{"id":8265,"date":"2023-06-02T22:43:15","date_gmt":"2023-06-03T01:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8265"},"modified":"2023-06-02T22:43:22","modified_gmt":"2023-06-03T01:43:22","slug":"fluxo-e-refluxo-xxii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/06\/02\/fluxo-e-refluxo-xxii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XXII"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNO DAOM\u00c9, DECAD\u00caNCIA PROGRESSIVA DOS DESCENDENTES DOS GRANDES COMERCIANTES BRASILEIROS; LENTA FORMA\u00c7\u00c3O DE UMA SOCIEDADE DE PEQUENOS COMERCIANTES E DE ARTES\u00c3OS QUE RETORNARAM DO BRASIL\u201d.<\/p>\n<p>Como vimos em coment\u00e1rios anteriores, a partir de 1835, com a Revolta dos Mal\u00eas, muitos africanos escravos e libertos fizeram a viagem de retorno para o Golfo do Benin e l\u00e1 se estabeleceram como comerciantes e artes\u00e3os (pedreiros, carpinteiros, marceneiros e outras profiss\u00f5es). Na \u00c1frica, para os nativos e ind\u00edgenas eles eram chamados de \u201cbrasileiros brancos\u201d.<\/p>\n<p>Em \u201cFluxo e Refluxo\u201d, de Pierre Verger, nas cidades de Uid\u00e1, Agou\u00e9, Porto Novo e Lagos, os \u201cbrasileiros\u201d emancipados que tinham voltado encontravam-se at\u00e9 1850 diante de um grupo numeroso de brasileiros e portugueses. Viajantes calculavam em duzentos, todos mais ou menos envolvidos no tr\u00e1fico de escravos e integrados na vida da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns eram at\u00e9 mesmo dignit\u00e1rios do reino de Abom\u00e9 (Daom\u00e9), com direito a guarda-sol e uma escolta de m\u00fasicos, carregadores de redes e servidores armados, como os chefes daomeanos. Eram submissos \u00e0s leis do pa\u00eds e, quando morriam, todos seus bens passavam para o rei, que transmitia apenas uma parte aos herdeiros.<\/p>\n<p>Pierre Verger relata que quando o Xax\u00e1 Francisco F\u00e9lix de Souza, o todo poderoso, morreu, em 1849, os cargos por ele desempenhados foram divididos entre os tr\u00eas filhos Isidoro, que se tornou Xax\u00e1, In\u00e1cio, o cabe\u00e7a e Ant\u00f4nio que recebeu o t\u00edtulo de amigo do rei.<\/p>\n<p>Sobre o Isidoro, o c\u00f4nsul ingl\u00eas Beecroft escrevia que este homem est\u00e1 agora vendido ao rei do Daom\u00e9, por toda vida e n\u00e3o ousar\u00e1 sair do pa\u00eds. \u201c\u00c9 um personagem aborrecido, e eu n\u00e3o gostaria de me encontrar em seu caminho\u201d.<\/p>\n<p>Tanto o comandante Forbes como o c\u00f4nsul ressaltam a forte autoridade que o rei de Daom\u00e9 exercia sobre os brasileiros e de quanto eles lhes eram submissos. Numa rela\u00e7\u00e3o entre os ingleses e o rei, afirmavam que o Xax\u00e1 parecia contrariado e n\u00e3o sabia exatamente qual era a sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir de 1863, com o fim do tr\u00e1fico de escravos em Cuba e com a morte de Domingos Jos\u00e9 Martins (grande traficante), a situa\u00e7\u00e3o dos \u201cbrasileiros\u201d sofreu um eclipse durante uns trinta anos. O com\u00e9rcio de azeite de dend\u00ea era praticamente monopolizado pelos comerciantes franceses Regis. Somente os Xax\u00e1s (Isidoro tinha morrido em 1858) possu\u00edam algum prest\u00edgio.<\/p>\n<p>Quanto ao com\u00e9rcio, o Journal Officiel dava uma dimens\u00e3o da import\u00e2ncia ocupada pelos \u201cbrasileiros\u201d. Citava, por exemplo, que em 1882, sete dos 25 negociantes instalados em todo pa\u00eds eram \u201cbrasileiros\u201d, e que 78 dos 154 comerciantes tamb\u00e9m o eram. Quase um ter\u00e7o dos negociantes e metade dos comerciantes.<\/p>\n<p>Em Lagos, segundo o c\u00f4nsul Benjamin Campbell, existiam 130 fam\u00edlias emancipadas por seus pr\u00f3prios esfor\u00e7os no Brasil que faziam parte da popula\u00e7\u00e3o desta cidade, isto em 1853. Esses africanos, outrora escravos, trabalharam nas planta\u00e7\u00f5es e minas do Brasil. \u201cEles souberam com sua capacidade e conduta resgatar a pr\u00f3pria liberdade e a de suas mulheres e filhos\u201d. Eram todos origin\u00e1rios da regi\u00e3o iorub\u00e1, da prov\u00edncia dos egb\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNO DAOM\u00c9, DECAD\u00caNCIA PROGRESSIVA DOS DESCENDENTES DOS GRANDES COMERCIANTES BRASILEIROS; LENTA FORMA\u00c7\u00c3O DE UMA SOCIEDADE DE PEQUENOS COMERCIANTES E DE ARTES\u00c3OS QUE RETORNARAM DO BRASIL\u201d. 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