{"id":8681,"date":"2023-10-12T22:13:48","date_gmt":"2023-10-13T01:13:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8681"},"modified":"2023-10-12T22:13:54","modified_gmt":"2023-10-13T01:13:54","slug":"soltaram-um-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/10\/12\/soltaram-um-ai\/","title":{"rendered":"SOLTARAM UM A\u00cd!"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>\u201cQuem primeiro sentiu, do buraco saiu\u201d \u2013 sentenciava mam\u00e3e Cleonice, que dizia saber identificar o peido de cada um l\u00e1 em casa: \u201cEsse \u00e9 de Waldemar (papai), esse \u00e9 de Luiz, esse \u00e9 de Z\u00e9 Carlos. Ah, esse eu j\u00e1 conhe\u00e7o, \u00e9 de Cleomar, e esse j\u00e1 sei que foi de Chico\u201d, citando os filhos. \u00a0Menino tem arte. A gente soltava um embaixo da coberta pra ficar sentindo o \u201caroma\u201d.<\/p>\n<p>A velha sempre repetia um velho ditado sobre um casal: \u201cQuem gosta dos beijos gosta dos peidos\u201d. Haja amor!<\/p>\n<p>Uma amiga me contou que, menina, estava no recreio da escola, quando uma colega muito afoita gritou: \u201cVoc\u00ea peidou\u201d. E ela, muito t\u00edmida, disse que n\u00e3o. A outra insistia, ela negava e j\u00e1 se formava a roda de meninas. \u201cPeidou, sim, que eu vi seu short tremer\u201d.<\/p>\n<p>Piada que surgiu na pandemia: antes, a gente tossia pra disfar\u00e7ar o peido. Hoje, a gente peida pra disfar\u00e7ar a tosse.<\/p>\n<p>Muita gente tenta disfar\u00e7ar quando solta um peido. Alguns procuram sair rapidamente do local da detona\u00e7\u00e3o, outros d\u00e3o um sorriso constrangido ou come\u00e7am a falar sem parar, como se a voz dissipasse o g\u00e1s. Imposs\u00edvel disfar\u00e7ar mesmo \u00e9 quando voc\u00ea vai descendo sozinho no elevador, solta um e entra algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 tamb\u00e9m chamado de bufa, trov\u00e3o de baixo, traque, bomba. Tem uns que assoviam, mas o pior \u00e9 aquele que n\u00e3o faz barulho. Esse \u00e9 igual a um escapamento de g\u00e1s, fruuuuu, que quando come\u00e7a vem sibilante e contamina todo o ambiente em quest\u00e3o de segundos. O que faz barulho n\u00e3o passa de um pum que logo se dissolve.<\/p>\n<p>Uma vez, um amigo presenciou uma cena inusitada dentro de um \u00f4nibus Viaduto da S\u00e9 &#8211; Brotas, em Salvador. Entrou um b\u00eabado e ficou em p\u00e9, quando um passageiro que estava sentado cedeu o lugar para uma mulher cheia de embrulhos. Quando ela se curvou para colocar o embrulho maior na poltrona deixou escapulir um sonoro peido. Ouvido de b\u00eabado \u00e9 o diabo e ele foi logo arrematando: \u201cMinha senhora, a senhora peidou, n\u00e3o tenha vergonha, n\u00e3o. Todo mundo peida. Eu peido, o papa peida, o presidente Geisel peida, o cobrador peida, o motorista peida&#8230;\u201d e a\u00ed houve logo um freio de arruma\u00e7\u00e3o. O motorista ouviu e veio tirar satisfa\u00e7\u00e3o com o b\u00eabado: \u201cVoc\u00ea me ofendeu\u201d. \u201cMas voc\u00ea peida ou n\u00e3o peida? \u201cPeido, sim, mas voc\u00ea est\u00e1 me faltando com o respeito e vai descer do \u00f4nibus agora\u201d. Motorista e cobrador agarraram o b\u00eabado e o colocaram pra fora do \u00f4nibus. Quando o carro arrastou, ouviu-se a indigna\u00e7\u00e3o do b\u00eabado: \u201cQuer dizer que ela peida e quem desce sou eu\u201d.<\/p>\n<p>Em Ipia\u00fa, minha terra natal, existiu o Cine Bufa, assim descrito pelo jornalista Jos\u00e9 Am\u00e9rico Castro: \u201cNo ano de 1969, Dren (Jos\u00e9 de Assis Filho) inaugura na Rua Castro Alves, em um antigo armaz\u00e9m de cacau, uma sala com o seu pr\u00f3prio nome. O Cine Dren roubou do Cine \u00c9den o p\u00fablico mais vibrante e ganhou, por motivos \u00f3bvios, o honroso apelido de \u201cCine Bufa\u201d (&#8230;) No meio da proje\u00e7\u00e3o costumava-se ouvir: \u201cBufaram aqui, t\u00e1 um fedor retado!\u201d (&#8230;) Quando a coisa chegava \u00e0s raias do insuport\u00e1vel, Dren interrompia a proje\u00e7\u00e3o e sa\u00eda cheirando o cangote de cada cin\u00e9filo. Aos cascudos, o principal suspeito era expulso do recinto\u201d. (Fonte: livro \u201cPorta do \u00c9den \u2013 A po\u00e9tica de Jos\u00e9 Am\u00e9rico Castro e o Imagin\u00e1rio Coletivo de Ipia\u00fa\u201d, org. Paulo Andrade Magalh\u00e3es).<\/p>\n<p>Uma vez, Dren recebeu uma intima\u00e7\u00e3o do delegado de Pol\u00edcia por causa da exibi\u00e7\u00e3o de filmes de putaria. Diz o mesmo livro: \u201cA queixa foi prestada pelas freiras do Instituto Sagrada Fam\u00edlia, que moravam na vizinhan\u00e7a do cinema. Elas estavam incomodadas com os chiados indecentes dos atores e com as frases ditas em voz alta pela plateia. As mais moderadas eram do tipo: \u201cvai, sacaninha&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Lembro ainda de um colega de pens\u00e3o que gostava de se exibir no quarto\u00a0 soltando um pum e riscando um f\u00f3sforo para que a plateia visse a chama. Acho que ele foi parar num circo.<\/p>\n<p>Zorra! Queimaram um a\u00ed!<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) \u201cQuem primeiro sentiu, do buraco saiu\u201d \u2013 sentenciava mam\u00e3e Cleonice, que dizia saber identificar o peido de cada um l\u00e1 em casa: \u201cEsse \u00e9 de Waldemar (papai), esse \u00e9 de Luiz, esse \u00e9 de Z\u00e9 Carlos. Ah, esse eu j\u00e1 conhe\u00e7o, \u00e9 de Cleomar, e esse j\u00e1 sei que foi de Chico\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8681"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8682,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8681\/revisions\/8682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}