{"id":8049,"date":"2023-03-31T23:53:00","date_gmt":"2023-04-01T02:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8049"},"modified":"2023-03-31T23:53:25","modified_gmt":"2023-04-01T02:53:25","slug":"os-momentos-de-agonia-de-uma-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/03\/31\/os-momentos-de-agonia-de-uma-nacao\/","title":{"rendered":"OS MOMENTOS DE AGONIA DE UMA NA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>OS MOMENTOS DE AGONIA DA NA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Est\u00e3o completando, exatamente, neste primeiro de abril (alcunhado de Dia da Mentira), 59 anos do golpe civil-militar que os generais ainda insistem em datar como 31 de mar\u00e7o, quando o comandante Mour\u00e3o saiu de Juiz de Fora e desceu a Serra de Petr\u00f3polis com suas tropas at\u00e9 o Rio de Janeiro, que muitos dizem desarmada.<\/p>\n<p>O chamo de o dia em que separou os brasileiros entre classe m\u00e9dia, estudantes, sindicatos, pobres, pais e filhos, a Igreja Cat\u00f3lica, amigos de amigos e irm\u00e3os de irm\u00e3os. \u00c9 um dia que precisa ser lembrado para que nunca mais aconte\u00e7a em nossa hist\u00f3ria, e todos aqueles imbecis que pedem uma interven\u00e7\u00e3o militar, ou seja uma ditadura, sejam repelidos rigorosamente e presos.<\/p>\n<p>Em minha obra \u201cUma Conquista Cassada- cerco e fuzil na cidade do frio\u201d, fa\u00e7o um relato sobre o que foi o regime em Conquista, na Bahia e no Brasil, n\u00e3o deixando de me reportar sobre as ditaduras na Am\u00e9rica Latina. Nele escrevi este cap\u00edtulo: Os Momentos de Agonia de uma Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi mesmo em primeiro de abril em que uma corja do Congresso Nacional decretou que o presidente Jo\u00e3o Goulart havia se ausentado do Brasil e deixado um v\u00e1cuo no poder, quando ainda estava no Rio Grande do Sul. Foi este Congresso que abriu as portas para as for\u00e7as armadas darem o golpe definitivo.<\/p>\n<p>O quadro geral do pa\u00eds era de agita\u00e7\u00e3o e nervosismo, com intensa movimenta\u00e7\u00e3o nos quart\u00e9is e em todos os setores da sociedade. Mas, ainda existiam possibilidades para virar o jogo a favor do presidente, se este tivesse tido mais firmeza e agido rapidamente.<\/p>\n<p>Foi organizada uma brigada pelo general Luiz Tavares de Mello (1\u00aa Divis\u00e3o de Infantaria de Niter\u00f3i), para combater a tropa vinda de Minas Gerais, mas sempre faltava uma ordem de Jango para agir. A brigada tomou posi\u00e7\u00e3o no Vale do Paraibuna com seus canh\u00f5es. O pessoal s\u00f3 esperava um sinal para atirar, enquanto o grupamento de Mour\u00e3o, sem muni\u00e7\u00e3o, continuava parado. O brigadeiro Teixeira (III Zona A\u00e9rea) enviou avi\u00f5es da Base de Santa Cruz para bombardear Mour\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pilotos queriam jogar as bombas, mas n\u00e3o tinham a ordem de Jango, que mandava esperar. Tamb\u00e9m o almirante Arag\u00e3o, dos Fuzileiros Navais, esperava uma ordem de Jango. Os marinheiros esperaram uma noite inteira. Faltou o primeiro tiro, pelo menos para adiar por mais uma vez o Golpe dos Generais.<\/p>\n<p>A tropa legalista recuou e Mour\u00e3o andou das margens do rio Paraibuna at\u00e9 o Maracan\u00e3. Os sargentos e oficiais desmobilizados come\u00e7aram a passar para o lado dos golpistas. Segundo observadores, Mour\u00e3o n\u00e3o tinha tropa para enfrentar os 86 legalistas contra o golpe.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria poderia ter sido diferente, se Jango tivesse tido pulso firme para decidir. N\u00e3o \u00e9 por menos que muitos at\u00e9 hoje o classificam de covarde, indeciso e incompetente. Dizem que ele estava negociando e n\u00e3o queria derramar sangue.