{"id":8320,"date":"2023-06-21T21:27:09","date_gmt":"2023-06-22T00:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8320"},"modified":"2023-06-21T21:27:18","modified_gmt":"2023-06-22T00:27:18","slug":"a-bahia-de-hoje-e-a-de-200-anos-nas-lutas-pela-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/06\/21\/a-bahia-de-hoje-e-a-de-200-anos-nas-lutas-pela-independencia\/","title":{"rendered":"A BAHIA DE HOJE E A DE 200 ANOS NAS LUTAS PELA INDEPEND\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p>Quando chega o \u201cDois de Julho\u201d, data da independ\u00eancia da Bahia livre do jugo dos portugueses, historiadores e pesquisadores escrevem muito sobre a hist\u00f3ria daquela \u00e9poca, os fatos, os personagens, os s\u00edmbolos e as lutas travadas que contaram com a participa\u00e7\u00e3o popular de brancos, negros, mulatos, senhores de engenhos e \u00edndios.<\/p>\n<p>No entanto, pouco se fala sobre a Bahia de hoje no campo socioecon\u00f4mico e a de 200 anos na \u00e9poca das lutas pela independ\u00eancia. Os soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos e estudiosos precisam mais se aprofundar nesta quest\u00e3o e mostrar que, depois de 200 anos, continuamos um estado pobre, subjugado pelos poderosos e ainda com os mais baixos \u00edndices nos n\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fada, do desemprego e do saneamento b\u00e1sico em rela\u00e7\u00e3o aos outros estados da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que evolu\u00edmos nos setores da economia, no progresso industrial e tecnol\u00f3gico, nos programas de pol\u00edticas p\u00fablicas e outros itens humanos, mas ainda \u00e9 uma Bahia de muita pobreza, de baixa qualifica\u00e7\u00e3o educacional, carente na sa\u00fade e ainda discriminat\u00f3ria e preconceituosa. Em termos de desenvolvimento humano e justi\u00e7a social, a Bahia est\u00e1 atrasada depois de 200 anos.<\/p>\n<p>Hoje Salvador \u00e9 uma capital de cerca de quatro milh\u00f5es de habitantes, onde mais da metade vive em habita\u00e7\u00f5es irregulares em terrenos insalubres e nos morros, sem a devida infraestrutura (um grande contingente proveniente do \u00eaxodo rural vindo do interior a partir dos anos 70 do s\u00e9culo passado), cheia de problemas e com uma grande d\u00edvida social. As desigualdades sociais s\u00e3o gritantes.<\/p>\n<p>Era uma Bahia de cerca de 100 ou 200 mil moradores da \u00e9poca da escravid\u00e3o, do tr\u00e1fico ilegal praticado pelos senhores de engenho, capit\u00e3es de navios e traficantes de carne humana da costa africana, principalmente do Golfo do Benin, mesmo ap\u00f3s as leis e acordos feitos, em 1831, com a Inglaterra para acabar com este com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Foram estes mesmos negros cativos e emancipados que tiveram uma grande parcela de contribui\u00e7\u00e3o nas lutas pela independ\u00eancia do Dois de Julho de 1823. Ainda hoje, depois de 200 anos, de uma forma mais sofisticada, ao estilo selvagem capitalista, permanece a escravid\u00e3o no trabalho com a explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e com o poder na m\u00e3o dos brancos, como os portugueses de outrora.<\/p>\n<p>UM POUCO DE HIST\u00d3RIA E O INTERIOR<\/p>\n<p>Sobre um pouco de hist\u00f3ria desse bicenten\u00e1rio, um coment\u00e1rio de Alan Rodrigues, num jornal impresso da capital, diz que a conquista da independ\u00eancia do Brasil na Bahia \u00e9 resultado de uma s\u00e9rie de movimentos e mobiliza\u00e7\u00f5es espalhados por todo estado. O sonho era se libertar da coroa portuguesa. O sonho continua em outras frentes libert\u00e1rias, especialmente dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Segundo Alan, a origem da tropa patriota que enfrentaria os portugueses come\u00e7ou a se formar muito antes do Dois de Julho. Em fevereiro de 1822, antes de D. Pedro I decretar a independ\u00eancia no Grito do Ipiranga (Independ\u00eancia ou Morte), tiveram in\u00edcio os conflitos em solo baiano e tropas recuaram do Forte de S\u00e3o Pedro para o Rec\u00f4ncavo Norte, na Casa da Torre.<\/p>\n<p>Conta o pesquisador que Ant\u00f4nio Joaquim Pires de Carvalho, senhor da Casa da Torre, arregimentou um embri\u00e3o do ex\u00e9rcito libertador composto de brancos, negros, mesti\u00e7os e \u00edndios. A Casa da Torre, que servia de ponto de vigil\u00e2ncia contra os inimigos estrangeiros no mar, tornou-se uma das principais bases de comando da guerra.