{"id":8073,"date":"2023-04-08T00:10:18","date_gmt":"2023-04-08T03:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8073"},"modified":"2023-04-08T00:11:07","modified_gmt":"2023-04-08T03:11:07","slug":"fluxo-e-refluxo-xiii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/04\/08\/fluxo-e-refluxo-xiii\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO XIII"},"content":{"rendered":"<p>O PER\u00cdODO MAIS CR\u00cdTICO DO TR\u00c1FICO NEGREIRO<\/p>\n<p>No livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d, do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger, de mais de 900 p\u00e1ginas, ele faz um trabalho detalhado e acad\u00eamico com cartas e documentos da \u00e9poca, desde o s\u00e9culo XVI, sobre o tr\u00e1fico negreiro, especificamente do Golfo do Benin (Reino de Daom\u00e9) para a Bahia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, por volta de 1807\/08, quando a Inglaterra decretou a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, esse tr\u00e1fico entrou em seu per\u00edodo mais cr\u00edtico, justamente por ter se tornado ilegal atrav\u00e9s dos acordos e conven\u00e7\u00f5es estabelecidos entre os ingleses e Portugal e depois com o Brasil independente.<\/p>\n<p>Como esses tratados n\u00e3o eram obedecidos pelos governos e comerciantes de escravos, os brit\u00e2nicos passaram a usar a for\u00e7a naval para aprisionar navios que continuavam a embarcar ilegalmente cativos para o Brasil, especialmente para os centros da Bahia e do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Por press\u00e3o da Inglaterra, ap\u00f3s Brasil independente, o Governo Imperial criou v\u00e1rias leis, como a de 1831 que ficou conhecida para \u201cingl\u00eas ver\u201d, porque os traficantes faziam suas trapa\u00e7as, como desvios de rotas, embarques e desembarques em outros locais fora dos portos tradicionais e uso de bandeiras estrangeiras, para manter o tr\u00e1fico il\u00edcito.<\/p>\n<p>Nas trocas de cartas com as autoridades do Imp\u00e9rio (tamb\u00e9m faziam seus conluios com os senhores patr\u00f5es e traficantes), os c\u00f4nsules ingleses se irritavam com os brasileiros at\u00e9 que por volta do final dos anos 40 a Inglaterra come\u00e7ou a apertar o cerco com cruzadores que aprisionaram dezenas de navios que estavam com cargas irregulares.<\/p>\n<p>Nesse interim, houve um acordo onde determinava que os traficantes s\u00f3 podiam transportar escravos abaixo da linha do Equador, ou seja, eram proibidos fazer esse tipo de neg\u00f3cio no Porto de Uid\u00e1 ou Ajud\u00e1, no Golfo do Benin. Mesmo assim o com\u00e9rcio ilegal n\u00e3o parou de ser feito.<\/p>\n<p>Chegou ao ponto que os navios ingleses invadiram as \u00e1guas brasileiras para impedir o tr\u00e1fico e at\u00e9 amea\u00e7ou bombardear o Porto do Rio de Janeiro. O estopim de tudo ocorreu no Porto de Paranagu\u00e1 quando o forte daquele local reagiu atirando contra um cruzador ingl\u00eas matando um marujo.<\/p>\n<p>Os comerciantes colocavam o povo contra os ingleses e estes tentavam comover a popula\u00e7\u00e3o de que aquele com\u00e9rcio era vergonhoso e desumano. Como o poderio brit\u00e2nico era de longe maior que o do Brasil, o Imp\u00e9rio apressou uma lei mais dura em 1950 que ficou conhecida como Lei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s. Somente em 1951 esse tr\u00e1fico ilegal cessou, mas alguns ainda se atreviam a colocar navios para realizar esse com\u00e9rcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PER\u00cdODO MAIS CR\u00cdTICO DO TR\u00c1FICO NEGREIRO No livro \u201cFluxo e Refluxo\u201d, do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger, de mais de 900 p\u00e1ginas, ele faz um trabalho detalhado e acad\u00eamico com cartas e documentos da \u00e9poca, desde o s\u00e9culo XVI, sobre o tr\u00e1fico negreiro, especificamente do Golfo do Benin (Reino de Daom\u00e9) para a Bahia. 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