<\/p>\n<p>O general Costa e Silva, por exemplo, j\u00e1 n\u00e3o acreditava na revolta e at\u00e9 temia que seu grupo pudesse ser preso. Os momentos posteriores at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o final do golpe, em 1\u00ba de abril, foram de muitas incertezas, ang\u00fastias e agonia. O povo estava at\u00f4nito e perplexo; os boatos corriam como rastilhos de p\u00f3lvoras; e a panela entrava em ebuli\u00e7\u00e3o prestes a explodir a qualquer hora.<\/p>\n<p>Acontece que o II Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo, continuava parado e isso deu mais tempo para que os golpistas avan\u00e7assem, tomassem mais for\u00e7as e se consolidassem de uma vez. O general Kruel, ainda no muro, com sua cruel d\u00favida, soltava uma nota de que as tropas no Estado estavam na expectativa.<\/p>\n<p>Caso aderisse ao presidente corria o risco de ser preso, e sabia disso. O chefe do Estado Maior das For\u00e7as Armadas, general Pery Bevilaqua, conforme descreve Elio Gaspari, foi o \u00fanico a visitar Goulart em seu gabinete e tentar uma negocia\u00e7\u00e3o. Foi l\u00e1 exigir combate \u00e0s greves e a derrubada do minist\u00e9rio. Os americanos ainda estavam confusos e desorientados com rela\u00e7\u00e3o ao movimento.<\/p>\n<p>O coronel Walters dizia que a rebeli\u00e3o estava perdendo for\u00e7as por falta de ades\u00e3o de S\u00e3o Paulo e outros estados. Com aquilo tudo, Goulart poderia ter repetido Vargas, em 1937, e decretado um Estado Novo, assim analisaram pol\u00edticos e intelectuais. O deputado do PTB, Max da Costa Santos achava que Mour\u00e3o seria esmagado em pouco tempo.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, o pa\u00eds estava em polvorosa com muitas not\u00edcias e boatos de pris\u00e3o; de rea\u00e7\u00e3o e rendi\u00e7\u00e3o do governo. Tudo marchava para seu fim. O golpe seguia em ritmo mais acelerado. Soldados come\u00e7avam a tomar as ruas e pra\u00e7as das cidades.<\/p>\n<p>A \u00e2nsia era esmagar de vez o governo. Para colocar mais lenha na fogueira, o chefe das Ligas Camponesas, Francisco Juli\u00e3o, anunciava que a vontade do povo iria prevalecer, com ou sem o Congresso. Luis Carlos Prestes ainda teve tempo de convocar uma reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central do PCB e manteve seus 40 mil militantes em alerta.<\/p>\n<p>As Ligas Camponesas tinham dois mil homens. Leonel Brizola bem que tentou acionar um esquema militar, mas seus Grupos dos Onze n\u00e3o se moveram. A for\u00e7a das armas dos revoltosos era bem maior. As t\u00edmidas rea\u00e7\u00f5es chegaram tarde demais. Mais uma vez, as esquerdas n\u00e3o se uniram como deveriam.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, os l\u00edderes dos movimentos, dos estudantes e dos sindicatos ainda acreditavam que as massas iriam reagir. N\u00e3o paravam de soltar comunicados, mas a repress\u00e3o j\u00e1 batia e arrombava as portas com seus fuzis. Na realidade, os grupos de esquerda e outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam preparados para aquele momento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, muitos ainda receavam quanto a for\u00e7a que Jango iria ter nas m\u00e3os. A Igreja Cat\u00f3lica, a classe m\u00e9dia burguesa e a grande m\u00eddia marchavam ao lado dos generais. O Congresso virou uma torre de Babel. Os parlamentares n\u00e3o se entendiam e partiram para a pancadaria.