{"id":8946,"date":"2023-12-22T23:41:59","date_gmt":"2023-12-23T02:41:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8946"},"modified":"2023-12-22T23:42:06","modified_gmt":"2023-12-23T02:42:06","slug":"as-capturas-de-cristaos-brancos-em-mar-rendiam-mais-que-as-terrestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/12\/22\/as-capturas-de-cristaos-brancos-em-mar-rendiam-mais-que-as-terrestres\/","title":{"rendered":"AS CAPTURAS DE CRIST\u00c3OS BRANCOS EM MAR RENDIAM MAIS QUE AS TERRESTRES"},"content":{"rendered":"<p>Os berberes mu\u00e7ulmanos de T\u00fanis, Argel e Tr\u00edpoli tiravam mais proveito em termos de esp\u00f3lios do que de escravos quando invadiam navios mercantes em alto mar na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo. De um modo geral eram nobres e bispos da Igreja Cat\u00f3lica que transportavam bens de valor, principalmente joias preciosas. Em terra, os escravos eram em sua maior parte camponeses e pescadores, sem muito valor de resgates.<\/p>\n<p>Quando uma embarca\u00e7\u00e3o estava prestes a ser atacada geralmente os passageiros mais not\u00e1veis procuravam se disfar\u00e7ar com roupas mais simples e at\u00e9 com aventais de marujos, mas muitos terminavam confessando suas identidades por interm\u00e9dio de espancamentos e torturas. Outros jogavam seus pertences no mar e fugiam em barcos. Por\u00e9m, muitos eram pegos de surpresa e apanhados como escravos.<\/p>\n<p>Carpinteiros, oficiais da marinha e armadores eram valiosos no mercado de escravos para os servi\u00e7os dos reis cors\u00e1rios e sult\u00f5es, tanto que nem eram vendidos pelo que valorizavam. Outros eram levados para o mercado denominado de \u201cbadist\u00e3o\u201d para serem comercializados ou resgatados pelos seus reis. Cada traficante tinha direito a uma cota das apreens\u00f5es de acordo com a fun\u00e7\u00e3o e o financiamento investido na incurs\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia algumas semelhan\u00e7as nos m\u00e9todos adotados entre a escravid\u00e3o africana no Atl\u00e2ntico e a mu\u00e7ulmana contra os crist\u00e3os, mas nada que se iguale em dimens\u00e3o dos empreendimentos e aos sofrimentos impostos aos africanos. Haviam correntes, trancas e at\u00e9 chibatadas, mas muitos brancos eram at\u00e9 bem tratados e melhor alimentados quando tinham boa serventia no mercado.<\/p>\n<p>Essas descri\u00e7\u00f5es da escravid\u00e3o branca entre os s\u00e9culos XVI at\u00e9 final do s\u00e9culo XVIII est\u00e3o no livro \u201cEscravos Crist\u00e3o, Senhores Mu\u00e7ulmanos\u201d, do historiador Robert C. Davis, quando ele deixa claro que a escravid\u00e3o branca ou de crist\u00e3os se tratava mais de uma repres\u00e1lia religiosa sofrida pelos mouros quando foram perseguidos pelas Cruzadas e expulsos da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Os pa\u00edses mais atingidos foram a Espanha, Fran\u00e7a It\u00e1lia e Portugal.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, por exemplo, por volta de 1566, os cors\u00e1rios acabaram se apossando de uma imensa faixa litor\u00e2nea que eles conquistaram sem a menor resist\u00eancia. Naquela \u00e9poca, as autoridades recomendavam a evacua\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Muitas cidades e vilarejos eram abandonados.<\/p>\n<p>Mais tarde, quando os cors\u00e1rios piratas voltavam para novos saques encontravam largos territ\u00f3rios litor\u00e2neos desabitados. De acordo com testemunhas, foi assim que eles assolaram e deixaram em ru\u00ednas a Sardenha, a C\u00f3rsega, Sic\u00edlia, a Cal\u00e1bria, as costas de N\u00e1poles, Roma, G\u00eanova e litorais da Espanha.<\/p>\n<p>A estudiosa Mirella Mafrici, por exemplo, forneceu vasto material para fundamentar as alega\u00e7\u00f5es feitas por observadores sobre o despovoamento levado a cabo por essas incurs\u00f5es escravistas por terra. Diz o autor ser mais prov\u00e1vel que as mulheres de har\u00e9ns e casas de fam\u00edlias na Berb\u00e9ria tenham vindo de vilarejos costeiros do que de navios capturados.<\/p>\n<p>Quando os invasores levavam um grande grupo de mulheres reprodutivas, isso se tornava um duro golpe para as comunidades que j\u00e1 estavam em crise demogr\u00e1fica, dificultando sua recupera\u00e7\u00e3o populacional. Diversas cidades de m\u00e9dio porte ficavam abarrotadas de refugiados. Isso ainda era melhor para os cors\u00e1rios e reis atacarem porque levavam uma maior quantidade de escravos.<\/p>\n<p>No entanto, pelos meados do s\u00e9culo XVII, esses locais foram mais refor\u00e7ados e as investidas dos mu\u00e7ulmanos se tornaram mais raras. As incurs\u00f5es ficaram mais arriscadas. Quando as cidades de m\u00e9dio porte passaram a construir muralhas e torres de prote\u00e7\u00e3o, os cors\u00e1rios passaram a focar em presas mais fr\u00e1geis, como habita\u00e7\u00f5es isoladas, monast\u00e9rios e at\u00e9 indiv\u00edduos sozinhos. Eles procuravam disfar\u00e7ar suas embarca\u00e7\u00f5es como se fossem de crist\u00e3os. Os remadores eram amorda\u00e7ados para n\u00e3o entregar o jogo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os berberes mu\u00e7ulmanos de T\u00fanis, Argel e Tr\u00edpoli tiravam mais proveito em termos de esp\u00f3lios do que de escravos quando invadiam navios mercantes em alto mar na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo. De um modo geral eram nobres e bispos da Igreja Cat\u00f3lica que transportavam bens de valor, principalmente joias preciosas. Em terra, os escravos eram em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8946"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8946"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8946\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8947,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8946\/revisions\/8947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}