{"id":9160,"date":"2024-02-22T23:39:56","date_gmt":"2024-02-23T02:39:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=9160"},"modified":"2024-02-22T23:40:03","modified_gmt":"2024-02-23T02:40:03","slug":"de-um-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2024\/02\/22\/de-um-tudo\/","title":{"rendered":"DE UM TUDO"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Eu e meu irm\u00e3o Cleomar, meninos no Porto da Barra, cavamos um t\u00fanel na areia da praia. Um cavando de cada lado at\u00e9 nossas m\u00e3os se encontrarem. &#8220;Como vai o senhor?&#8221;, nos cumprimentamos embaixo do t\u00fanel, sorrimos e mergulhamos.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>De um punhado de farinha apareceu uma rainha que tem que contar sete hist\u00f3rias para sobreviver.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Descobri que a l\u00e1grima \u00e9 salgada e que h\u00e1 sorrisos doces e sorrisos amargos.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Descobri que gosto das pontes pequenas, principalmente daquelas pontes japonesas.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>&#8211; Do que foi que senhor mais gostou?<\/p>\n<p>&#8211; De um, tudo.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Aquele cisco do\u00eda no olho ou na alma?<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Tinha (ou ainda tem) uma bolacha chamada Paci\u00eancia.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Aprendi que se apontar para uma estrela nasce uma verruga na m\u00e3o, que o mist\u00e9rio est\u00e1 dentro do peixe e que o melhor sil\u00eancio est\u00e1 no fundo do mar.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>&#8220;De tudo ficou um pouco.<\/p>\n<p>Do meu medo.<\/p>\n<p>Do teu asco.<\/p>\n<p>Dos gritos gagos. Da rosa<\/p>\n<p>ficou um pouco.<\/p>\n<p>Ficou um pouco de luz<\/p>\n<p>captada no chap\u00e9u.<\/p>\n<p>Nos olhos do rufi\u00e3o<\/p>\n<p>de ternura ficou um pouco<\/p>\n<p>(muito pouco).<\/p>\n<p>Mas de tudo fica um pouco.<\/p>\n<p>Da ponte bombardeada,<\/p>\n<p>de duas folhas de grama,<\/p>\n<p>do ma\u00e7o<\/p>\n<p>&#8211; vazio &#8211; de cigarros, ficou um pouco (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p>(Trecho do poema &#8220;Res\u00edduo&#8221;, de Carlos Drummond de Andrade).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em\u00a0<a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Eu e meu irm\u00e3o Cleomar, meninos no Porto da Barra, cavamos um t\u00fanel na areia da praia. Um cavando de cada lado at\u00e9 nossas m\u00e3os se encontrarem. &#8220;Como vai o senhor?&#8221;, nos cumprimentamos embaixo do t\u00fanel, sorrimos e mergulhamos. XXX De um punhado de farinha apareceu uma rainha que tem que contar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9160"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9161,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9160\/revisions\/9161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}