{"id":8428,"date":"2023-07-28T22:47:37","date_gmt":"2023-07-29T01:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8428"},"modified":"2023-07-28T22:47:47","modified_gmt":"2023-07-29T01:47:47","slug":"do-corpo-insepulto-a-luta-por-memoria-verdade-e-justica-um-estudo-do-caso-dinaelza-coqueiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/07\/28\/do-corpo-insepulto-a-luta-por-memoria-verdade-e-justica-um-estudo-do-caso-dinaelza-coqueiro\/","title":{"rendered":"&#8220;DO CORPO INSEPULTO \u00c0 LUTA POR MEM\u00d3RIA, VERDADE E JUSTI\u00c7A-Um Estudo do Caso Dinaelza Coqueiro&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDINAELZA COQUEIRO: MILIT\u00c2NCIA IDEIAS E GUERRILHA&#8221;<\/p>\n<p>De forma did\u00e1tica, a professora Gilneide Padre pontua com detalhes a milit\u00e2ncia pol\u00edtica da conquistense Dinaelza Coqueiro contra o regime ditatorial iniciado com o golpe civil-militar de 1964, desde estudante, em Jequi\u00e9, e depois em Salvador. Ela conta como como se deu sua op\u00e7\u00e3o para entrar na Guerrilha do Araguaia, na regi\u00e3o chamada de Bico do Papagaio (Amazonas, Par\u00e1 e Goi\u00e1s).<\/p>\n<p>A autora do livro \u201cDo Corpo Insepulto \u00e0 luta por Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a\u201d faz um mapeamento da regi\u00e3o e uma cronologia da guerrilha. Em conversa com seus pais, Dinaelza diz que \u201cs\u00f3 nos resta este caminho e \u00e9 com amor que vamos percorr\u00ea-lo\u201d. Ela se referia tamb\u00e9m ao seu companheiro esposo Vandick Coqueiro. O PC do B, de orienta\u00e7\u00e3o mao\u00edsta, decidiu pela luta armada a partir da zona rural, enquanto outros grupos realizaram seus movimentos na \u00e1rea urbana.<\/p>\n<p>Conforme assinala Gilneide, \u00e0s v\u00e9speras do golpe, em 29 de mar\u00e7o de 1964, um grupo de dez militantes viajou para a China com a finalidade de ali realizar um curso pol\u00edtico-militar e aprender as t\u00e1ticas empregadas por Mao Ts\u00e9-tung, de \u201cquando o inimigo avan\u00e7a, recuamos; quando para, o fustigamos, quando se cansa, o atacamos; quando se retira, o perseguimos\u201d, s\u00f3 que as for\u00e7as no Araguaia eram desproporcionais, de cinco a seis mil das for\u00e7as armadas contra 69 combatentes.<\/p>\n<p>Sobre a guerrilha, segundo apurou a autora, quem primeiro chegou \u00e0 regi\u00e3o foi Osvaldo Orlando da Costa, mais conhecido como Osvald\u00e3o, em 1966. Era um negro forte, alto e tinha a simpatia da popula\u00e7\u00e3o do local. Em 1967 chegou o m\u00e9dico Jo\u00e3o Haas Sobrinho, o Juca, que montou um hospital em Porto Franco. A seguir foi a vez de Elza de Lima Monnerat, L\u00edbero Giancarlo e Maur\u00edcio Grabois, que se tornaria o comandante geral. Jo\u00e3o Amazonas e \u00c2ngelo Arroyo chegaram em 1968. Outros foram chegando depois, assim entre os anos de 1969 e 1972 at\u00e9 formarem um contingente de 69, dentre os quais Dinaelza e Vandick, em 1971, adotando os nomes de Mariadina ou Dina e Jo\u00e3o Goiano.<\/p>\n<p>O comando dividiu o grupo em tr\u00eas destacamentos: A, na Faveira, B, na Gamaleira e o C, nos Caianos. Dinaelza e Vandick fizeram parte do Destacamento B, sob o comando de Osvald\u00e3o. As for\u00e7as armadas, a maioria da pol\u00edcia militar, s\u00f3 entraram na \u00e1rea em 12 de abril de 1972 surpreendendo as For\u00e7as Guerrilheiras do Araguaia. Ocorreram tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es e as investidas do regime s\u00f3 terminaram dois anos depois.<\/p>\n<p>Praticamente todos foram aniquilados (56 foram mortos) de forma cruel, inclusive com cabe\u00e7as decepadas. Os corpos dos 56 continuam desaparecidos at\u00e9 os dias atuais, inclusive de Dinaelza e Vandick. Muitos foram jogados nos rios e no mar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDINAELZA COQUEIRO: MILIT\u00c2NCIA IDEIAS E GUERRILHA&#8221; De forma did\u00e1tica, a professora Gilneide Padre pontua com detalhes a milit\u00e2ncia pol\u00edtica da conquistense Dinaelza Coqueiro contra o regime ditatorial iniciado com o golpe civil-militar de 1964, desde estudante, em Jequi\u00e9, e depois em Salvador. 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