{"id":813,"date":"2015-02-10T22:54:54","date_gmt":"2015-02-11T01:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=813"},"modified":"2015-02-10T22:55:19","modified_gmt":"2015-02-11T01:55:19","slug":"o-diploma-em-troca-da-bola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/02\/10\/o-diploma-em-troca-da-bola\/","title":{"rendered":"O DIPLOMA EM TROCA DA BOLA"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>O jogo Bahia x Jacobina, pela segunda rodada do Campeonato Baiano, foi deslocado, no \u00faltimo dia 7, da Fonte Nova para Pitua\u00e7u, porque a administra\u00e7\u00e3o da nova arena decidiu trocar o futebol pela formatura de um curso de Direito. Esse fato, somado a tantos outros ocorridos nos \u00faltimos anos, e que culminaram com os 7 a 1 aplicados pela Alemanha no Brasil, revela que o nosso principal esporte est\u00e1 afundando no fosso da desmoraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ter que testemunhar a agonia daquele que j\u00e1 foi o seu entretenimento favorito o brasileiro est\u00e1 deixando de frequentar os est\u00e1dios, alguns deles superfaturados, constru\u00eddos com dinheiro p\u00fablico para a Copa do Mundo de 2014, hoje j\u00e1 tomando a forma de \u201celefantes brancos\u201d. A segunda rodada dos campeonatos estaduais deste ano foi assistida, na m\u00e9dia, por um p\u00fablico pagante de pouco mais de 5 mil pessoas.<\/p>\n<p>Na Bahia, observados os 12 jogos disputados pelo campeonato estadual, somente dois deles \u2013 Vit\u00f3ria da Conquista x Bahia e Bahia x Jacobina \u2013 apresentaram uma receita maior do que a despesa. A presen\u00e7a do time da capital no \u201cLomant\u00e3o\u201d, no dia 1\u00ba passado, foi, inegavelmente, respons\u00e1vel pelos R$ 76 mil embolsados pelo clube conquistense. Os 5.726 torcedores \u2013 o p\u00fablico, na verdade, nas arquibancadas do est\u00e1dio, era o dobro \u2013 proporcionaram uma renda de R$ 115.210,00. As despesas, incluindo os R$ 700 deduzidos para o lanche de mais de 200 policiais militares, dispararam em R$ 37.692,00.<\/p>\n<p><!--more-->No mesmo dia, o Vit\u00f3ria jogando em sua casa, onde o leque de descontos \u00e9 menor, teve uma perda de R$ 21.898,00, ressaltando que os PMs que trabalharam no \u201cBarrad\u00e3o\u201d consumiram R$ 2.324,00 em sandu\u00edches e refrigerantes. Uma semana depois, o \u201cLomant\u00e3o\u201d recebeu a visita do Vit\u00f3ria. Apenas 724 torcedores passaram pelas bilheterias do est\u00e1dio, deixando uma arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 10.735,00, e &#8220;herdando&#8221; ao n\u00f4made Serrano, que ainda n\u00e3o sabe onde mandar\u00e1 seus pr\u00f3ximos jogos, um rombo de R$ 2.705,00 em suas finan\u00e7as. No dia anterior, atuando em Pitua\u00e7u diante do Jacobina, o Bahia levou para os seus cofres R$ 53.551,00, quantia muita pr\u00f3xima do d\u00e9ficit de janeiro mostrado pela contabilidade do clube.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros apresentados nos border\u00f4s emitidos pela FBF mostram que, na realidade, o amante do futebol na Bahia est\u00e1 preferindo ficar comodamente em casa, assistindo um espet\u00e1culo de excelente qualidade, como os jogos da Espanha, It\u00e1lia, Alemanha, Inglaterra ou Fran\u00e7a. Quem pode refutar os n\u00fameros que apresento: em 1989, Bahia x Fluminense do Rio, pelo Campeonato Brasileiro, na Fonte Nova, sem as modernas e confort\u00e1veis instala\u00e7\u00f5es de hoje, recebeu um p\u00fablico pagante de 110 mil pessoas; no Ba-Vi, em 1994, no mesmo local, 97.240 tricolores e rubro-negros adquiriram ingressos.