{"id":837,"date":"2015-02-23T22:00:26","date_gmt":"2015-02-24T01:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=837"},"modified":"2015-02-23T22:00:34","modified_gmt":"2015-02-24T01:00:34","slug":"mentalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/02\/23\/mentalistas\/","title":{"rendered":"MENTALISTAS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Orlando Senna \u2013 Blog Refletor Tal-Televion Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indicado pelo professor Itamar Aguiar<\/strong><\/p>\n<p>Vivi intensamente a magia do circo na minha inf\u00e2ncia interiorana. Os circos chegavam \u00e0 minha pequena cidade, encantavam e iam embora. Circos modestos, com palha\u00e7os, acrobatas, malabaristas, trapezistas e um m\u00e1gico. A chegada de um circo era sempre um acontecimento marcante e a grande emo\u00e7\u00e3o que produzia em mim e nos meus colegas da escola prim\u00e1ria nos levaram a fazer nosso pr\u00f3prio circo, no quintal da casa de meu primo Augusto Senna Maciel, que organizou e liderou essa aventura infantil. Ensaiamos durante um tempo e fizemos apresenta\u00e7\u00f5es com alguns malabarismos, umas acrobacias bobas em pneus pendurados em \u00e1rvores, duas ou tr\u00eas m\u00e1gicas e cobrando ingresso. Al\u00e9m das crian\u00e7as que conseguimos arrebanhar, tamb\u00e9m alguns pais e av\u00f3s compareceram.<\/p>\n<p>Minha participa\u00e7\u00e3o foi apresentar duas m\u00e1gicas, as primeiras que aprendi e que ainda fa\u00e7o at\u00e9 hoje para impressionar infantes: fazer desaparecer uma moeda que est\u00e1 em minha m\u00e3o e introduzir uma moeda na nuca e resgat\u00e1-la na boca. A\u00ed come\u00e7ou meu ininterrupto interesse pelo ilusionismo, que chegou ao paroxismo, ainda na inf\u00e2ncia, em um espet\u00e1culo que assisti levado por meu pai, no Cine Teatro Guarany de Salvador da Bahia (hoje Espa\u00e7o Ita\u00fa de\u00a0Cinema\u00a0Glauber Rocha).<\/p>\n<p><!--more-->Na adolesc\u00eancia li artigos em almanaques e os raros livros que encontrei sobre o assunto. E tamb\u00e9m frequentei a \u00fanica loja de m\u00e1gicas e truques que existia em Salvador, com a desvantagem que, nessas lojas, o aprendizado de como os truques s\u00e3o feitos (a manipula\u00e7\u00e3o) s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ap\u00f3s a compra do kit com o material.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, no Rio de Janeiro e associado a uma dessas lojas, montei uma pe\u00e7a de teatro (<em>Natal na pra\u00e7a<\/em>, de Henri Gh\u00e9on, com o ambulante Grupo Barra) onde os personagens faziam m\u00e1gicas o tempo todo, buqu\u00eas surgindo em m\u00e3os vazias, fitas coloridas intermin\u00e1veis saindo das bocas, bolas de pingue-pongue desaparecendo de repente e reaparecendo na plat\u00e9ia (com a ajuda de algu\u00e9m do grupo disfar\u00e7ado entre os espectadores). Atualmente vibro com a prolifera\u00e7\u00e3o de programas de TV dedicados ao ilusionismo, principalmente os que apresentam n\u00fameros mentalistas, o g\u00eanero circense que mais me impressiona.<\/p>\n<p>Escrevo sobre isso estimulado pela leitura do livro\u00a0<em>Confesiones de un mentalista<\/em>, do espanhol Crist\u00f3bal Carnero Li\u00f1\u00e1n, lan\u00e7ado recentemente. O mentalismo \u00e9 uma vertente do ilusionismo, arte c\u00eanica que produz no espectador a impress\u00e3o que alguma coisa irreal, sobrenatural, imposs\u00edvel est\u00e1 acontecendo diante de seus olhos. Por isso tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como prestidigita\u00e7\u00e3o, que significa, com origem no latim, agilidade, presteza com os dedos e, por extens\u00e3o, com as m\u00e3os.<\/p>\n<p>O mentalismo soma a essa habilidade e velocidade de movimentos manuais os elementos sugest\u00e3o e hipnose, relacionando suas fa\u00e7anhas com controle mental, vid\u00eancia, telepatia e telecin\u00e9sia. H\u00e1 v\u00e1rios estudos e fic\u00e7\u00f5es sobre a fronteira entre a habilidade e tecnologia dos truques e poderes sobrenaturais (o fen\u00f4meno Harry Houdini, m\u00e1gico h\u00fangaro radicado nos EUA, 1874-1926, talvez seja o mais estudado de todos os ilusionistas inexplic\u00e1veis). Essa \u201carte\u201d existe, historicamente, h\u00e1 cinco mil\u00eanios e, durante per\u00edodos obscurantistas da Era Crist\u00e3, ilusionistas que usavam elementos mentalistas foram queimados na fogueira como bruxos.<\/p>\n<p>Volto ao espet\u00e1culo no Cine Teatro Guarany. Devia ter entre sete e nove anos de idade e a lembran\u00e7a daquele incr\u00edvel acontecimento, talvez o mais impressionante da minha vida, flutua em minha mem\u00f3ria como um g\u00e1s, como um fl\u00faor, como a recorda\u00e7\u00e3o de um sonho antigo. O que me lembro, ou acho que lembro, \u00e9 que as pessoas na plat\u00e9ia come\u00e7aram a reclamar porque o espet\u00e1culo do m\u00e1gico (possivelmente chin\u00eas) n\u00e3o come\u00e7ava. As pessoas passaram a protestar em voz alta, a fazer ru\u00eddos (anos depois meu pai disse que foi um atraso de uma hora \u201cou mais\u201d).<\/p>\n<p>No meio da balb\u00fardia o m\u00e1gico aparece no palco e pergunta o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 informado que est\u00e1 atrasado, j\u00e1 s\u00e3o seis horas da tarde (s\u00f3 como exemplo, n\u00e3o tenho esse detalha na mem\u00f3ria esfiapada). O m\u00e1gico sorri, diz que h\u00e1 um engano, que por favor voltem a consultar seus rel\u00f3gios. Os espectadores olham para seus rel\u00f3gios de pulso e de bolso e ficam estupefatos: marcam cinco horas da tarde e um minuto atr\u00e1s estavam marcando seis. Estupor, surpresa enorme e silenciosa e em seguida aplausos fervorosos. O m\u00e1gico agradeceu e disse que o espet\u00e1culo estava encerrado. Nova consulta aos rel\u00f3gios e tudo volta ao normal: s\u00e3o seis horas outra vez. Hipnose coletiva? Que sei eu.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orlando Senna \u2013 Blog Refletor Tal-Televion Am\u00e9rica Latina Indicado pelo professor Itamar Aguiar Vivi intensamente a magia do circo na minha inf\u00e2ncia interiorana. Os circos chegavam \u00e0 minha pequena cidade, encantavam e iam embora. Circos modestos, com palha\u00e7os, acrobatas, malabaristas, trapezistas e um m\u00e1gico. 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