{"id":8894,"date":"2023-12-08T23:53:52","date_gmt":"2023-12-09T02:53:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8894"},"modified":"2023-12-08T23:54:09","modified_gmt":"2023-12-09T02:54:09","slug":"escravos-cristaos-senhores-muculmanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/12\/08\/escravos-cristaos-senhores-muculmanos\/","title":{"rendered":"&#8220;ESCRAVOS CRIST\u00c3OS, SENHORES MU\u00c7ULMANOS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEscravid\u00e3o Branca no Mediterr\u00e2neo, na Costa da Berb\u00e9ria e na It\u00e1lia, de 1500 a 1800\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6907.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8895\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6907.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6907.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6907-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cQualquer um que diga hoje que a escravid\u00e3o branca chegou a propor\u00e7\u00f5es t\u00e3o significativas quanto \u00e0s da escravid\u00e3o negra ser\u00e1 invariavelmente tachado de supremacista branco e revisionista hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio \u00e9 da editora Vide Editorial, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o de \u201cEscravos Crist\u00e3os, Senhores Mu\u00e7ulmanos\u201d, uma obra de autoria do historiador e professor em\u00e9rito da Ohio State University, PhD em hist\u00f3ria do Mediterr\u00e2neo e da It\u00e1lia, Robert C. Davis.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do seu livro, Robert procura esclarecer que a escravid\u00e3o branca ou dos crist\u00e3os, paralela \u00e0 escravid\u00e3o africana, foi uma forma de vingan\u00e7a dos mu\u00e7ulmanos em resposta \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es que os isl\u00e2micos sofreram durante as Cruzadas (s\u00e9culos XI e XII) e a expuls\u00e3o dos mouros pela Espanha (final do s\u00e9culo XV).<\/p>\n<p>Essa escravid\u00e3o se deu na regi\u00e3o da Berb\u00e9ria (T\u00fanis, Argel e Tr\u00edpoli), praticada por cors\u00e1rios e piratas do mar que saqueavam impiedosamente embarca\u00e7\u00f5es da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Irlanda, Fran\u00e7a, Portugal e da It\u00e1lia. Muitas vezes eles adentravam o continente e os prisioneiros se tornavam escravos nas gal\u00e9s, nas lavouras, na minera\u00e7\u00e3o e at\u00e9 em f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Segundo o autor, \u201cao expulsar os mouros do sul da Espanha, Ferdinando e Isabel conceberam um inimigo implac\u00e1vel para seu reino ressurgente, e que veio a se estabelecer bem perto deles, em Marrocos, Arg\u00e9lia e, por fim, ao longo de todo o Magreb\u201d.<\/p>\n<p>O historiador tamb\u00e9m afirma que \u201cna Berb\u00e9ria, aqueles que ca\u00e7avam e comercializavam escravos certamente esperavam obter lucro, mas, ao traficar crist\u00e3os, tamb\u00e9m havia sempre um elemento de vingan\u00e7a, quase de jihad, pelas injusti\u00e7as de 1492, pelos s\u00e9culos de viol\u00eancia nas Cruzadas que as precederam e pelas cont\u00ednuas batalhas entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos que continuaram a assolar o mundo mediterr\u00e2neo at\u00e9 os tempos modernos\u201d.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio autor da obra reconhece que os n\u00fameros sobre a escravid\u00e3o branca ou de crist\u00e3os, que ocorreu com maior intensidade entre os s\u00e9culos XVI e XVII, s\u00e3o desencontrados por falta de notifica\u00e7\u00f5es mais precisas. As estat\u00edsticas s\u00e3o mais baseadas nos relatos dos c\u00f4nsules dos diversos pa\u00eds v\u00edtimas e de pessoas que sofreram esse tipo de servid\u00e3o.<\/p>\n<p>Robert destaca que at\u00e9 mesmo os ingleses, apesar de distantes da Berb\u00e9ria, e eles pr\u00f3prios j\u00e1 figurando entre os captores de escravos mais agressivos nos anos 1630, foram escravizados por cors\u00e1rios mu\u00e7ulmanos operando a partir de T\u00fanis, Argel e Marrocos.<\/p>\n<p>De acordo com ele, os piratas de Argel e Sal\u00e9 podem ter escravizados cerca de mil brit\u00e2nicos por ano, praticamente o mesmo n\u00famero de africanos cativos. Diz que, por volta de 1640, mais de tr\u00eas mil foram escravizados s\u00f3 em Argel e cerca de 1500 em T\u00fanis.<\/p>\n<p>\u201cFoi dito que os argelinos tomaram, ao menos, 353 navios brit\u00e2nicos entre 1672 e 1682 \u2013 o que representaria que eles ainda agrilhoavam entre 290 e 430 novos escravos brit\u00e2nicos todos os anos\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6914.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8896\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6914.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6914.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DSC_6914-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O historiador assinala ainda que os cors\u00e1rios berberes foram uma amea\u00e7a muito mais expressiva \u00e0quelas localidades mais pr\u00f3ximas de seus litorais, como os povos flamengos, franceses, espanh\u00f3is, portugueses e italianos. Tudo isso ocorria, segundo ele, ao mesmo tempo em que acontecia o com\u00e9rcio de escravos africanos.<\/p>\n<p>O escritor descreve, atrav\u00e9s de outro pesquisador no assunto, que o Mediterr\u00e2neo era \u201cum mar abarrotado de piratas selvagens\u201d e que \u201co papel perverso desempenhado pelos piratas mu\u00e7ulmanos em geral, e pelos cors\u00e1rios da Berb\u00e9ria em particular, foi muito exagerado\u201d.<\/p>\n<p>Em seu livro, Robert ressalta que relat\u00f3rios diplom\u00e1ticos, jornais da \u00e9poca e o simples boca a boca contavam hist\u00f3rias sobre crist\u00e3os sendo capturados \u00e0s centenas e milhares em alto mar ou durante surtidas litor\u00e2neas. Diziam que eles eram acorrentados e submetidos a uma morte em vida de tanto trabalhar em Marrocos, Argel, T\u00fanis e Tr\u00edpoli.<\/p>\n<p>Fontes contempor\u00e2neas, conforme dito por ele, entre novembro de 1593 e agosto de 1594 os tunisianos trouxeram cerca de 28 esp\u00f3lios com 1.722 prisioneiros. Entre 1628 e 1634, os argelinos capturaram, s\u00f3 dos franceses, 80 navios mercantes, levando 986 cativos. Dos ingleses tomaram 131 navios e embarca\u00e7\u00f5es entre 1628 e 164, totalizando 2.555 cativos. Os viajantes de Tr\u00edpoli tomaram 75 navios crist\u00e3os com 1.085 prisioneiros entre 1677 e 1685.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEscravid\u00e3o Branca no Mediterr\u00e2neo, na Costa da Berb\u00e9ria e na It\u00e1lia, de 1500 a 1800\u201d. \u201cQualquer um que diga hoje que a escravid\u00e3o branca chegou a propor\u00e7\u00f5es t\u00e3o significativas quanto \u00e0s da escravid\u00e3o negra ser\u00e1 invariavelmente tachado de supremacista branco e revisionista hist\u00f3rico\u201d. 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