<\/p>\n<p>Dirigentes da CBF e dos clubes, os t\u00e9cnicos dos principais clubes e setores da imprensa esportiva, continuam \u201cpregando no deserto\u201d, afirmando que o futebol brasileiro est\u00e1 no mesmo n\u00edvel t\u00e9cnico e t\u00e1tico do europeu, mas n\u00e3o sabem explicar porque, recentemente, a sele\u00e7\u00e3o sub 20 perdeu para Col\u00f4mbia, Argentina e Uruguai; porque os nossos representantes na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Libertadores foram eliminados prematuramente; porque os clubes da Europa torcem o nariz para os treinadores daqui; e, finalmente, porque o Brasil sofreu dez gols nos dois \u00faltimos jogos do Mundial de 2014, marcando somente um.<\/p>\n<p>Num recente programa de TV, Osvaldo Oliveira, t\u00e9cnico do Palmeiras, defendeu seus colegas de profiss\u00e3o e declarou que a m\u00e1 estrutura administrativa dos clubes \u00e9 a culpada pelo decl\u00ednio do futebol verde-amarelo, mas se colocou ao lado dos \u201ccartolas\u201d quando lembrou que os jogadores atualmente est\u00e3o em m\u00e3os dos empres\u00e1rios, muitos deles inescrupulosos, que, visando lucros imediatos, mandam suas \u201cmercadorias\u201d para lugares mais distantes do planeta, onde jamais v\u00e3o se adaptar com a l\u00edngua, clima e cultura, retornando tr\u00eas ou quatro anos depois, a exemplo de Wagner Love, recebido como o salvador do Flamengo.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia do torcedor nas arquibancadas das modernas e superfaturadas arenas n\u00e3o est\u00e1 restrita aos aumentos constantes nos pre\u00e7os dos ingressos; \u00e0 falta de craques; ao futebol lento e caracterizado pelas faltas e passes laterais; pela perman\u00eancia de gestores comprovadamente corruptos; \u00e0 disparidade financeira entre os participantes de uma mesma competi\u00e7\u00e3o (Jacuipense e Gal\u00edcia t\u00eam uma folha salarial mensal de R$ 50 mil; Vit\u00f3ria da Conquista e Serrano, R$ 120 mil, que correspondem aos sal\u00e1rios de dois estrangeiros, Maxi Biancucchi e Escudero, respectivamente de Bahia e Vit\u00f3ria, que, juntos, gastam R$ 4 milh\u00f5es com seus profissionais.<\/p>\n<p>Outro fator &#8211; e da maior import\u00e2ncia \u2013 est\u00e1 impedindo que os aut\u00eanticos desportistas levem suas esposas, filhos e namoradas aos est\u00e1dios, e que merece, urgentemente, a\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas do Minist\u00e9rio P\u00fablico e das pol\u00edcias, para que n\u00e3o se repita a trag\u00e9dia que vitimou h\u00e1 poucos dias dezenas de pessoas no Egito. Os fora-da-lei que se abrigam nas torcidas organizadas t\u00eam que ser banidos das pra\u00e7as esportivas, como fez a Inglaterra com os violentos &#8220;hooligans&#8221;. Ainda est\u00e1 na nossa mem\u00f3ria a morte de um garoto boliviano, assassinado por membros da \u201cGavi\u00f5es da Fiel\u201d, a de mais alta periculosidade do pa\u00eds, em Oruro, na Bol\u00edvia, durante o jogo Corinthians e San Jos\u00e9, em fevereiro de 2013, pela Libertadores. Depois de algumas semanas presos na Bol\u00edvia, os homicidas, impunes, voltaram a praticar atos de covardia em S\u00e3o Paulo. O que contraria o bom senso \u00e9 que alguns desses bandos recebem subs\u00eddios do seus clubes, em forma de ingressos. No Bahia, o ex-presidente Fernando Schmidt cortou esse benef\u00edcio, levando a \u201cBamor\u201d a protestar, colocando nos est\u00e1dios as suas faixas de cabe\u00e7a pra baixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista O jogo Bahia x Jacobina, pela segunda rodada do Campeonato Baiano, foi deslocado, no \u00faltimo dia 7, da Fonte Nova para Pitua\u00e7u, porque a administra\u00e7\u00e3o da nova arena decidiu trocar o futebol pela formatura de um curso de Direito. 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