{"id":8347,"date":"2023-06-30T22:57:50","date_gmt":"2023-07-01T01:57:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8347"},"modified":"2023-06-30T22:57:57","modified_gmt":"2023-07-01T01:57:57","slug":"fluxo-e-refluxo-xxvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/06\/30\/fluxo-e-refluxo-xxvi\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XXVI"},"content":{"rendered":"<p>OS MAL\u00caS E OS MAIORES TRAFICANTES NEGREIROS<\/p>\n<p>Estudiosos e historiadores apresentam diversas vers\u00f5es sobre o significado da palavra mal\u00eas que levantaram uma rebeli\u00e3o na Bahia em 1835, os quais foram massacrados, muitos condenados \u00e0 morte, a trabalhos for\u00e7ados, banidos \u00e0s galeras na \u00c1frica e a chicotadas.<\/p>\n<p>Para Nina Rodrigues e Manuel Querino, os mal\u00eas ou malink\u00e9s, do Alto do Senegal, teriam sido importados para a Bahia com os hauss\u00e1s e mul\u00e7umanos. A Bahia tamb\u00e9m recebeu um grande n\u00famero de jejes e nag\u00f4s-iorub\u00e1s.<\/p>\n<p>Francis de Castelnau, c\u00f4nsul da Fran\u00e7a na Bahia, acreditava na exist\u00eancia de um grupo de negros \u201cniam-niam\u201d, vivendo na regi\u00e3o norte da atual Nig\u00e9ria. Sem muita consist\u00eancia ele escreve que se tratava de \u201cmalais\u201d todos os infi\u00e9is, aqueles que n\u00e3o s\u00e3o mul\u00e7umanos.<\/p>\n<p>Braz Amaral, em notifica\u00e7\u00f5es no livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d, de Pierre Verger, compara mal\u00e9 com m\u00e1-lei, aqueles que n\u00e3o seguiam a lei de Deus. O padre \u00c9tienne Brazil cita seus autores para fazer de mali-nke o homem do hipop\u00f3tamo (A Revolta dos Mal\u00eas).<\/p>\n<p>Jacques Raymundo d\u00e1 a essa palavra iorub\u00e1 o sentido de renegado que adotou o islamismo (Jornal do Com\u00e9rcio, Rio de Janeiro), apontado por Querino. Historiadores contam na Gazeta de Alagoas que ouviram de uma discuss\u00e3o entre negros um chamar o outro de \u201cmal\u00e9 o c\u00f4 o\u201d. Conclu\u00edram que mal\u00e9 era uma express\u00e3o pejorativa entre os nag\u00f4s, enquanto o conjunto da frase que dizer \u201ccampon\u00eas\u201d, ou filhos de uma concubina dos campos.<\/p>\n<p>De acordo com Raymundo, todo dicion\u00e1rio iorub\u00e1 traduz a palavra \u201cimal\u00ea\u201d n\u00e3o como renegado, mas como mul\u00e7umano. Tanto Querino como Nina Rodrigues concordam quanto a \u00e9poca da origem dessa palavra entre os iorub\u00e1s da Nig\u00e9ria, mas tal fato n\u00e3o entra no \u00e2mbito deste estudo. Segundo anota\u00e7\u00f5es de Verger, sua presen\u00e7a no reino de Ardra e em Ajud\u00e1 (Uid\u00e1) era assinalada no s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Fora essa quest\u00e3o dos mal\u00eas, Francisco F\u00e9lix de Souza, Domingos Jos\u00e9 Martins (moravam no Golfo do Benin), Joaquim Pereira Marinho e Joaquim Alves da Cruz Rios (Na Bahia) foram os maiores traficantes de escravos no Brasil, mesmo depois do tr\u00e1fico ter sido proibido pelos ingleses no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX atrav\u00e9s de tratados e conven\u00e7\u00f5es com Portugal, Brasil e outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente em 1850, com a decreta\u00e7\u00e3o da Lei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s, esse tr\u00e1fico cessou, mas alguns se atreviam a burlar a lei. O primeiro artigo da Lei Eus\u00e9bio dizia que \u201cas embarca\u00e7\u00f5es brasileiras encontradas em qualquer lugar, e as estrangeiras encontradas nos portos brasileiros, tendo a bordo escravos, cuja importa\u00e7\u00e3o \u00e9 proibida pela lei de 7 de novembro de 1831, e tendo-se desembarcado, ser\u00e3o apresados pelas autoridades brasileiras ou pelos navios de guerra brasileiros e considerados como importadoras de escravos\u201d.<\/p>\n<p>Aqueles que n\u00e3o tiverem escravos a bordo e nem desembarcados, mas com caracter\u00edsticas daquelas utilizadas para o tr\u00e1fico, ser\u00e3o igualmente apresadas e consideradas como tentado importar cativos. Ser\u00e3o autores do crime os propriet\u00e1rios, o capit\u00e3o ou mestre, o piloto e o contramestre da embarca\u00e7\u00e3o, bem como o sobrecarga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS MAL\u00caS E OS MAIORES TRAFICANTES NEGREIROS Estudiosos e historiadores apresentam diversas vers\u00f5es sobre o significado da palavra mal\u00eas que levantaram uma rebeli\u00e3o na Bahia em 1835, os quais foram massacrados, muitos condenados \u00e0 morte, a trabalhos for\u00e7ados, banidos \u00e0s galeras na \u00c1frica e a chicotadas. 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