{"id":889,"date":"2015-03-17T22:23:37","date_gmt":"2015-03-18T01:23:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=889"},"modified":"2015-03-17T22:23:45","modified_gmt":"2015-03-18T01:23:45","slug":"perfumes-e-miasmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/03\/17\/perfumes-e-miasmas\/","title":{"rendered":"PERFUMES E MIASMAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>De Orlando Senna<\/strong><\/p>\n<p><strong>Blog Refletor TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indicado e comentado por Itamar Aguiar<\/strong><\/p>\n<p>De vez em quando o assunto volta \u00e0 tona: filmes com cheiro. Ou a possibilidade disso, dos filmes exibidos em salas de cinema e tamb\u00e9m em \u00e2mbito dom\u00e9stico emanarem odores, somando aos dois sentidos utilizados pelos usu\u00e1rios dessa arte, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o, ao olfato. Sabemos que as artes s\u00e3o dirigidas ao c\u00e9rebro e chegam a ele atrav\u00e9s dos cinco sentidos. Temos a m\u00fasica e a orat\u00f3ria para a audi\u00e7\u00e3o, as artes pl\u00e1sticas para a vis\u00e3o, as artes c\u00eanicas e audiovisuais para o bin\u00f4mio vis\u00e3o\/audi\u00e7\u00e3o, a extensa culin\u00e1ria para o paladar, a tamb\u00e9m extensa perfumaria para o olfato.<\/p>\n<p>O tato \u00e9 o patinho feio nessa rela\u00e7\u00e3o, \u00e9 o sentido menos acessado pelos artistas para produzir emo\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es nas pessoas. Todos n\u00f3s usamos intensamente o tato no nosso pr\u00f3prio corpo e nos corpos dos outros (principalmente em corpos amados ou desejados), nas superf\u00edcies dos elementos s\u00f3lidos e pastosos, no interior de elementos l\u00edquidos (o prazer de um mergulho na \u00e1gua), mas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dedicadas ao tato s\u00e3o raras. N\u00e3o sei porqu\u00ea, talvez voc\u00eas saibam. Mas saio dessa vereda para evitar a tenta\u00e7\u00e3o de pensar sobre o sexto sentido, o paranormal, e voltar ao odor nos filmes.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria registra tentativas de aromatiza\u00e7\u00e3o do cinema desde a d\u00e9cada 1910, antes do cinema sonoro, com a utiliza\u00e7\u00e3o de grandes bolas de algod\u00e3o embebidas em perfume e colocadas diante de ventiladores em teatros da Pensilv\u00e2nia. Nos anos 1930 a estrat\u00e9gia era injetar cheiros atrav\u00e9s de orif\u00edcios no teto das salas, supostamente facilitando a mudan\u00e7a das fragr\u00e2ncias em cada parte do filme. Nos anos 1950 essa varia\u00e7\u00e3o odor\u00edfica foi tentada atrav\u00e9s dos sistemas de ar condicionado. Nenhum procedimento deu certo porque os cheiros permaneciam al\u00e9m do previsto nas salas fechadas e se misturavam com os novos cheiros injetados, resultando em saladas olorosas desagrad\u00e1veis, miasm\u00e1ticas. J\u00e1 senti perfumes em pe\u00e7as de teatro e no desfile de Escolas de Samba no Rio, mas um s\u00f3 perfume \u2014 no cinema a quest\u00e3o \u00e9 que os filmes exigiriam muitos cheiros, bons e ruins.<\/p>\n<p><!--more-->As primeiras tentativas foram promovidas pelos donos das salas e n\u00e3o pelos produtores dos filmes, mas estes logo entraram na brincadeira, inclusive mudando e personalizando a tecnologia. Em vez de odores soprados ou injetados nas salas, cart\u00f5es perfumados para cada espectador. Junto com o bilhete da entrada o espectador recebia alguns cart\u00f5es numerados, que deveriam ser levados ao nariz seguindo os n\u00fameros que apareciam na tela ou eram anunciados a viva voz. Esse procedimento acontecia nas grandes cidades europ\u00e9ias, estadunidenses e, em menor n\u00famero, latino-americanas.