<\/p>\n<p>Analistas entendem que faltou coragem por parte de Goulart, bem como de todo seu staff, para por fim \u00e0 rebeli\u00e3o. S\u00f3 assim liquidaria de vez com as tropas de Mour\u00e3o. Entre as conjecturas, o presidente poderia ter fechado o Congresso, expurgado oficiais e buscado refor\u00e7os imediatos no seu \u201cdispositivo\u201d e na m\u00e1quina sindical. Poderia at\u00e9, se quisesse, ter usado a for\u00e7a a\u00e9rea para bombardear as tropas de Mour\u00e3o, como insinuou o ex-prefeito de Vit\u00f3ria da Conquista, Pedral Sampaio.<\/p>\n<p>Perdeu-se muito tempo. Muitos ficaram esperando por uma ordem contra-revolucion\u00e1ria da parte de Goulart para agir. Caiu-se no imobilismo. Na C\u00e2mara, o vice-l\u00edder Almino Afonso chegou a discursar, declarando que os trabalhadores iriam parar porto por porto, navio por navio, f\u00e1brica por f\u00e1brica, e que as greves tamb\u00e9m iriam parar o campo.<\/p>\n<p>\u201cQuerem a guerra civil, pois teremos a revolu\u00e7\u00e3o social. Uma guerra civil n\u00e3o se faz com marechais, almirantes e generais. Faz-se com a tropa, e essa tropa \u00e9 o povo que comp\u00f5e todos os quart\u00e9is. S\u00e3o os sargentos, os cabos e marinheiros\u201d.<\/p>\n<p>Muitos estudiosos pol\u00edticos calculam que, se Jango mandasse reagir, quem iria mandar no poder era a esquerda comunista. Mas outros entendem que a maioria das for\u00e7as legalistas dentro das corpora\u00e7\u00f5es militares (mais de 80%) era nacionalista e rejeitaria o comunismo.<\/p>\n<p>O que se sabe \u00e9 que, depois de ter conversado com o general Kruel, o presidente fez o trajeto de Get\u00falio Vargas (Distrito Federal \u2013 Porto Alegre \u2013 S\u00e3o Borja). S\u00f3 depois foi para o Uruguai. Tudo combinado e negociado? \u00c9 uma pergunta que se faz.<\/p>\n<p>O \u201cDISPOSITIVO\u201d RUIU<\/p>\n<p>Como vimos, em 31 de mar\u00e7o, no meio de todo esse turbilh\u00e3o, Jo\u00e3o Goulart mantinha-se em sil\u00eancio no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Confiou 88 demais no seu \u201cdispositivo\u201d de esquerda, que n\u00e3o tomou nenhuma iniciativa militar. Por volta das 22 horas do dia 31, o general Kruel ligou para Goulart pedindo para que ele rompesse com a esquerda, demitisse Abelardo Jurema do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Darcy Ribeiro da chefia do Gabinete Civil, al\u00e9m de colocar o Comando Geral dos Trabalhadores (a CGT) fora da lei.<\/p>\n<p>Jango n\u00e3o aceitou o emparedamento, porque depois seria totalmente enfraquecido. Afirmou que n\u00e3o iria trair os amigos. Se ele quisesse, que tra\u00edsse, colocando suas tropas na rua. O general telefonou na presen\u00e7a de outros oficiais. Kruel passou todo dia 31 e parte da noite sem saber que posi\u00e7\u00e3o tomar, inclusive n\u00e3o apareceu no seu QG na parte da tarde.<\/p>\n<p>\u00c0 noite retornou ao seu quartel e ficou com medo de ser sequestrado se aderisse ao governo. O 4\u00ba Regimento de Infantaria, de Quita\u00fana, estava com a rebeli\u00e3o. Kruel tinha que sair da toca e se decidir. Pressionado e acossado, inclusive por Castello Branco, ficou sem sa\u00edda. Finalmente, quando n\u00e3o tinha mais para aonde ir, por volta da meia noite do dia 31 para o 1\u00ba de abril, o general Kruel resolveu aderir \u00e0 rebeli\u00e3o atrav\u00e9s de um manifesto.<\/p>\n<p>Declarava ser necess\u00e1rio salvar a p\u00e1tria em perigo, livrando-a do jugo vermelho. Colocava-se fiel \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas poderes. Dizia ainda que a inten\u00e7\u00e3o do II Ex\u00e9rcito era liquidar com o comunismo que estava infiltrado no governo.