{"id":8102,"date":"2023-04-18T22:59:03","date_gmt":"2023-04-19T01:59:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8102"},"modified":"2023-04-18T23:06:16","modified_gmt":"2023-04-19T02:06:16","slug":"a-vida-e-assim-meu-camarada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/04\/18\/a-vida-e-assim-meu-camarada\/","title":{"rendered":"A VIDA \u00c9 ASSIM, MEU CAMARADA!"},"content":{"rendered":"<p>Fui ontem (ter\u00e7a-feira, dia 18\/04) ao centro da cidade para resolver uns problemas que est\u00e3o me deixando agoniado e me deparei com uma cena triste na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco: Na via ao lado da Caixa Econ\u00f4mica um len\u00e7ol branco cobria o corpo de uma mulher que foi atropelada por uma moto e veio a \u00f3bito no local. A vida \u00e9 assim, meu camarada! O nascer est\u00e1 ligado umbilicalmente com a morte, n\u00e3o importa como e quando. Ela sempre est\u00e1 \u00e0 sua espera.<\/p>\n<p>Mesmo com toda tecnologia na m\u00e3o onde voc\u00ea atualmente resolve muitas coisas na base dos cliques (nem sempre funciona o chamado passo a passo), cada um continua com suas agruras, ang\u00fastias, alegrias e tristezas. Cada p\u00f4r-do-sol e cada amanhecer s\u00e3o diferentes. Podem ser de prazer ou de tristeza, de vit\u00f3rias ou de derrotas. Cada um tenta viver como pode, ou sobreviver com sua hist\u00f3ria particular, s\u00f3 sua.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 assim, meu camarada e cada um sabe de si. Vivemos numa sociedade onde mesmo com sua dor sofrida, voc\u00ea tem que dizer que est\u00e1 tudo bem, para n\u00e3o ser desagrad\u00e1vel, rabugento e pessimista de energias negativas. At\u00e9 aparece gente para nos consolar e animar de que as coisas v\u00e3o melhorar. Que depois da tempestade vem a bonan\u00e7a. Um bom dia, uma boa tarde e uma boa noite nem sempre s\u00e3o para todos. O jeito \u00e9 disfar\u00e7ar!<\/p>\n<p>Tem uns que falam que os tempos de hoje s\u00e3o melhores que no passado da carro\u00e7a, da m\u00e1quina de datilografia, daquele namoro que ainda era distante e o m\u00e1ximo que se fazia era pegar na m\u00e3o e dar um beijo no rosto. Fazer um flerte de elogias na morena que passava, n\u00e3o era ass\u00e9dio sexual, mas significava um bem ao ego da mulher.<\/p>\n<p>Outros falam que naquela era as pessoas eram mais solid\u00e1rias, amigas, de maior respeito e uns ajudavam mais outros nas necessidades prementes, mesmo sem o progresso da m\u00e1quina, sem as inven\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e laborais que facilitam por demais o trabalho. Ainda se usava o pil\u00e3o na ro\u00e7a. Nem havia o liquidificador e outros utens\u00edlios para facilitar as refei\u00e7\u00f5es da dona de casa.<\/p>\n<p>Os jovens estudavam e liam bem mais. Se interessavam pelo conhecimento e pela cultura. Nas escolas, o professor era respeitado e existia at\u00e9 a disputa de quem tirava nota maior em portugu\u00eas, matem\u00e1tica, hist\u00f3ria, geografia e ci\u00eancias sociais. Ser o primeiro da classe era uma gl\u00f3ria. Os vizinhos se conheciam e iam na porta pedir um sal, um pouco de caf\u00e9 e a\u00e7\u00facar emprestados, que faltavam em suas resid\u00eancias. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais assim&#8230;<\/p>\n<p>Os conceitos de felicidade, de amor, de saudades, de confian\u00e7a no outro, de coopera\u00e7\u00e3o, da troca de olhares e do bem-estar consigo mesmo mudaram. At\u00e9 a poesia, a m\u00e9trica, a rima e os textos tomaram outra forma, mais livre e libert\u00e1ria. N\u00e3o se reflete mais, n\u00e3o se mergulha mais em si mesmo e n\u00e3o se tem tempo para meditar.<\/p>\n<p>Mesmo com o computador veloz e o celular na m\u00e3o para troca de informa\u00e7\u00f5es instant\u00e2neas, vender e comprar seus produtos pelas redes sociais, passar not\u00edcias, fazer fofocas e compartilhar fake news, o tempo para a grande maioria parece que deixou de existir. A resposta \u00e9 sempre de pedida de desculpas porque n\u00e3o houve tempo para responder seu v\u00eddeo, sua mensagem ou \u00e1udio. Todos est\u00e3o ocupados.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o cedeu lugar \u00e0 competitividade e \u00e0 competi\u00e7\u00e3o cerradas, se poss\u00edvel passando a rasteira no outro. Todos s\u00f3 pensam em ganhar, sem olhar o seu \u201csemelhante\u201d. Valem o levar vantagem e ser mais astuto. O outro \u00e9 visto como um ot\u00e1rio por ser \u00e9tico e preservar seu car\u00e1ter de honestidade. Quase ningu\u00e9m liga mais para o que \u00e9 o certo ou o errado.<\/p>\n<p>Todos hoje nas ruas s\u00e3o suspeitos, desde que se prove o contr\u00e1rio. N\u00e3o se ajuda mais o ca\u00eddo na cal\u00e7ada ou na estrada a se levantar. Pode ser uma arma\u00e7\u00e3o, um golpe ou assalto. Cuidado no olhar para a mulher que cruza seu caminho. N\u00e3o se abre mais a porta, nem para o agente de sa\u00fade ou o funcion\u00e1rio do censo.<\/p>\n<p>O racismo est\u00e1 em todos os lados, e as multid\u00f5es cada vez mais apressadas e suadas para n\u00e3o chegarem atrasadas no trabalho, n\u00e3o perder o \u00f4nibus ou o metr\u00f4. O tempo virou dinheiro e o humano um simples n\u00famero sem muita import\u00e2ncia, especialmente se n\u00e3o tiver alguma coisa para lhe oferecer. As c\u00e2maras vigiam seus passos, seus gestos, seu caminhar e at\u00e9 quando voc\u00ea para num poste ou num banco da pra\u00e7a para pensar como resolver os imbr\u00f3glios da vida. \u00a0Algu\u00e9m est\u00e1 lhe observando.<\/p>\n<p>Tudo isso, serve apenas como uma reflex\u00e3o de que a vida \u00e9 assim mesmo, meu amigo camarada (poucos s\u00e3o os amigos verdadeiros, daqueles certos nas horas incertas). Cabe a voc\u00ea fazer uma an\u00e1lise racional sobre qual tempo era o melhor. O sentido entre a vida e a morte \u00e9 a raz\u00e3o que est\u00e1 entre o corpo e a alma.<\/p>\n<p>Cada um tem sua vis\u00e3o, sua maneira de ver as coisas e vamos respeitar as opini\u00f5es. \u00a0Pelo menos isso, porque as coisas est\u00e3o brabas e pouco se ouve o outro. Tinha um professor que dizia: Quando um burro fala o outro murcha a orelha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui ontem (ter\u00e7a-feira, dia 18\/04) ao centro da cidade para resolver uns problemas que est\u00e3o me deixando agoniado e me deparei com uma cena triste na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco: Na via ao lado da Caixa Econ\u00f4mica um len\u00e7ol branco cobria o corpo de uma mulher que foi atropelada por uma moto e veio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8102"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}