{"id":92,"date":"2014-04-30T11:18:46","date_gmt":"2014-04-30T14:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=92"},"modified":"2014-04-30T11:31:12","modified_gmt":"2014-04-30T14:31:12","slug":"sobre-nossas-ferrovias-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/04\/30\/sobre-nossas-ferrovias-parte-i\/","title":{"rendered":"SOBRE NOSSAS FERROVIAS  (PARTE I)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.5em;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-95\" alt=\"Est. Senhor do Bonfim - C\u00f3pia\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Est.-Senhor-do-Bonfim-C\u00f3pia.jpg\" width=\"550\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Est.-Senhor-do-Bonfim-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Est.-Senhor-do-Bonfim-C\u00f3pia-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/>\u00a0<\/span><\/p>\n<p>A Internet n\u00e3o oferece muito subs\u00eddio sobre a hist\u00f3ria da Via\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea Federal Leste Brasileira, a n\u00e3o ser algumas pontua\u00e7\u00f5es soltas sobre o tema. A sensa\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 que o assunto n\u00e3o merece tanta aten\u00e7\u00e3o, seguindo a mesma l\u00f3gica da pol\u00edtica dos governos passados de desativar o transporte ferrovi\u00e1rio e optar pelo rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0A partir do final dos anos 50, governar era abrir estradas de rodagem. E assim, as nossas saudosas ferrovias \u2013 viajei muito nelas quando menino \u2013 foram abandonadas, e seus trens, vag\u00f5es e trilhos sucateados.<\/p>\n<p>Nunca mais se ouviu os apitos da \u201cMaria Fuma\u00e7a\u201d, ne4m seu ritmo lento e po\u00e9tico, cantado nos versos sonoros dos cantadores das feiras das cidades. \u201cCaf\u00e9 com P\u00e3o, Bolacha N\u00e3o,\u201d e l\u00e1 ia fumegando a toada pela estrada.<\/p>\n<p>A nossa proposta de trabalho \u00e9 resgatar essa Hist\u00f3ria, particularmente no Estado da Bahia, percorrendo e cruzando todos os pontos, trilhos, pontilh\u00f5es, cidades e esta\u00e7\u00f5es onde o trem passava e reduzia as dist\u00e2ncias, ligando extremidades. Al\u00e9m de outros benef\u00edcios para as popula\u00e7\u00f5es pobres do interior, principalmente, esse meio de transporte respirava progresso, desenvolvimento e cultura.<\/p>\n<p>A tarefa principal \u00e9 a de elaborar um v\u00eddeo-document\u00e1rio, visando preservar a mem\u00f3ria desse tempo. Toda pesquisa ser\u00e1 feita \u201cin loco\u201d atrav\u00e9s do registro de filmagens, estudos nos arquivos municipais, entrevistas com antigos ferrovi\u00e1rios e familiares, gentes do povo e especialistas no assunto. O prop\u00f3sito \u00e9 fazer um mapeamento geral, reconstituindo todo o passado.<\/p>\n<p>Aproveitando a pesquisa para o v\u00eddeo, outro objetivo do trabalho \u00e9 realizar um registro liter\u00e1rio atrav\u00e9s de textos jornal\u00edstico sobre o tema, transformando-o num livro ilustrado com fotos e gr\u00e1ficos. Assim, a miss\u00e3o ficaria completa atrav\u00e9s do v\u00eddeo e da literatura, cinema e linguagem escrita juntos.<\/p>\n<p>Fui criado em Piritiba, na Bahia, no Piemonte da Chapada Diamantina por onde passava a Linha Centro-Sul (Senhor do Bonfim-Ia\u00e7u), mais conhecido pelo povo como o \u201cTrem Groteiro\u201d. Recordo-me at\u00e9 hoje da import\u00e2ncia daquela linha f\u00e9rrea para a cidade em termos de movimento, do seu sustento e de seu pr\u00f3prio crescimento. A verdade \u00e9 que existem muitas hist\u00f3rias sobre a ferrovia que ainda n\u00e3o foram contadas e narradas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VIA\u00c7\u00c3O LESTE BRASILEIRA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos atrasos no nosso processo de desenvolvimento foi a desativa\u00e7\u00e3o das ferrovias a partir do final dos anos 50 e in\u00edcio dos anos 60. O abandono causou forte impacto no custo Brasil, tornando mais caro.