{"id":8027,"date":"2023-03-24T23:34:42","date_gmt":"2023-03-25T02:34:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=8027"},"modified":"2023-03-24T23:35:12","modified_gmt":"2023-03-25T02:35:12","slug":"fluxo-e-refluxo-xi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2023\/03\/24\/fluxo-e-refluxo-xi\/","title":{"rendered":"&#8220;FLUXO E REFLUXO&#8221; XI"},"content":{"rendered":"<p>AS REBELI\u00d5ES, OS MOTINS E O<\/p>\n<p>RETORNO DOS NEGROS \u00c1 \u00c1FRICA<\/p>\n<p>A partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, por volta de 1807, ocorreram na Bahia v\u00e1rias rebeli\u00f5es dos negros nag\u00f4s, hauss\u00e1s e da etnia tapas, culminando com a grande revolta dos mal\u00eas, em 1835, que deixaram os brancos assustados com um poss\u00edvel massacre como aconteceu no Haiti no final do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Esses fatos narrados em \u201cFluxo e Refluxo\u201d, obra do etn\u00f3logo e fot\u00f3grafo Pierre Verger, deram sequ\u00eancia a um retorno dos africanos para suas terras de origem. Muitos ainda eram escravos rec\u00e9m-chegados como levas do tr\u00e1fico ilegal e foram deportados como puni\u00e7\u00e3o por participarem dos levantes.<\/p>\n<p>A partir de 1835, o cerco da pol\u00edcia come\u00e7ou a se fechar contra os negros nascidos no Brasil, mesmo os emancipados, com puni\u00e7\u00f5es severas e todos passaram a ser vistos como amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a da prov\u00edncia. N\u00e3o podiam sair \u00e0 noite e, por qualquer motivo, eram presos e submetidos a chibatadas em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o, houve um movimento de retorno dos africanos livres para suas na\u00e7\u00f5es de origens, com o consentimento do pr\u00f3prio governo da prov\u00edncia e apoio dos brancos que temiam por mais rebeli\u00f5es. Com os acontecimentos, as outras prov\u00edncias recusavam comprar os negros escravos que fossem da Bahia. Com isso, os pre\u00e7os despencaram e os donos tiveram grandes preju\u00edzos.<\/p>\n<p>Conta Pierre Verger que a primeira rebeli\u00e3o na Bahia estava prevista para 28 de maio de 1807. Os escravos hauss\u00e1s haviam preparado arcos e flechas, fac\u00f5es, pistolas e at\u00e9 fuzis. Tanto os negros da cidade quanto os dos engenhos deviam se juntar fora de Salvador na noite do dia 28. A proposta era fazer guerra aos brancos, matar seus senhores e envenenar as fontes p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Eles tinham tamb\u00e9m em mente retornar \u00e0 \u00c1frica apoderando-se de navios ancorados no porto. No entanto, dias antes o governador foi prevenido por uma habitante, colocado a par da conspira\u00e7\u00e3o por um de seus escravos. O movimento foi abafado e seu l\u00edder de nome Ant\u00f4nio, hauss\u00e1s, e seu amigo Balthazar foram condenados \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Ocorreram outras tentativas de rebeli\u00f5es entre os anos de 1809 e 1810. Em fevereiro de 1814, todos escravos das peixarias Manuel Ign\u00e1cio da Cunha, Jo\u00e3o Vaz de Carvalho e de agricultores vizinhos, entre mais de seiscentos, atacaram as instala\u00e7\u00f5es dos senhores aos quais pertenciam, ateando-lhes fogo. Ao todo, treze brancos foram mostos e oito gravemente feridos. Os negros resistiram \u00e0s tropas de infantaria e 56 negros perderam a vida, a maioria de hauss\u00e1s.<\/p>\n<p>Apesar das medidas de repress\u00e3o, as revoltas continuaram, como em 1816, 1826\/27\/28, com invas\u00f5es em engenhos, peixarias e instala\u00e7\u00f5es de empresas. Em 1830, mais de uma dezena de negros invadiram uma loja de Francisco Jos\u00e9 Tupinamb\u00e1, na rua Fonte dos Padres, na Cidade Baixa.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia e a tropa fizeram quarenta prisioneiros e mataram cinquenta negros. Muitos outros fugiram na mata e foram perseguidos pelos policiais. A revolta de 1835 teve maior repercuss\u00e3o em toda col\u00f4nia.<\/p>\n<p>As autoridades da prov\u00edncia da Bahia e os senhores patr\u00f5es suspeitavam que os ingleses, que formavam a maior col\u00f4nia de estrangeiros em Salvador, moradores do corredor da Vit\u00f3ria e vizinhan\u00e7as, estivessem envolvidos nessas conspira\u00e7\u00f5es por causa das proibi\u00e7\u00f5es ao tr\u00e1fico que n\u00e3o eram cumpridas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS REBELI\u00d5ES, OS MOTINS E O RETORNO DOS NEGROS \u00c1 \u00c1FRICA A partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, por volta de 1807, ocorreram na Bahia v\u00e1rias rebeli\u00f5es dos negros nag\u00f4s, hauss\u00e1s e da etnia tapas, culminando com a grande revolta dos mal\u00eas, em 1835, que deixaram os brancos assustados com um poss\u00edvel massacre como aconteceu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8027"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}