{"id":898,"date":"2015-03-24T23:36:07","date_gmt":"2015-03-25T02:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=898"},"modified":"2015-03-24T23:36:18","modified_gmt":"2015-03-25T02:36:18","slug":"itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/03\/24\/itamar-indica-e-comenta-orlando-senna-9\/","title":{"rendered":"ITAMAR INDICA E COMENTA ORLANDO SENNA"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica<\/p>\n<p><em>O poeta e cineasta argentino Fernando Birri, o mestre do Nuevo Cine latino-americano, celebrou na semana passada, no dia 13, seus 90 anos de idade. Ele est\u00e1 em Roma, onde vive h\u00e1 d\u00e9cadas, firme e risonho como sempre, com projetos a fazer, cabe\u00e7a a mil. Comemorando a data, publico em m\u00eddia aberta o pref\u00e1cio que fiz para seu livro O alquimista democr\u00e1tico, de 2008.<\/em><\/p>\n<p><strong>BIRRI, ORTU et ORG<\/strong><\/p>\n<p><em>O alquimista democr\u00e1tico<\/em>\u00a0foi escrito durante 35 anos, gravando em papel o movimento ascendente do pensamento de Fernando Birri, refletindo a passagem por suas v\u00e1rias juventudes. Aqui o verbo escrever ou o verbo gravar devem ser entendidos na multiplicidade de express\u00f5es de um poeta que circula pelas letras, pela orat\u00f3ria, pelas artes pict\u00f3ricas, pelo teatro, pela dan\u00e7a, pelos bonecos, pelo cinema e, agora, pelas varreduras eletr\u00f4nicas, por essa incipiente revolu\u00e7\u00e3o tecno-est\u00e9tica que est\u00e1 forjando a Oitava Arte dos sonhos materializados e das realidades virtuais.<\/p>\n<p>Esse comp\u00eandio \u00e9 a s\u00famula organizada de uma reflex\u00e3o cont\u00ednua e fervente, elaborada com a fala, com os gestos, com as tintas, com as c\u00e2meras, com todas as conex\u00f5es que seu esp\u00edrito curioso e rebelde descobriu e sua habilidade de mago de circo soube dominar, manipular, transcender. S\u00e3o palavras, desenhos, fotos e outras manifesta\u00e7\u00f5es onde a fus\u00e3o de poesia, teoria e ideologia n\u00e3o s\u00e3o apenas uma rima, mas tamb\u00e9m uma solu\u00e7\u00e3o: o pensamento aberto, livre de amarras, solto no vento, abundante, excessivo (Birri cita William Blake: \u201co caminho do excesso conduz ao pal\u00e1cio da sabedoria\u201d).<\/p>\n<p><!--more-->Ele menciona Blake ao falar sobre seu filme n\u00e3o-filme\u00a0<em>ORG<\/em>, dedicado a Wilhelm Reich, Che Guevara e Georges M\u00e9li\u00e8s, um mergulho em nossa cultura esquizofr\u00eanica em busca da supera\u00e7\u00e3o dos contr\u00e1rios, do enlace dos opostos, do rompimento das falsas fronteiras. Org do grego\u00a0<em>organik\u00f3s<\/em>, espraiando-se por org\u00e2nico, \u00f3rg\u00e3o, orgasmo, orgia.\u00a0<em>O alquimista democr\u00e1tico<\/em>\u00a0\u00e9 parte do universo expansivo de Birri, \u00e9 um \u00f3rganon, a boa palavra portuguesa que define um conjunto de requisitos l\u00f3gicos servindo a uma demonstra\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>Uma alquimia, por certo. N\u00e3o apenas no sentido da combina\u00e7\u00e3o de elementos diferentes e t\u00e9cnicas distintas como estrat\u00e9gia para se alcan\u00e7ar objetivos. N\u00e3o apenas na fixa\u00e7\u00e3o desses objetivos, das metas dos antigos alquimistas, aqui metaforizadas \u2014 muta\u00e7\u00e3o material (transmutatione), rem\u00e9dio universal (pen\u00e1cea) e vida artificial (hom\u00fanculo), esses milagres a serem alcan\u00e7ados atrav\u00e9s da Lapide Philosophorum, a pedra filosofal.