<\/p>\n<p>Joaquim Pires de Carvalho, senhor de engenho se tornou capit\u00e3o-mor agregado \u00e0 vila de Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o e primeiro comandante da tropa patriota, como ressalta Alan Rodrigues. A Feira de Capuame (Dias D\u00b4\u00c1vila) forneceu mantimentos para os soldados e armazenou armas e muni\u00e7\u00f5es, de acordo com o historiador Diego Copque em seu livro \u201cA Presen\u00e7a do Rec\u00f4ncavo Norte da Bahia na Consolida\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Historiadores descrevem que o acesso ao local era feito pela Estrada das Boiadas, com in\u00edcio na freguesia de Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo e passava por Piraj\u00e1, \u00c1gua Comprida (Sim\u00f5es Filho), Moritiba do Rio Joanes, chegando a Camassary, Capuame at\u00e9 chegar ao A\u00e7u da Torre. Por esse caminho o gado era levado para o matadouro de Barbalho. As tropas bloquearam essa estrada e os portugueses ficaram sem suprimentos.<\/p>\n<p>Alan assinala que foi no primeiro centen\u00e1rio (1923) que foi inaugurada a primeira estrada Salvador-Feira (n\u00e3o essa BR-324). \u00c0s margens dessa estrada, em 27 de julho de 1822, foi instalado, no Engenho Novo Cotegipe, um quartel-general, a quatro l\u00e9guas de S\u00e3o Bartolomeu de Piraj\u00e1.<\/p>\n<p>Outros munic\u00edpios tamb\u00e9m contribu\u00edram para arregimentar apoiadores. A C\u00e2mara da Vila de Nossa Senhora da Purifica\u00e7\u00e3o de Santo Amaro foi a primeira Casa Legislativa a se pronunciar pelo reconhecimento de D. Pedro I como regente constitucional do Brasil, como informa a diretora geral do Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural (IPAC), Luciana Mandelli.<\/p>\n<p>Outro munic\u00edpio que teve importante papel na independ\u00eancia foi Saubara, pois sua localiza\u00e7\u00e3o representava entreposto para o Rio Paragua\u00e7u e prote\u00e7\u00e3o de outras localidades. Vlademir Pinheiro, diretor da Funda\u00e7\u00e3o Pedro Calmon, enfatiza a participa\u00e7\u00e3o feminina ao citar o movimento \u201cAs Caretas do Mingau\u201d.<\/p>\n<p>Eram mulheres de religi\u00e3o de matriz africana se fantasiavam para assustar os portugueses cat\u00f3licos e, assim, levar mingau para as tropas que se escondiam na mata. Dentro da hist\u00f3ria da independ\u00eancia, muita coisa foi resgatada atrav\u00e9s da oralidade do povo, como foi o caso de Felipa, de Itaparica, considerada uma das hero\u00ednas nas batalhas.<\/p>\n<p>A Ilha de Itaparica teve tamb\u00e9m papel decisivo nos confrontos, interrompendo o abastecimento de tropas de Portugal \u2013 segundo Alan Rodrigues.\u00a0 Outra cidade de destaque nas lutas foi Caetit\u00e9, aqui em nossa regi\u00e3o sudoeste, que aderiu, em 15 de agosto de 1822, a proposi\u00e7\u00e3o do Brasil ter um \u00fanico poder central executivo.<\/p>\n<p>Caetit\u00e9 mobilizou o sert\u00e3o baiano, com apoio financeiro, homens, armamentos e mantimentos para Cachoeira, sede do governo provis\u00f3rio. Os combatentes desta cidade ainda expulsaram os portugueses remanescentes ap\u00f3s a vit\u00f3ria atrav\u00e9s de lutas travadas pelo grupo chamado \u201cmata-marotos.<\/p>\n<p>Embora o Dois de Julho seja tombado como bem imaterial da Bahia, em tese ficou resumido ao cortejo de Salvador. A diretora do IPAC, Luciana, vai entregar um projeto de revalida\u00e7\u00e3o do cortejo atrav\u00e9s de um edital para recebimento de propostas de invent\u00e1rio (Lei Paulo Gustavo), para levantamento de acontecimentos e personagens que fizeram parte das lutas.<\/p>\n<p>De acordo com informa\u00e7\u00f5es, cada munic\u00edpio vai ganhar um busto que simbolize a passagem do Dois de Julho. Luciana cita a luta dos abolicionistas, a participa\u00e7\u00e3o de Caetit\u00e9 e Vera Cruz. O projeto visa incluir todos baianos na luta de resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o c\u00edvica, pol\u00edtica e popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando chega o \u201cDois de Julho\u201d, data da independ\u00eancia da Bahia livre do jugo dos portugueses, historiadores e pesquisadores escrevem muito sobre a hist\u00f3ria daquela \u00e9poca, os fatos, os personagens, os s\u00edmbolos e as lutas travadas que contaram com a participa\u00e7\u00e3o popular de brancos, negros, mulatos, senhores de engenhos e \u00edndios. 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