<\/p>\n<p>Em nosso pa\u00eds, o transporte come\u00e7ou a ganhar import\u00e2ncia no meado do s\u00e9culo XIX, bem depois que o sistema j\u00e1 se tornava uma realidade nos Estados Unidos e na Inglaterra. Hoje, especialmente na Europa, as ferrovias representam parcela significativa no transporte de cargas e passageiros.<\/p>\n<p>No Brasil, Irineu Evangelista de Souza, o Bar\u00e3o de Mau\u00e1, foi o respons\u00e1vel pela primeira estrada de ferro em 1845 nas proximidades do Rio de Janeiro. L\u00e1 se v\u00e3o 165 anos dos primeiros trilhos.<\/p>\n<p>Em substitui\u00e7\u00e3o a Compagnie de Chemins de Fer F\u00e9d\u00e9raux de L\u00b4Est Br\u00e9silien (CCFFEB), empresa de capital franco-belga que explorava as principais linhas do Estado da Bahia, a Via\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea Federal do Leste Brasileiro (VFFLB) foi criada em 1935 durante o Governo de Get\u00falio Vargas. A nova empresa reunia cinco estradas de ferro nos estados da Bahia e Minas Gerais.<\/p>\n<p>O primeiro trecho partindo da cidade de Salvador foi constru\u00eddo em 1860, chegando at\u00e9 Alagoinhas tr\u00eas anos depois. Portanto, a primeira linha est\u00e1 completando 150 anos. Em 1881 foi aberta uma nova estrada de Alagoinhas para Timb\u00f3, no norte do Estado. Na expans\u00e3o, a ferrovia atravessou a divisa com Sergipe, passando por Aracaju e Pr\u00f3pria, num total de 552 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Ainda na Bahia, em 1927 foi inaugurada a estrada ligando Nazar\u00e9 das Farinhas a Jequi\u00e9, com previs\u00e3o de estender a linha at\u00e9 Vit\u00f3ria da Conquista e Sul do Estado. No final dos anos 50, a ferrovia foi desativada, acabando com o sonho de integra\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es. Com a chegada da BR-116, a estrada de ferro ficou ultrapassada e enferrujada.<\/p>\n<p>No ano de 1938, a Via\u00e7\u00e3o Federal Leste Brasileira foi a pioneira na utiliza\u00e7\u00e3o de locomotivas diesel-el\u00e9tricas, embora o programa n\u00e3o tivesse sido ampliado como se previa. As primeiras locomotivas foram adquiridas da empresa English Eletric Co, a mesma que forneceu equipamentos para a RFN e a EFSJ, com pot\u00eancia de 450 HP, numeradas de 600 a 602.<\/p>\n<p>Anos depois, em 1944\/45, o Governo comprou oito locomotivas da Davenport (EUA), as quais receberam os n\u00fameros de 602 a610. A partir dos anos 60, lamentavelmente, todas essas m\u00e1quinas foram sucateadas.<\/p>\n<p>Ao longo desses anos, at\u00e9 a d\u00e9cada de 60, funcionaram na Bahia as seguintes linhas e ramais:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Linha-Tronco Salvador-Alagoinhas<\/p>\n<p>Linha do Sul Mapele-Monte Azul, em Minas Gerais<\/p>\n<p>Linha Norte Alagoinhas-Propri\u00e1<\/p>\n<p>Linha Centro-Sul Senhor do Bonfim-Ia\u00e7u (Trem Groteiro)<\/p>\n<p>Ramal de Itait\u00e9 (Queimadinhas \u2013 Itait\u00e9)<\/p>\n<p>Ramal de Feira de Santana, de Concei\u00e7\u00e3o de Feira a Feira de Santana<\/p>\n<p>Ramal de Catui\u00e7ara, de Buranhem a Catui\u00e7ara<\/p>\n<p>Ramal de Capela, de Murta a Capela<\/p>\n<p>Ramal de Campo Formoso, de Itinga a Campo Formoso<\/p>\n<p>Ramal Laje-Amargosa<\/p>\n<p>Estrada de Ferro Bahia &#8211; Minas (Ponta de Areia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A Internet n\u00e3o oferece muito subs\u00eddio sobre a hist\u00f3ria da Via\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea Federal Leste Brasileira, a n\u00e3o ser algumas pontua\u00e7\u00f5es soltas sobre o tema. 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