\u00edveis intoler\u00e1veis.<\/p>\n<p>Neste v\u00f4o virtual panor\u00e2mico sobre o mundo e suas viol\u00eancias, passa pelo Brasil dizendo que: \u201cTalvez deva escrever mesmo \u00e9 sobre o Brasil, p\u00e1tria amada idolatrada metida em uma camisa de onze varas, com governo enfraquecido, oposi\u00e7\u00e3o canhestra, m\u00eddia leviana, corrup\u00e7\u00e3o a grosso e a granel. Ou quem sabe sair correndo para um aeroporto virtual, pegar um avi\u00e3o idem e dar uma olhada no Estado Isl\u00e2mico, no desatino da hiper viol\u00eancia fundamentalista\u201d. Quando olho para o que os governantes e os poderosos est\u00e3o fazendo com o Brasil e ao Povo brasileiro, da uma vontade enorme de sectarizar e, se fazer fundamentalista, mas, a cren\u00e7a em uma vida melhor, a consci\u00eancia em favor dos atos humanamente justos, faz pisar no freio e controlar a vontade.<\/p>\n<p>Porem n\u00e3o posso me furtar a entender que a situa\u00e7\u00e3o atual do Brasil \u00e9 an\u00f4mala e que, revolta ver os governantes atuais na tentativa desesperada para justificar, o injustific\u00e1vel, ou seja, a corrup\u00e7\u00e3o o roubo do dinheiro p\u00fablico, por eles praticados como coisa natural, uma vez que dizem \u201ca corrup\u00e7\u00e3o e o roubo dos bens p\u00fablico sempre existiram no Brasil\u201d. Mas, ao observar o hist\u00f3rico, a trajet\u00f3ria e a luta pol\u00edtica da \u201ccumpanherada\u201d, fica uma sensa\u00e7\u00e3o de trai\u00e7\u00e3o, de engano, de abandono sem precedente, acentuada com a percep\u00e7\u00e3o de que todo esse imbr\u00f3glio se d\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o do enriquecimento pessoal il\u00edcito.<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s Doutor em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 em 2014, pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0 TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica De Orlando Senna Itamar indica e comenta \u00c0s vezes a gente l\u00ea sobre a falta de assunto do cronista ou comentarista diante da p\u00e1gina em branco (leia-se da tela do computador em branco). 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