{"id":914,"date":"2015-04-13T22:56:50","date_gmt":"2015-04-14T01:56:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=914"},"modified":"2015-04-13T22:56:57","modified_gmt":"2015-04-14T01:56:57","slug":"plagio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/04\/13\/plagio\/","title":{"rendered":"PL\u00c1GIO"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Itamar indica artigo de Orlando Senna:<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos trabalhos acad\u00eamicos atuais sobre pl\u00e1gio, apesar de admitir o impacto transformador da era digital na quest\u00e3o da autoria, parte da premissa que o direito autoral deve ser respeitado na internet, que o pagamento pelo uso de cria\u00e7\u00f5es alheias \u00e9 essencial para o desenvolvimento da ci\u00eancia e da arte e, em consequ\u00eancia, da sociedade. A maioria dos cientistas e artistas tamb\u00e9m pensa assim, bem como a totalidade dos produtores, dos que investem dinheiro na inven\u00e7\u00e3o de tecnologias ou na reprodu\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. O problema \u00e9 que, citando Caetano, \u201ctudo mudou, tudo certo como dois e dois s\u00e3o cinco\u201d.<\/p>\n<p>Em latim,\u00a0<em>plagium<\/em>\u00a0(do grego\u00a0<em>plagion<\/em>) significa roubo, sequestro, rapto, escravizar algu\u00e9m. As primeiras rea\u00e7\u00f5es a essa conota\u00e7\u00e3o criminosa apareceu antes da internet, nos anos 1970 e na m\u00fasica, quando surgiram os DJs, que modificam harmonias, melodias e ritmos de qualquer m\u00fasica, misturam m\u00fasicas diferentes, criam sonoridades novas a partir de matrizes alheias. Um novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o das partes, de mixagem, uma remixagem. O remix, express\u00e3o que se consolidou para essa atividade, logo se expandiu para a modifica\u00e7\u00e3o de fotos, v\u00eddeos e textos.<\/p>\n<p><!--more-->Com o advento das interatividades digitais isso se tornou um comportamento, uma atitude art\u00edstica, principalmente quando apareceu o sampler, equipamento que armazena, reproduz e reprocessa arquivos e plataformas de todos os tipos, inclusive anal\u00f3gicos. Saindo da pol\u00eamica, confesso que um dos espet\u00e1culos audiovisuais mais emocionantes que j\u00e1 vi\/ouvi foi uma performance conjunta da VJ Mary Gatis e do grande DJ Dolores em Montevid\u00e9u. Voltando \u00e0 pol\u00eamica, alguns pensadores est\u00e3o convencidos que os remixes e outras apropria\u00e7\u00f5es ou \u201cdeslocamentos\u201d (um novo conceito) s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de ponta do que definem como \u201cdissolu\u00e7\u00e3o do objeto na arte\u201d, um caminho sem volta da injun\u00e7\u00e3o de processos cibern\u00e9ticos na est\u00e9tica tradicional. Recomendo a leitura de\u00a0<em>Teoria do remix: a est\u00e9tica da sampleagem<\/em>, de Eduardo Navas.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica, express\u00e3o mais atingida pela \u201cest\u00e9tica da sampleagem\u201d, a quest\u00e3o das apropria\u00e7\u00f5es e sua rela\u00e7\u00e3o com direito autoral est\u00e1 sendo focada h\u00e1 algum tempo. O m\u00e1ximo a que os advogados chegaram foi \u00e0 sugest\u00e3o de que h\u00e1 pl\u00e1gio quando algu\u00e9m usa oito ou mais compassos de uma obra alheia. Entre os m\u00fasicos n\u00e3o h\u00e1 concord\u00e2ncia sobre isso, pois existem melodias complexas, com 180 compassos, e melodias simples com apenas dez compassos. Ou seja, se algu\u00e9m se apropria de sete compassos de uma melodia simples estaria usando quase a melodia inteira e n\u00e3o seria pl\u00e1gio. Enfim, n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 determinar o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 pl\u00e1gio e sim como cobrar direitos autorais sobre apropria\u00e7\u00f5es, sampleagens, deslocamentos, colagens (que as artes pl\u00e1sticas utilizam h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo) e cita\u00e7\u00f5es sem cr\u00e9ditos ao autor original no vasto e emaranhado ciberespa\u00e7o.<\/p>\n<p>Nas artes visuais e audiovisuais a complexidade do assunto tem a mesma dimens\u00e3o, o que levou Francis Ford Coppola a dizer que estamos chegando ao fim do direito de autor, que a arte deve ser fomentada integralmente pelo governo (ou seja, pela sociedade) ou que os artistas devem exercer \u201cdupla jornada\u201d, como as m\u00e3es de fam\u00edlia que trabalham fora de casa e, ao mesmo tempo, cuidam dos filhos e dos afazeres dom\u00e9sticos. Ou seja, que os artistas busquem o sustento fora de sua arte.<\/p>\n<p>Na literatura a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma, ningu\u00e9m consegue controlar a reprodu\u00e7\u00e3o integral ou parcial n\u00e3o autorizada de textos, principalmente de ensaios te\u00f3ricos. Os ficcionistas s\u00e3o menos estressados diante dessa realidade, tanto que cada vez mais estimulam a fanficcion, ou fanfic (fic\u00e7\u00e3o de f\u00e3s), que \u00e9 inventar novas maneiras de narrar a partir de uma obra alheia, de um c\u00e2none como se diz nessa nova onda. Exemplo: J. K. Rowling, autora da s\u00e9rie\u00a0<em>Harry Potter<\/em>, mant\u00e9m um site que recolhe as fanfics a partir de seu c\u00e2none (Potter negro, pol\u00edtico militante, gay, mulher, adulto, anci\u00e3o, criminoso, c\u00f4mico e por a\u00ed vai), premiando as melhores. A \u00faltima informa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na internet \u00e9 que j\u00e1 foram registradas 17 mil vers\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma luz no fim desse t\u00fanel do direito autoral, dessa galeria plagi\u00e1ria? Na verdade h\u00e1 tantas luzes brilhando que ningu\u00e9m sabe qual \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o ou a esperan\u00e7a para se chegar ao tal fim, nem mesmo se se trata de um t\u00fanel com come\u00e7o e fim ou de um c\u00edrculo, ou de uma espiral. Nem sei mais o que dizer. Cartas \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, como se escrevia antigamente, quando as m\u00eddias eram separadas umas das outras.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s Doutor em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 em 2014, pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina. 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