{"id":8489,"date":"2023-08-19T00:27:41","date_gmt":"2023-08-19T03:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8489"},"modified":"2023-08-19T00:27:50","modified_gmt":"2023-08-19T03:27:50","slug":"a-morte-de-ivan-ilitch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/08\/19\/a-morte-de-ivan-ilitch\/","title":{"rendered":"&#8220;A MORTE DE IVAN ILITCH&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6117.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8490\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6117.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6117.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6117-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ele viveu falando e dialogando com a vida e a morte. O que \u00e9 o certo? O que \u00e9 o incorreto? A luta entre o passado pela ascens\u00e3o e o dinheiro, o presente e o futuro. Ele achava ser um ente especial que n\u00e3o deveria ser atingido pela morte.<\/p>\n<p>\u201cA Morte de Ivan Ilitch\u201d, de Liev Tolst\u00f3i, \u00e9 um conto que mistura existencialismo com espiritualismo e prende o leitor num s\u00f3 f\u00f4lego. \u201cE a morte? Onde ela est\u00e1\u201d? Como narrador, o autor diz que ele estava procurando no seu antigo e habitual medo da morte e n\u00e3o o encontrava. Onde est\u00e1? Que morte? N\u00e3o havia medo algum, porque n\u00e3o havia a morte. Em vez da morte, havia luz.<\/p>\n<p>O autor da obra \u00e9 narrador e, seu personagem, fala em primeira e terceira pessoa quando se refere a ele mesmo em pensamentos sobre o que fez da sua vida e o interroga que poderia ter sido diferente, poderia ter sido melhor. Suas reflex\u00f5es s\u00e3o um mergulho dentro de si mesmo, com pontos existencialistas.<\/p>\n<p>O personagem, Ivan Ilitch Golovin, \u00e9 um funcion\u00e1rio p\u00fablico russo, juiz de instru\u00e7\u00e3o, bem-sucedido. Casa-se com uma mulher exigente e por isso se dedica ao trabalho at\u00e9 ser um magistrado respeitado. Esse trabalho torna-se um ref\u00fagio para evitar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Um dia ele adoece e come\u00e7a a sentir fortes dores nos rins. Os m\u00e9dicos n\u00e3o conseguem diagnosticar seu problema. O ferimento agrava-se e Ivan passa a sofrer e a penar ao ponto de n\u00e3o ter mais dom\u00ednio sobre si. A partir da\u00ed ele passa a questionar a vida e a morte, mas deseja morrer para se livrar das dores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6123.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8491\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6123.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6123.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6123-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ivan come\u00e7a um longo processo em busca do sentido da vida e percebe que teve poucos momentos de significado. Eu acho uma hipocrisia fingir que o sofrimento me impede de fazer coisas pr\u00e1ticas \u2013 confessa para um amigo.<\/p>\n<p>Em certo momento da sua vida de enfermo, ele acha que, por ser um grande funcion\u00e1rio de uma boa posi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deveria ser morto. Sente que \u00e9 invejado. No conto, o autor trava um embate filos\u00f3fico onde o personagem diz n\u00e3o conseguir entender que estava morrendo.<\/p>\n<p>Ivan estudou a l\u00f3gica do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Kiesewetter onde afirma que \u201cCaio \u00e9 uma pessoa, as pessoas s\u00e3o mortais, portanto, Caio \u00e9 mortal\u201d. Para o personagem estava correto em rela\u00e7\u00e3o ao Caio (um Z\u00e8 Ningu\u00e9m comparado ao nosso), mas n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele. Caio era uma pessoa geral, e isso era perfeitamente justo; mas ele n\u00e3o era o Caio e nem uma pessoa geral. Ele sempre fora muito especial em rela\u00e7\u00e3o a todas as outras criaturas.<\/p>\n<p>No conto, Tolst\u00f3i escancara a sociedade de mentiras, das pessoas que procuram viver de apar\u00eancia imitando os mais ricos, como fazia o seu personagem. Em sua doen\u00e7a, ele gostaria de receber carinhos, de ser paparicado e que tivessem pena dele. O que ele via nos rostos da mulher, dos filhos e amigos era s\u00f3 mentiras.<\/p>\n<p>No final da sua morte, o autor narra que todos os tr\u00eas dias, durante os quais, para ele, n\u00e3o havia tempo, ele rolava dentro daquele saco preto, para dentro do qual uma for\u00e7a superior e invis\u00edvel o empurrara. Ele lutava como luta um condenado \u00e0 morte nas m\u00e3os do carrasco, sabendo que n\u00e3o pode se salvar; e a cada minuto ele sentia que, apesar de todos os esfor\u00e7os da luta, estava cada vez mais pr\u00f3ximo daquilo que o aterrorizava.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da doen\u00e7a, conforme narra o escritor, sua vida dividira-se em dois estados de esp\u00edrito opostos, que substitu\u00edam um ao outro: Um era o desespero e a expectativa de uma morte obscura e horr\u00edvel; o outro era a esperan\u00e7a e o interesse em monitorar as atividades de seu corpo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6128.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8492\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6128.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6128.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/IMG_6128-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tolst\u00f3i nasceu em 1828, em Yasnaya Polyana, na R\u00fassia, no tempo do czar, na propriedade rural de seus pais. Ingressou na Universidade de Kazan para estudar l\u00ednguas orientais, mas abandonou o curso para ir a Moscou e depois para Petesburgo. Em 1851 alistou-se no ex\u00e9rcito, servindo no C\u00e1ucaso onde come\u00e7ou sua carreira de escritor. No auge do sucesso passa a ter sucessivas crises existenciais. Fugiu de casa aos 82 anos para se retirar em um mosteiro, mas faleceu a caminho v\u00edtima de pneumonia, na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Ast\u00e1povo, em 1910, quando j\u00e1 estava a caminho as revolu\u00e7\u00f5es socialistas de Lenin, Trotsky e Stalin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele viveu falando e dialogando com a vida e a morte. O que \u00e9 o certo? O que \u00e9 o incorreto? A luta entre o passado pela ascens\u00e3o e o dinheiro, o presente e o futuro. 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