{"id":8245,"date":"2023-05-29T23:54:51","date_gmt":"2023-05-30T02:54:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8245"},"modified":"2023-05-29T23:55:10","modified_gmt":"2023-05-30T02:55:10","slug":"o-forro-das-festas-juninas-e-suas-origens-que-foram-deturpadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/05\/29\/o-forro-das-festas-juninas-e-suas-origens-que-foram-deturpadas\/","title":{"rendered":"O FORR\u00d3 DAS FESTAS JUNINAS E SUAS ORIGENS QUE FORAM DETURPADAS"},"content":{"rendered":"<p>A maior festa nordestina, que fala dos costumes, dos h\u00e1bitos e da cultura do povo dessa regi\u00e3o, est\u00e1 batendo em nossas portas, mas, infelizmente, de uma forma descaracterizada de quando surgiu no final do s\u00e9culo XIX atrav\u00e9s dos bailes populares chamados de \u201cforrobod\u00f3\u201d (do franc\u00eas faux bourdone), \u201cforrobodan\u00e7a\u201d ou at\u00e9 mesmo de \u201cforrobod\u00e3o\u201d \u2013 conforme ressalta a professora, escritora, arte-educadora e fot\u00f3grafa Laura Aidar.<\/p>\n<p>No entanto, de acordo com ela, o forr\u00f3 \u00e9 uma express\u00e3o genuinamente nordestina por ser uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural ampla, e seu termo tem diversos significados podendo servir para designar o ritmo musical (hoje misturado), o estilo de dan\u00e7a e a festividade onde acontece. \u00a0Antigamente era preciso molhar o piso do local, pois as festas eram feitas em ch\u00e3o batido.<\/p>\n<p>Historiadores e pesquisadores relatam que o forr\u00f3 nasceu mesmo em 1930, mas foi popularizado e globalizado a partir de 1950 com Luiz Gonzaga, o Trio do Forr\u00f3, a migra\u00e7\u00e3o nordestina para outros estados do sul e sudeste e a divulga\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, principalmente do r\u00e1dio quando era o ve\u00edculo predominante do povo e dos artistas.<\/p>\n<p>O termo \u201cforrobod\u00f3\u201d pode ser tamb\u00e9m africano, mas existe ainda a vers\u00e3o inglesada da festa do \u201cfor all\u201d quando engenheiros brit\u00e2nicos estiveram em Pernambuco na constru\u00e7\u00e3o de uma estrada de ferro. O arrasta o p\u00e9 tem uma certa semelhan\u00e7a com o tor\u00e9 ind\u00edgena. Dentro das festas juninas temos as quadrilhas tipicamente francesas.<\/p>\n<p>Ainda segundo estudiosos, foi o povo que popularizou o forr\u00f3 em 1937, com o forr\u00f3 na ro\u00e7a de Manuel Queir\u00f3s e Xerem. Uma das primeiras empresas a gravar o ritmo do forro foi a RCA Victor. As letras falavam sempre de temas nordestinos, amores, saudades, da vida, se bem que atualmente houve muitas mudan\u00e7as nas composi\u00e7\u00f5es e nos ritmos, incluindo o arrocha, a lambada e at\u00e9 mesmo o ax\u00e9.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo o forr\u00f3 foi dando sequ\u00eancia a outros g\u00eaneros, como o bai\u00e3o, criado por Luiz Gonzaga (o rei do bai\u00e3o) e Humberto Teixeira, o xote, o xaxado, o coco, embolada, o arrasta-p\u00e9 (arrastar o p\u00e9 no ch\u00e3o para n\u00e3o fazer poeira) e o roj\u00e3o. Dizem que o bai\u00e3o tem sua origem no ludu e na polca.<\/p>\n<p>O xote, do shottische (alem\u00e3o), era uma dan\u00e7a de sal\u00e3o trazida da Europa para o Brasil no meado do s\u00e9culo XIX quando surgiu o xote p\u00e9 de serra (forr\u00f3 p\u00e9 de serra), com letras jocosas e humor\u00edsticas.<\/p>\n<p>O xaxado, na forma de um sapateado de sand\u00e1lias arrastadas no ch\u00e3o, tem sua liga\u00e7\u00e3o com o canga\u00e7o como dan\u00e7a masculina porque entre eles n\u00e3o haviam mulheres para fazer o par. Fazia-se a dan\u00e7a em c\u00edrculos ou em fila indiana, conforme cita\u00e7\u00e3o do folclorista C\u00e2mara Cascudo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Luiz Gonzaga, temos ainda grandes nomes que enalteceram e popularizaram o forr\u00f3, como Jackson do Pandeiro, Marin\u00eas, Dominguinhos, Sivuca e tantos outros. Na d\u00e9cada de 1970, Z\u00e9 Ramalho, Elba Ramalho e Geraldo Azev\u00eado criaram outras sonoras para o forr\u00f3 com novos instrumentos, como a guitarra, Baixo, o teclado, o sax, a bateria e o viol\u00e3o. Antes o forr\u00f3 era composto somente pelo tri\u00e2ngulo, a sanfona e a zabumba.<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 90 fizeram sucessos as bandas Falamansa, Forro\u00e7acana, Rastap\u00e9, Trio Forroz\u00e3o, Raiz do Sena e Bicho do P\u00e9, entrando na onda das novas tecnologias e da globaliza\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio dos anos 2000 tivemos ainda o surgimento do Forr\u00f3 Universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Dia do Forr\u00f3 \u00e9 celebrado em 13 de dezembro em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga, s\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 tanto festejado como o Dia do Samba. A verdade \u00e9 que neste s\u00e9culo de exist\u00eancia, o forr\u00f3 foi deturpado e hoje os prefeitos contratam bandas e cantores que nada t\u00eam a ver com o ritmo. S\u00e3o os chamados oportunista que recebem altos cach\u00eas com o dinheiro do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior festa nordestina, que fala dos costumes, dos h\u00e1bitos e da cultura do povo dessa regi\u00e3o, est\u00e1 batendo em nossas portas, mas, infelizmente, de uma forma descaracterizada de quando surgiu no final do s\u00e9culo XIX atrav\u00e9s dos bailes populares chamados de \u201cforrobod\u00f3\u201d (do franc\u00eas faux bourdone), \u201cforrobodan\u00e7a\u201d ou at\u00e9 mesmo de \u201cforrobod\u00e3o\u201d \u2013 conforme [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8245"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8246,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8245\/revisions\/8246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}