<\/p>\n<p>O \u201cdispositivo\u201d de Jango come\u00e7ava a ruir de vez. A in\u00e9rcia do governo foi fatal para o seu desmoronamento. Foi assim que, no dia 1\u00ba de abril, o \u201cDia da Mentira\u201d e das \u201cpegadinhas\u201d (ironia do destino) tudo mudou e clareou a favor do golpe definitivo dos generais. Ao amanhecer, o general Kruel, talvez com remorso e querendo remediar sua posi\u00e7\u00e3o, ainda insistia em emparedar Jango, sem destitu\u00ed-lo do cargo.<\/p>\n<p>O general Justino Alves Bastos, do IV Ex\u00e9rcito, em Recife, que tamb\u00e9m sempre ficou no muro, foi se aproximando do levante. Ele e Kruel ficaram quase um dia esperando para ver onde o vento sopraria mais forte, para pegar carona. Justino recebeu o superintendente da Sudene, o economista Celso Furtado, por volta das 10 horas do dia 1\u00ba, e confessou que estava ali para prender quem atentasse contra a ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>Para o dia 1\u00ba de abril estava prevista, no Rio de Janeiro, a greve geral de transportes em apoio \u00e0s medidas de Jo\u00e3o Goulart. No final da tarde haveria um com\u00edcio na Cinel\u00e2ndia, reunindo intelectuais, estudantes e lideran\u00e7as sindicais. Quem apareceu foi a for\u00e7a do ex\u00e9rcito com tanques, metralhadoras e equipamentos pesados.<\/p>\n<p>Muita gente al\u00ed que esperava o in\u00edcio do com\u00edcio imaginou que os soldados tinham ido a mando de Jango para prestar seguran\u00e7a ao evento e come\u00e7ou a aplaudir. S\u00f3 que a tropa apontou suas armas contra o povo que trocou os aplausos pelas vaias. Houve tiros e duas pessoas foram fuziladas.<\/p>\n<p>\u201cFora.\u201d foi o t\u00edtulo do editorial do jornal \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d (RJ), comentando que n\u00e3o restava outra sa\u00edda para Jo\u00e3o Goulart a n\u00e3o ser entregar o governo. Os \u00faltimos a segurarem as lanternas foram o Forte de Copacabana e a Fortaleza S\u00e3o Jo\u00e3o, que continuavam rebelados at\u00e9 ao meio-dia do dia 1\u00ba, mas n\u00e3o ofereciam mais nenhuma resist\u00eancia. Eram poucos homens.<\/p>\n<p>Ainda no dia 1\u00ba de abril, a sede da UNE foi incendiada pelo CCC \u2013 Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas. A partir daquele s\u00edmbolo destru\u00eddo, come\u00e7avam as manifesta\u00e7\u00f5es de ruas e depois as lutas armadas. Os tanques que, pela manh\u00e3, guardavam o port\u00e3o do Pal\u00e1cio das Laranjeiras, onde se encontrava Jango, \u00e0 tarde foram proteger o Pal\u00e1cio da Guanabara, onde estava o governador Carlos Lacerda. Na mesma tarde, o governo dos Estados Unidos declarava apoio \u00e0 rebeli\u00e3o dos generais.<\/p>\n<p>O ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro pulou do barco, e Jango resolveu voar para Bras\u00edlia. Seu \u201cdispositivo\u201d estava dissolvido e dilu\u00eddo. O IV Ex\u00e9rcito cuidou de cercar e imobilizar o governador de Pernambuco, Miguel Arraes. As tropas do general Kruel marchavam em dire\u00e7\u00e3o ao Vale do Para\u00edba.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, por volta das 23 horas do dia 1\u00ba de abril de 1964, o presidente abandonou a Granja do Torto e voou para Porto Alegre (Rio Grande do Sul) num avi\u00e3o da FAB. Dizem que toda sua hist\u00f3ria foi resumida nos dias 31 de mar\u00e7o e 1\u00ba de abril de 1964.<\/p>\n<p>Na madrugada do dia dois de abril, ainda reuniu-se com o deputado federal Leonel Brizola, e somente a\u00ed sua ficha caiu de vez. De Porto Alegre, Jango foi com o general Assis Brasil para a fazenda Rancho Grande, em S\u00e3o Borja.