{"id":8137,"date":"2023-04-28T23:48:15","date_gmt":"2023-04-29T02:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8137"},"modified":"2023-04-28T23:48:39","modified_gmt":"2023-04-29T02:48:39","slug":"fluxo-e-refluxo-xvii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/04\/28\/fluxo-e-refluxo-xvii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XVII"},"content":{"rendered":"<p>PRINCIPAIS COMERCIANTES DA BAHIA QUE TOMARAM PARTE NO TR\u00c1FICO CLANDESTINO DE ESCRAVOS<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX quando, atrav\u00e9s de tratados, conven\u00e7\u00f5es e acordos com a Inglaterra o tr\u00e1fico de cativos foi proibido, os maiores centros comercias eram a Bahia e o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d, Pierre Verger abre um cap\u00edtulo onde aponta os maiores traficantes ilegais, com destaque para Francisco F\u00e9lix de Souza, o Xax\u00e1 de Uid\u00e1, como era mais conhecido. Naquela \u00e9poca, segundo Verger, esse comerciante era considerado o homem mais rico da terra.<\/p>\n<p>Esses traficantes eram vistos como \u00fateis e desej\u00e1veis para o bem maior da economia nacional. \u201cEles tinham, consequentemente, \u201cboa consci\u00eancia\u201d. A correspond\u00eancia oficial brasileira fala \u201cde um com\u00e9rcio triste\u201d, mas o \u00fanico capaz de fornecer os bra\u00e7os indispens\u00e1veis para as minas e para as culturas do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O autor assinala em sua obra que os navios apresados pelos ingleses geralmente iam para a Serra Leoa onde se dava o julgamento dos traficantes. Libertados, esses negros terminavam seguindo para as Antilhas brit\u00e2nicas como trabalhadores livres. No entanto, de acordo com historiadores, eles n\u00e3o eram consultados para onde queriam ir.<\/p>\n<p>Comerciantes baianos acumularam fortunas, tanto com o tr\u00e1fico de escravos quanto em outras opera\u00e7\u00f5es comerciais, como Jos\u00e9 de Cerqueira Lima, Ant\u00f4nio Pedroso de Albuquerque, Jos\u00e9 e Joaquim Alves da Cruz Rios e Joaquim Pereira Marinho. Este era outro rico que chegou a ser provedor da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia. At\u00e9 hoje tem uma est\u00e1tua dele em frente do Hospital Santa Isabel.<\/p>\n<p>Muitos passavam uma parte do seu tempo na Bahia e outra no Golfo do Benin, como Andr\u00e9 Pinto da Silveira e Manuel Joaquim D\u00b4Almeida. Existiam ainda aqueles que viviam completamente instalados em Benin, os casos de Francisco F\u00e9lix de Souza, Domingos Jos\u00e9 Martins, Marcos Borges Ferras, Joaquim D\u00b4Almeida e Jos\u00e9 Francisco dos Santos (o Alfaiate).<\/p>\n<p>Muitos capit\u00e3es de navios negreiros se tornaram propriet\u00e1rios de vasos comerciantes, como Inoc\u00eancio Marques de Santa Anna, antigo int\u00e9rprete da embaixada do rei do Daom\u00e9, em 1805. Verger cita tamb\u00e9m Jo\u00e3o Cardosos dos Santos que, de 1825 a 1827, chegou a ser capit\u00e3o do Henriqueta pertencente a Jos\u00e9 de Cerqueira Lima.<\/p>\n<p>Mais tarde, este capit\u00e3o passou a ser dono da goleta Umbelina. Em 1829 ele tirou um passaporte que lhe permitia trazer de Cabinda 358 escravos, s\u00f3 que ia para outro local proibido acima da linha do Equador. Em Lagos, por exemplo, ele embarcou 377 cativos. Sua embarca\u00e7\u00e3o foi capturada em 1830 e levada para Serra Leoa. Nessa travessia morreram 214 negros.<\/p>\n<p>O grande nome do comerciante daquela \u00e9poca de 1824, conforme relata o governador Francisco Marques de G\u00f3es Calmon era Jos\u00e9 Cerqueira Lima, com um enorme tr\u00e1fico de importa\u00e7\u00e3o de escravos da costa ocidental da \u00c1frica, propriet\u00e1rio do pequeno pal\u00e1cio no Corredor da Vit\u00f3ria, que conhecemos durante muitos anos como pal\u00e1cio presidencial dos presidentes da prov\u00edncia e, em seguida, dos governadores, no momento da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Aquele im\u00f3vel comunicava com a praia por um longo subterr\u00e2neo que servia de passagem aos comboios de escravos. Ele mandou abrir um subterr\u00e2neo, a fim de poder fazer vir com seguran\u00e7a sua mercadoria para terra desde o mar, tendo em vista que o tr\u00e1fico n\u00e3o era mais permitido. Esses e outros eram riqu\u00edssimos que possu\u00edam mans\u00f5es luxuosas, m\u00f3veis da Europa e pratarias em ouro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PRINCIPAIS COMERCIANTES DA BAHIA QUE TOMARAM PARTE NO TR\u00c1FICO CLANDESTINO DE ESCRAVOS No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX quando, atrav\u00e9s de tratados, conven\u00e7\u00f5es e acordos com a Inglaterra o tr\u00e1fico de cativos foi proibido, os maiores centros comercias eram a Bahia e o Rio de Janeiro. 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