{"id":8686,"date":"2023-10-16T21:44:23","date_gmt":"2023-10-17T00:44:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8686"},"modified":"2023-10-16T21:44:36","modified_gmt":"2023-10-17T00:44:36","slug":"vizinhos-nao-se-conhecem-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/10\/16\/vizinhos-nao-se-conhecem-mais\/","title":{"rendered":"VIZINHOS N\u00c3O SE CONHECEM MAIS"},"content":{"rendered":"<p>Foi-se o tempo em que os vizinhos e moradores da mesma rua numa cidade se conheciam e tinham intimidades. Uns frequentavam as casas dos outros e se ajudavam nos momentos de maior aperto. Colocavam suas cadeiras nos passeios em final de tarde para prosear.<\/p>\n<p>As amizades eram sinceras e sempre havia uma fofoqueira ou fofoqueiro, mas sem muitas maldades e o ambiente era at\u00e9 engra\u00e7ado. A fofoca fazia parte das conversas e tinha que ter um do tipo rep\u00f3rter social. Havia aquela (ele) que dizia que sua boca era um t\u00famulo, mas soltava tudo que ouvia. Se voc\u00ea tivesse algum segredo, guardasse, mas se queria espalhar era s\u00f3 contar sua not\u00edcia no p\u00e9 do ouvido do fofoqueiro (a).<\/p>\n<p>Os mais velhos lembram bem quando uma comadre batia na porta da outra comadre pedindo uma x\u00edcara de a\u00e7\u00facar, um pouco de sal, uns ovos para fazer uma omelete, um p\u00f3 de caf\u00e9, uma por\u00e7\u00e3o de farinha ou feij\u00e3o porque a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava boa. O compadre recorria ao outro solicitando um dinheirinho emprestado.<\/p>\n<p>Hoje, principalmente nas grandes cidades, o vizinho nem sabe quem mora ao lado, e quando se batem de frente na vida de correria, n\u00e3o passam de um bom dia. Tem casos que nem isso. S\u00e3o sinais de quanto o progresso desumanizou as pessoas e acabou com os bons relacionamentos.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes o funcion\u00e1rio dos Correios ou de uma empresa qualquer de entregas confunde-se com o endere\u00e7o e bate na porta errada quando a encomenda, na verdade, \u00e9 do vizinho ao lado. Mesmo citando o nome, de Daniel, Mateus ou seu Jos\u00e9, o cara que atende diz desconhecer. Certifica-se que a rua est\u00e1 correta, mas n\u00e3o conhece a pessoa.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com os motoqueiros entregadores de comida, com agentes de sa\u00fade e outros prestadores de servi\u00e7os quando existe uma troca no n\u00famero da casa. Na maioria das vezes, o pedido foi feito pelo vizinho ao lado que o outro afirma desconhecer, mesmo citando o nome. \u201cN\u00e3o \u00e9 aqui a casa de dona Dalva\u201d? A rua \u00e9 esta, mas n\u00e3o sei quem \u00e9 esta Dalva \u2013 responde o vizinho. A Dalva \u00e9 a vizinha.<\/p>\n<p>Nos tempos de hoje, o vizinho desconhece a exist\u00eancia do outro que mora ao lado, divididos apenas por uma parede. Pior ainda s\u00e3o moradores de uma mesma rua que se cruzam para o trabalho ou seus afazeres do dia a dia e um n\u00e3o sabe o nome do outro.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m morre ou acontece uma trag\u00e9dia e come\u00e7a a juntar gente na porta, o cara do outro lado, no meio ou na ponta da rua come\u00e7a a indagar o que est\u00e1 ocorrendo e quem \u00e9 a v\u00edtima que mora naquela casa. Quando descobre por outras bocas, apenas diz que sempre passava pela pessoa, quase que diariamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta pedir informa\u00e7\u00f5es a um morador sobre outro que reside na mesma art\u00e9ria. Vivemos na mesma aldeia, na mesma rua, travessa, pra\u00e7a ou avenida com problemas parecidos, cada um com suas dores e sofrimentos, mas todos s\u00e3o desconhecidos.<\/p>\n<p>Ainda se encontra um calor humano quem vive no campo, na zona rural onde o tempo do progresso e da tecnologia ainda n\u00e3o acelerou tanto como nas cidades. Nos distritos e povoados, mesmo onde uma moradia \u00e9 distante da outra, as pessoas se conhecem. Qualquer problema, especialmente se for grave, \u00e9 s\u00f3 gritar por socorro. Ah, ainda tem os adjut\u00f3rios nas ro\u00e7as, os chamados mutir\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda existe aquele h\u00e1bito do compadre ou da comadre correr at\u00e9 o vizinho (nem tanto) para solicitar uma ajuda quando est\u00e1 necessitado, quer seja na forma de comida, dinheiro e em caso de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda bem que vivem mais distantes dessa loucura que se tornou nosso mundo, todo fragmentado, cheio de guerras, \u00f3dio e intoler\u00e2ncia. No entanto, l\u00e1 j\u00e1 chegou o celular, o r\u00e1dio e a televis\u00e3o (nem em todos lugares), mas as pessoas ainda preservam o sentimento humano e o respeito de um para com o outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi-se o tempo em que os vizinhos e moradores da mesma rua numa cidade se conheciam e tinham intimidades. Uns frequentavam as casas dos outros e se ajudavam nos momentos de maior aperto. Colocavam suas cadeiras nos passeios em final de tarde para prosear. 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