<\/p>\n<p>Em 1939 apareceu na Feira Internacional de Nova York o Scentovision, inventado por um certo Hans Lauber, que consistia em um cintur\u00e3o com v\u00e1rios tubos de odores, como uma cartucheira, a serem usados na ordem em que estavam dispostos. Tubos em vez de cart\u00f5es, n\u00e3o havia muita diferen\u00e7a. O Scentovision foi resgatado e rebatizado (Smell-O-Vision) em 1960 pelo produtor Mike Todd Jr, que lan\u00e7ou o filme\u00a0<em>Scent of Mistery<\/em>\u00a0(Perfume de mist\u00e9rio), de Jack Cardiff,\u00a0como um \u201cfilme aromatizado\u201d. Outro fracasso, os exaustores das salas n\u00e3o aspiravam a tempo os cheiros para darem lugar a outros, algumas pessoas sofreram intoxica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sem mais delongas, a aromatiza\u00e7\u00e3o do cinema sempre foi perseguida e nunca foi alcan\u00e7ado um sistema ou uma tecnologia que desse uma resposta adequada. Na nossa hipermodernidade as tentativas prosseguem, inclusive com o dedo da Disney, que andou testando um sistema inspirado nos tubos de Lauber, s\u00f3 que fixados no espaldar das poltronas da sala e controlados digitalmente.<\/p>\n<p>Dizem que os testes continuam e a Disney est\u00e1 confiante no advento do 4D, tecnologia com base em sensores e no controle de elementos como piso, teto, ar, luzes e movimentos das poltronas. Ou seja, promete sensa\u00e7\u00f5es reais tanto em salas de cinema como diante de televisores. Se, vendo um filme, podemos sentir frio, calor, balan\u00e7o do mar e outros baratos, tamb\u00e9m podemos sentir os odores e os fedores do enredo e das personagens. \u00c9 o cinema tentando sobreviver em meio \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o de seus derivados.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio:<\/p>\n<p>No presente artigo, para quem conhece bem Orlando fica manifesta, a amplitude e a profundidade do seu envolvimento com as quest\u00f5es da S\u00e9tima Arte. O novelo do tempo, quando se desenrolava l\u00e1 para os idos dos anos 1980, se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria no ano 1985, na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais, um dos professores rec\u00e9m chegado dos EUA, onde estivera cursando Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o, falava da introdu\u00e7\u00e3o de tecnologias na sala de aula, naquela \u00e9poca no Brasil, as pessoas tinha acesso a TV \u00e0 Cores, mas, ainda n\u00e3o utilizavam como hoje, o computador. Ent\u00e3o em uma das aulas eu poderei: \u00c9 as cores dos objetos na TV s\u00e3o muito bonitas, parecem at\u00e9 mais bonitas do que as cores da Natureza, porem tem um problema, n\u00e3o fedem e nem cheiram.<\/p>\n<p>Eis que hoje passados trinta anos, Orlando fala dos ensaios e erros, dos capit\u00e3es da ind\u00fastria do audiovisual e seus pesquisadores, em fazer com que os cin\u00e9filos do mundo inteiro sintam os odores exalados da pel\u00edcula em exibi\u00e7\u00e3o, apesar das toscas tentativas de \u00f4dorisar o ambiente, a sala dos cinemas, com elementos extra pel\u00edcula, afirma fracassaram nas suas tentativas, n\u00e3o funcionou. Pois \u00e9 caro Orlando! Pelo menos at\u00e9 ent\u00e3o, parece existir mesmo \u201cmais mist\u00e9rios entre o C\u00e9u e a Terra do que imagina a nossa van Filosofia\u201d e eu acrescento, fen\u00f4menos que a Ci\u00eancia e a Tecnologia, a pesar das in\u00fameras tentativas, ainda n\u00e3o deram conta de solucionar.<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s doutorando em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Orlando Senna Blog Refletor TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina Indicado e comentado por Itamar Aguiar De vez em quando o assunto volta \u00e0 tona: filmes com cheiro. 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