<\/p>\n<p>Metaforizadas aqui e agora, por Birri, como sempre foram pelos laboratoristas m\u00edsticos da Idade M\u00e9dia e da Renascen\u00e7a: estamos falando de espiritualidade, estamos falando da transforma\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio, da eleva\u00e7\u00e3o humana de um estado inferior (a pedra bruta) para um estado superior de compreens\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da exist\u00eancia (o ouro). Exerc\u00edcios t\u00e9cnicos, art\u00edsticos e m\u00edsticos de aproxima\u00e7\u00e3o com o sagrado, a interface essencial da humanidade, raz\u00e3o e fanal do complexo de reflex\u00f5es, a\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es que os antigos alquimistas, e os atuais tamb\u00e9m, definiam e definem como Opus Magna, a grande obra, a grande tarefa dos s\u00e1bios transmutadores \u2014 o trabalho maior do artista.<\/p>\n<p>O artista se transforma para alcan\u00e7ar o poder de transformar os outros, e atrav\u00e9s dos outros transformar o mundo. O poder de propor quest\u00f5es com e sem respostas, de a\u00e7ular seus semelhantes a se libertarem de si mesmos, de induzir todas as liberdades, de se entregar plenamente \u00e0 sua miss\u00e3o transgressora, \u00e0 metamorfose da vida. Metamorfosear \u00e9 produzir outro ser, outra coisa. Atrav\u00e9s de labirintos de luz, o pensamento que se expande nesse livro \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o met\u00f3dica e rigorosa de utopias. Uma engenharia do sonho dialogando com as esculturas de fuma\u00e7a da realidade para gerar uma descoberta, um desvelamento, uma verdade que ningu\u00e9m tinha percebido, a revela\u00e7\u00e3o de uma ess\u00eancia.<\/p>\n<p>O centro vital desse livro \u00e9, pois, o parto, o dar a luz, o novo que cont\u00e9m em si o ovo (em\u00a0\u00a0latim tamb\u00e9m, novu e ovu, e tamb\u00e9m em espanhol, nuevo, huevo). Birri \u00e9 m\u00e3e e parteiro ao navegar no conceito maior de sua vida de poeta: a g\u00eanese, o despertar, o aparecer por primeira vez, a for\u00e7a latina da palavra\u00a0<em>ortu<\/em>\u00a0(nascimento). Glauber Rocha dizia que \u201co novo \u00e9 eterno\u201d. Ou seja, Birri trabalha com o que n\u00e3o tem fim.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio:<\/p>\n<p>Confesso nunca li qualquer obra das escritas por Fernando Birri, muito menos assisti palestra ou o encontrei pessoalmente em qualquer lugar. A primeira vez que ouvi referencia \u00e0s suas atividades foi atrav\u00e9s de Orlando, durante um dos momentos do II Semin\u00e1rio Internacional de Cinema e Audiovisual, no Teatro Castro Alves em Salvador Bahia, realizado no ano 2006. Mas, frente \u00e0s informa\u00e7\u00f5es deste sedutor artigo da lavra de Orlando e, como confio muito na sua capacidade, intui\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o, profundo e brilhante conhecedor do que faz, vou ler as obras de Birri, principalmente, as que se referem ao Cinema e Audiovisual. E, sugiro aos que lerem esse artigo, a procederem de modo semelhante, nada perder\u00e3o, s\u00f3 ter\u00e3o a ganhar!<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica O poeta e cineasta argentino Fernando Birri, o mestre do Nuevo Cine latino-americano, celebrou na semana passada, no dia 13, seus 90 anos de idade. Ele est\u00e1 em Roma, onde vive h\u00e1 d\u00e9cadas, firme e risonho como sempre, com projetos a fazer, cabe\u00e7a a mil. 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