{"id":8292,"date":"2023-06-10T23:08:33","date_gmt":"2023-06-11T02:08:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8292"},"modified":"2023-06-10T23:08:43","modified_gmt":"2023-06-11T02:08:43","slug":"fluxo-e-refluxo-xxiii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/06\/10\/fluxo-e-refluxo-xxiii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XXIII"},"content":{"rendered":"<p>\u201cINCENTIVO OFICIAL DAS AUTORIDADES BRIT\u00c2NICAS AOS IMIGRANTES \u201cBRASILEIROS\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a obra \u201cFluxo e Refluxo\u201d, de Pierre Verger, os imigrantes de Serra Leoa formavam em Lagos uma classe m\u00e9dia de comerciantes e de funcion\u00e1rios subalternos na administra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o que recebiam em seu pais, a ado\u00e7\u00e3o da l\u00edngua inglesa, o protestantismo que exibiam e a sua condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os brit\u00e2nicos os tornavam mais pr\u00f3ximos dos funcion\u00e1rios e comerciantes ingleses vindos da metr\u00f3pole do os imigrantes brasileiros, separados dos brit\u00e2nicos pelos seus h\u00e1bitos do Brasil, pela religi\u00e3o cat\u00f3lica e pela pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de estrangeiros.<\/p>\n<p>Os \u201cbrasileiros\u201d simplesmente eram vistos como parentes pobres ao lado dos habitantes de Serra Leoa. A administra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica adotava um certo preconceito com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil e aos brasileiros. No entanto, africanos emancipados que voltavam para Lagos eram bem-vindos, e o c\u00f4nsul Benjamin Campbell procurava estimular os navios da Bahia a irem para Lagos e n\u00e3o para Uid\u00e1.<\/p>\n<p>A mesma linha de conduta foi tamb\u00e9m seguida pelos governadores de Lagos at\u00e9 fins do s\u00e9culo XIX, mas eles consideravam \u201ciorub\u00e1s repatriados\u201d e n\u00e3o \u201cimigrantes brasileiros\u201d.<\/p>\n<p>Em 1871, o governador de Lagos, John Hawley Glover, dizia que a terra estava destinada a ser povoada e cultivada pelos escravos emancipados de volta do Brasil e pelos imigrantes do interior. Em 1872 ele escrevia sobre as constantes chegadas de imigrantes brasileiros. John recomendava que esses brasileiros, para ele semicivilizados, fossem acolhidos por serem bons agricultores.<\/p>\n<p>Em mensagem entre autoridades brasileiras, o governador afirmava que o repatriamento de seus artes\u00e3os e agricultores qualificados \u00e9 particularmente desej\u00e1vel e deveria receber incentivo geral. Em 1887, o ingl\u00eas parlamentar Cornelius Alfred Moloney foi um dos maiores incentivadores para a ida de brasileiros para Lagos. Na \u00e9poca ele sugeriu uma linha direta de navios a vapor saindo da Bahia para Lagos, ao inv\u00e9s da viagem ser feita por veleiros.<\/p>\n<p>Sobre os \u201cbrasileiros\u201d, Cornelius dizia que eram os nascidos na regi\u00e3o iorub\u00e1 que foram capturados e enviados para o Brasil como escravos; ou os seus descendentes; ou, em certos casos, alguns que, tendo sido levados tamb\u00e9m como escravos para o Brasil de outros pontos da \u00c1frica, fixaram-se em Lagos.<\/p>\n<p>Segundo Cornelius, os brasileiros come\u00e7aram a ser estabelecer em Lagos por volta de 1847, desde que passou a haver certa seguran\u00e7a, em consequ\u00eancia do incentivo e das garantias dadas aos negros do Brasil por uma visita do chefe tapa, conhecido como Osodi, sob a autoridade de Kosoko, ent\u00e3o rei de Lagos.<\/p>\n<p>Em 1871 havia 1237 repatriados do Brasil. Dez anos depois esse n\u00famero passou para 2.732. A m\u00e3o-de-obra do Brasil naquela \u00e9poca era constitu\u00edda sobretudo de ex-escravos e seus descendentes e de negros escravos. S\u00f3 na Bahia, segundo relat\u00f3rio consular de 1884, existiam 108 mil escravos de todo Imp\u00e9rio do Brasil, a maioria nas culturas de cacau, caf\u00e9, arroz, \u00edndigo, tabaco e algod\u00e3o. Todos esses produtos podiam ser aclimatados em Lagos.<\/p>\n<p>Foram criadas linhas de navios a vapor da Bahia para Lagos em comum acordo com os governos e companhias particulares, mas n\u00e3o deram bons resultados, sem bem que muitos continuaram a fazer esse caminho de volta atrav\u00e9s de veleiros. O sr. Conerlius acreditava que o retorno dos trabalhadores africanos do Brasil proporcionaria a cria\u00e7\u00e3o de novas culturas em Lagos.<\/p>\n<p>Os \u201cbrasileiros\u201d e os cubanos formavam um grupo homog\u00eaneo e compunham uma sociedade em que as preocupa\u00e7\u00f5es mundanas n\u00e3o estavam ausentes. A aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, em 1888, foi bastante festejada nas col\u00f4nias em Lagos, conforme descreviam os jornais locais africanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cINCENTIVO OFICIAL DAS AUTORIDADES BRIT\u00c2NICAS AOS IMIGRANTES \u201cBRASILEIROS\u201d De acordo com a obra \u201cFluxo e Refluxo\u201d, de Pierre Verger, os imigrantes de Serra Leoa formavam em Lagos uma classe m\u00e9dia de comerciantes e de funcion\u00e1rios subalternos na administra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica. 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