<\/p>\n<p>N\u00e3o dava para ficar mais em territ\u00f3rio brasileiro. Num C-47, partiu definitivamente com sua mulher Maria Thereza e seus filhos para o do\u00eddo ex\u00edlio no Uruguai. Entre os dias 1\u00ba e dois de abril, alguns comandantes ainda tentaram resistir, mas foram logo dominados e presos.<\/p>\n<p>Os tanques, fuzis e metralhadoras tomaram as ruas das cidades. Os suspeitos de serem comunistas, partid\u00e1rios do Governo Goulart, aliados das reformas de base e dos movimentos sociais, abarrotavam as cadeias nos primeiros dias de uma longa noite de trevas.<\/p>\n<p>Muita gente fugia e se escondia das armas como podia. Fam\u00edlias foram separadas, filhos desgarrados e m\u00e3es e pais come\u00e7avam a derramar suas primeiras l\u00e1grimas de muitas que viriam depois com as torturas, mortes e desaparecimentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se imaginava que a ditadura iria perdurar por tanto tempo e que o Brasil iria viver os tr\u00e1gicos anos de chumbo. Analisam os cr\u00edticos que Jango sempre assumiu uma posi\u00e7\u00e3o conciliat\u00f3ria e o acusam de ter sido incompetente, covarde, despreparado, indeciso e demagogo. Ao procurar incluir a classe trabalhadora no centro das decis\u00f5es pol\u00edticas e desejar realizar as reformas de base, foi tachado de populista, comenta Joviniano Neto, do Grupo Tortura Nunca Mais, da Bahia.<\/p>\n<p>Os grupos de esquerda queriam pressa e criticavam que Jango demorava e abria concess\u00f5es demais. Com aquele quadro todo de indefini\u00e7\u00e3o e espera para o pulo final, o velho general Cordeiro de Farias, depois de tudo consumado, chegou a afirmar que o Ex\u00e9rcito tinha dormido janguista no dia 31 de mar\u00e7o, mas com o prop\u00f3sito j\u00e1 tra\u00e7ado de tirar o presidente do poder. Segundo historiadores, o golpe foi um acidente (foi antecipado), uma conspira\u00e7\u00e3o cheia de erros que terminou dando certo.<\/p>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es passaram a ser feitas no dia 31 de mar\u00e7o, justamente para evitar as chacotas do popular \u201cDia da Mentira\u201d. No cap\u00edtulo sobre \u201cA For\u00e7a Motriz do Processo Revolucion\u00e1rio\u201d, o Centro de Estudos Victor Meyer, da Polop (Pol\u00edtica Oper\u00e1ria) \u2013 \u201cUma Trajet\u00f3ria de Luta pela Organiza\u00e7\u00e3o Independente da Classe Oper\u00e1ria no Brasil\u201d, assinala que na hora do golpe, quando as ditas correntes (Jango, Brizola e PCB) estavam em debandada, \u201co proletariado foi a \u00fanica classe urbana que se mantinha como classe contra o golpe\u201d.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com os estudos do Centro, o fato que possibilitou a instaura\u00e7\u00e3o da ditadura, sem uma resist\u00eancia das massas e dos partidos pol\u00edticos, foi a aus\u00eancia de um movimento oper\u00e1rio independente, capaz de unir em torno de si o campesinato e as camadas radicalizadas da pequena burguesia. Na verdade, o golpe foi de classe, perpetrado pela burguesia nacional contra a classe trabalhadora, com a cobertura das for\u00e7as armadas. Portanto, o golpe foi civil-militar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS MOMENTOS DE AGONIA DA NA\u00c7\u00c3O Est\u00e3o completando, exatamente, neste primeiro de abril (alcunhado de Dia da Mentira), 59 anos do golpe civil-militar que os generais ainda insistem em datar como 31 de mar\u00e7o, quando o comandante Mour\u00e3o saiu de Juiz de Fora e desceu a Serra de Petr\u00f3polis com suas tropas at\u00e9 o Rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8049"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8051,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8049\/revisions\/8051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}