{"id":8819,"date":"2023-11-21T21:07:24","date_gmt":"2023-11-22T00:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8819"},"modified":"2023-11-21T21:07:46","modified_gmt":"2023-11-22T00:07:46","slug":"um-vendedor-de-poesias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/11\/21\/um-vendedor-de-poesias\/","title":{"rendered":"UM VENDEDOR DE POESIAS"},"content":{"rendered":"<p>Uma alimenta o corpo e a outra a alma, o esp\u00edrito. Estou falando das feiras de produtos agr\u00edcolas, de cereais, carnes, frutas, mantimentos em geral, bugigangas e tantos outras coisas nas pequenas e grandes cidades, com seus cheiros, sabores e cores, onde acontecem os encontros e encantos atrav\u00e9s das amizades do bom bate-papo, e das liter\u00e1rias com suas ideias, pensamentos, conhecimentos, saberes e livros de autores de diversificados g\u00eaneros. Ambas s\u00e3o culturais, uma mais popular, mas ricas.<\/p>\n<p>Tanto numa como na outra existem aqueles bons vendedores propagandistas e comunicativos que, num bom argumento, sabem atrair o cliente para negociar o \u201cseu peixe\u201d, seja numa barraca, num cantinho qualquer, no ch\u00e3o, na m\u00e3o ou num estande. N\u00e3o importa se o local \u00e9 confort\u00e1vel ou estrat\u00e9gico. O que mais conta como arma principal \u00e9 a palavra, esta que vem do alto e sai da mente com aquela for\u00e7a que arrebenta cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-III.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8820\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-III.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-III.jpg 400w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-III-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na I Fliconquista &#8211; Feira Liter\u00e1ria de Vit\u00f3ria da Conquista. que foi encerrada neste domingo (19\/11\/23), tive o grande prazer de conhecer esse bom vendedor, mas de ideias e poesias, de conversa agrad\u00e1vel e cativante,\u00a0 que segue como um peregrino ou mochileiro de longas caminhadas e hist\u00f3rias para contar. Onde chega ele vai logo pedindo passagem com seu ax\u00e9.<\/p>\n<p>Trata-se do nosso poeta Jos\u00e9 da Boa Morte que veio l\u00e1 da capital, numa dist\u00e2ncia de pouco mais de 500 quil\u00f4metros num \u00f4nibus tipo comercial, mais conhecido como \u201cpinga-pinga\u201d que para em todos lugares. Com sua mochila de imagina\u00e7\u00f5es e sonhos, n\u00e3o teme a hora desde que cheguei em seu destino das letras. \u00c9 isso ai, seu Z\u00e9 da travessia.<\/p>\n<p>Com seu jeito simples e matreiro, atento a tudo que ocorre em seu redor, ele pode ser chamado de o rei das feiras liter\u00e1rias porque est\u00e1 sempre presente nelas. Na Bahia ou em outros estados, l\u00e1 est\u00e1 o Jos\u00e9 cortando estradas, encurtando dist\u00e2ncias entre as veredas e comendo poeiras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-II.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8821\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-II.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-II.jpg 250w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-II-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Olho no olho, falante e contador de causos, usa at\u00e9 seus repentes para vender suas poesias, como Amor e Risos (Sem\u00a0 Fronteiras), livretos \u201cArtPoesia\u201d, da poetisa goiana Cora Coralina (134 anos), Maria Firmina dos Reis, uma negra que canta a liberdade (Poesia, Prosa e Amor) e tantos outros escritores e poetas de renome. Em sua sacola, o perfume das flores.<\/p>\n<p>Tive o privil\u00e9gio de ficar ao seu lado num estante da Fliconquista e aprendi muitas coisas, como abordar o leitor e ser um bom vendedor de ideias. Fizemos uma parceria onde um vendia a obra do outro quando precis\u00e1vamos dar uma saidinha e at\u00e9 participar de algumas atividades que rolavam na feira.<\/p>\n<p>\u201cDaqui do tel\u00e3o, ouvi sua palestra sobre Cenas de Resist\u00eancias na Hist\u00f3ria de Conquista e adorei, uma pot\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es\u201d \u2013 disse-me o Z\u00e9. N\u00e3o sou muito de ligar para elogios, mas quando \u00e9 sincero, sinto que a miss\u00e3o foi cumprida e o recado foi dado. O fundamental \u00e9 a mensagem que fica, mesmo que seja uma s\u00f3 pessoa.<\/p>\n<p>Sempre se diz que o escritor, como o artista de outra linguagem qualquer sabe fazer sua arte, mas se enrola e trope\u00e7a quando parte para comercializar seu trabalho ou entrar nesses editais burocr\u00e1ticos, mas Jos\u00e9 aprendeu a se virar na hora de conquistar um novo leitor. Se o sistema \u00e9 assim, quem est\u00e1 na chuva \u00e9 para se molhar. Ele vai com \u00e2nimo e n\u00e3o desiste, mesmo quando recebe um n\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8822\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA.jpg 350w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/ARTPOESIA-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 da Boa Morte, em homenagem \u00e0 Irmandade da Boa Morte, de Cachoeira &#8211; Bahia, contou que no seu primeiro dia da feira em Conquista, na quinta-feira (dia 16\/11) n\u00e3o vendeu nada e quase retornava, mas repensou e enfrentou com coragem os outros dias. \u201cN\u00e3o posso ser vencido logo no primeiro dia\u201d. \u201cE agora Jos\u00e9\u201d? Tem uma pedra no caminho, mas \u00e9 s\u00f3 retir\u00e1-la. Se perdeu a chave, existe outra forma de entrar.<\/p>\n<p>N\u00e3o se abateu e se deu bem. Ele me fez lembrar do bom barraqueiro das feiras livres que, com sua voz firme na garganta e simpatia, chama o cliente para si mostrando a qualidade do seu produto. Vai chegando meu povo que aqui tem coisa boa &#8211; grita o bom feirante! Nessa hora, n\u00e3o adianta ficar pensando em crises. Na literatura, acontece o mesmo.<\/p>\n<p>O livro, a ab\u00f3bora, a melancia, o pepino ou uma verdura t\u00eam suas peculiaridades e gostos diferentes, mas s\u00e3o iguais na m\u00e3o de um bom vendedor. Jos\u00e9 escolheu o mais dif\u00edcil e vai rompendo trilhas, conhecendo gente nesse mund\u00e3o e acreditando em sua arte de escrever e vender.<\/p>\n<p>\u00c9 o Jos\u00e9 das ideias e das poesias. \u201cQuem sabe faz a hora, n\u00e3o espera acontecer\u201d \u2013 j\u00e1 dizia o cancioneiro Geraldo Vandr\u00e9, o Boby Dilan do sert\u00e3o nordestino. \u201cPara n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores\u201d. L\u00e1 vamos n\u00f3s cruzando a ponte e pedindo passagem nas travessias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma alimenta o corpo e a outra a alma, o esp\u00edrito. 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